quarta-feira, 13 de março de 2013

Orgulho e Preconceito e RPG

Parece que o assunto do momento na comunidade RPGistica brasileira é o preconceito no RPG. Por preconceito leia-se discussões sobre qual sistema é melhor, críticas e enaltecimentos a determinados jogos, enfim, aquilo que comumente conhece-se por “edition wars” (mesmo quando a briga não é entre edições de um mesmo jogo).

Eu acho que tratar isso como se fosse um problema sério é perda de tempo. Lutar por um ideal de “não vamos dividir a comunidade” achando que para isso todo mundo tem de evitar críticas a outros jogos é bobagem. Enquanto houver dois jogos de RPG diferentes sempre haverá divisão entre os jogadores de RPG.

Antes das críticas ao D&D 4ed, houve a briga entre Old School e New School, antes disso eram críticas ao D&D 3.5, antes ainda críticas aos jogos indie, e voltando cada vez mais temos críticas a Tormenta, às adaptações da Dragão Brasil, a briga entre Vampiro: A Máscara e D&D, críticas a GURPS e seu excesso de detalhes, críticas ao D&D por ser hack & slash, críticas ao AD&D por ser complicado demais e até mesmo críticas ao OD&D ora por ser simplista demais e ora por ser confuso demais!

E isso nem de longe é um problema. Os jogadores de RPG tem de ter em mente que não precisam todos concordar para serem uma comunidade unida. Sabe aquela história de “eu contra meu irmão; eu e meu irmão contra meus primos; eu, meu irmão e meus primos contra os vizinhos”? Pois é.

Se for um “pré-conceito” de verdade, falando de algo que não se conhece, é um pouco mais problemático, talvez não seja uma atitude correta e o melhor a se fazer é tentar conhecer do que se fala. Mas a verdade é que na maioria das vezes trata-se é de um “pós-conceito”, um conceito formado de algo que se conhece e do qual se discorda, e quanto a isso eu não vejo problema algum.

Acho que a única coisa com que se tem de ter cuidado é em manter a educação com as pessoas. Porque? Simplesmente porquê se deve ser educado com as pessoas sempre.

Não gostar e criticar este ou aquele jogo é normal e saudável. Mas mantenha a educação ao fazê-lo.

Afinal, é bom lembrar de que foi por não gostar, discordar e criticar o D&D que Ken St. André criou o Tunnels & Trolls em 1975, criando assim o segundo jogo de RPG do mundo, e abrindo caminho para a miríade de jogos e sistemas de RPG que viria depois e da qual nos beneficiamos hoje.

6 comentários:

  1. E foi por não gostar da 4E que três malucos criaram o Old Dragon, que algumas pessoas curtem! :P

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    1. Não só o Old Dragon, mas toda a OSR nasceu assim!

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  2. Tem uma diferença enorme entre não gostar de um jogo e ativamente procurar denegrir o mesmo e hostilizar quem joga. Pelo menos da minha parte, que sempre defendi que esse tipo de atitude é uma bobagem nociva ao hobby, acredito que as pessoas que tem defendido uma atitude de "jogue e deixe jogar" tem a mesma opinião.
    Claro, cada um tem sua opinião, mas eu prefiro conviver com uma comunidade onde ninguém precisa ouvir uma piada idiota ou ser tratado como imbecil por preferir algum jogo.

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    1. Denegrir um jogo não é falar mal dele, é dizer que o jogo é satânico, que é criminoso, que é imoral, que quem joga vai pro inferno, é assassino, é maluco, é drogado e pervertido, ou dizer que o jogo é plágio ou de alguma outra forma denegrir o trabalho dos envolvidos na criação do mesmo sem fundamento de verdade (coisas que a gente sabe que acontece por aí). Só dizer que o jogo é ruim não é denegrir um jogo, é apenas expressar uma opinião.

      Já denegrir e hostilizar quem joga é falta de educação e ignorância, pura e simplesmente. Por isso que eu digo: critique o jogo, não o jogador.

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  3. Como eu disse, diferença enorme entre os dois pontos. Eu sempre falo abertamente que não gosto da maioria dos sistemas criados pela WW. Isso não me impede de elogiar os bons cenários e jogos, tendo inclusive Lobisomem e Exalted como dois dos meus favoritos. Infelizmente o que falta muitas vezes nas críticas é essa atitude racional de conseguir entender que mesmo num sistema que vc não gosta (como Storyteller, no meu caso) podem existir ótimas idéias e que o fato de outras pessoas discordarem da minha opinião não as faz melhores ou piores, mais inteligentes ou idiotas. Que elas só são diferentes e que ter elas no hobby ajuda a manter o RPG vivo.

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    1. Concordo plenamente!

      E eu por exemplo, também acho o sistema Storyteller ruim, critico o que não gosto nele, mas mesmo assim jogo ele e tenho Lobisomem: O Apocalipse como um dos meus jogos/cenários prediletos.

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