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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Plane Shift: Dominaria - O Mais Esperado Cenário de Magic: The Gathering Para D&D 5ªed!

Finalmente foi publicado o cenário mais esperado desde o início da série Plane Shift da Wizard of the Coast: Dominaria!
Plane Shift: Dominaria é um documento em PDF liberado gratuitamente pela Wizards of the Coast detalhando alguns elementos do cenário para as regras da atual edição do D&D.
 
O que já não é novidade, assim como os demais cenários já adaptados do mundo de Magic, o documento é pensado para ser usado em conjunto com o livro The Art of Magic: The Gathering — Dominaria, um artbook que descreve o cenário em maiores detalhes sem nenhum tipo de regra associada. Mas da mesma forma que os documentos anteriores, o artbook não é realmente necessário para utilizar o documento disponibilizado.
 
Para quem não conhece, Dominaria é o cenário base de Magic ao menos até sua 5ª edição, assim como de ao menos 27 expansões do jogo. É o local de origem de personagens como Urza, Gerard Capashen, Karn, Teferi, e tantos outros. Por ser um cenário tão rico e complexo, Plane Shift: Dominaria acabou sendo um pouco decepcionante, cobrindo apenas uma pequena parte do cenário sem se aprofundar muito em sua história.
 
Plane Shift: Dominaria descreve apenas o continente de Aerona, detalhando apenas 7 elementos da região, entre locais e organizações. Há dicas para a condução de campanhas no cenário e várias tabelas para auxiliar o mestre, descrições dos papéis das classes no cenário, regras para novas raças disponíveis para os personagens dos jogadores, mas ainda assim é um documento curto (apenas 24 páginas) que deixa um impressão de superficialidade extrema ao descrever aquele que é provavelmente o cenário mais extenso de Magic: The Gathering.
 
Na introdução, o autor James Wyatt explica um pouco das razões que levaram o documento a ser como é, mas para mim fica claro que a principal razão é o tempo e esforço que estão sendo gastos no desenvolvimento do Guildmasters’ Guide to Ravnica.

Bem, com os cenários de Magic entrando oficialmente para a lista de cenários oficias de D&D, espero que no futuro Dominaria ganhe uma abordagem mais digna de sua importância e complexidade.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Guildmasters’ Guide to Ravnica - O Primeiro Cenário Oficial de Magic Publicado Para o D&D!

No mesmo anúncio de ontem que divulgou o retorno de Eberron ao D&D, também foi anunciado a chegada de um novo cenário ao RPG primordial: Ravnica!

Mais Magic: The Gathering para o D&D!

Guildmasters’ Guide to Ravnica é, ao contrário do suplemento de Eberron anunciado junto, este sim, um livro físico, e já está disponível em pré-venda na Amazon. De fato, a notícia deste livro já havia "vazado" desde domingo, quando a Amazon botou no ar a página da pré-venda ("vazado" entre aspas, porque é extremamente comum a Amazon botar a página de venda dos livros de D&D no ar antes do anúncio oficial da WotC - parece mais uma estratégia do que um erro).

O livro trará a descrição do cenário de Ravnica, tornando-se assim o primeiro livro físico publicado a oficialmente adaptar um dos mundos de Magic: The Gathering para o D&D. Se considerarmos os Plane Shift, Ravnica será o 6º cenário de Magic adaptado ao D&D, depois de Innistrad, Zendikar, Kaladesh, Amonkhet e Ixalan, mas o primeiro a receber uma descrição completa e detalhada, como um cenário oficial "de verdade".

Apesar de achar muito legal ver que a Wizards of the Coast realmente decidiu levar a sério a adaptação dos cenários de Magic para o D&D, confesso que fiquei um pouco surpreso com a escolha de Ravnica como a primeira opção para uma publicação desse tipo.

O.K., eu entendo que Ravnica é um cenário relativamente popular dentre os jogadores do card game, que ele possui uma história interessante, e que o cenário retornará na próxima coleção de cartas que será lançada em breve.

Mas ao mesmo tempo, tratando-se de um cenário com grande potencial para aventuras urbanas, apresentando certo nível de tecnologia mágica, e com múltiplas guildas disputando entre si, já existe no D&D Eberron (ainda que Ravnica seja um cenário consideravelmente mais urbano). O fato de Eberron ter sido anunciado conjuntamente a ele só deixa a escolha por Ravnica ainda mais estranha. Em minha opinião são cenários que meio que ocupam o mesmo nicho.

Fora o fato de ser meio frustrante (ao menos para mim) o primeiro cenário de Magic publicado para o D&D não ser Dominaria. Eu realmente esperava que esse cenário ganhasse uma adaptação oficial para o D&D, e a recente publicação da coleção de cartas de mesmo nome dava uma grande esperança ao fato. Mas eu também entendo que Dominaria é possivelmente o cenário com a história mais longa e complexa do Magic: The Gathering e isso talvez não torne-o a primeira escolha para ser adaptado.

Mas nada disso desabona o cenário escolhido ou o anúncio da publicação. Fico aguardando ansiosamente às informações sobre o conteúdo do livro e aos previews, principalmente em como e se a dinâmica das cores de mana será integrada ao cenário e ao sistema do D&D 5ªed.

Guildmasters’ Guide to Ravnica tem data de lançamento prevista para 20 e Novembro e está sendo vendido ao preço de US$ 49,95 na pré-venda.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Wayfinder’s Guide to Eberron Para D&D 5ªed

A Wizards of the Coast anunciou hoje o lançamento do cenário de Eberron para a 5ª edição do D&D!

Trata-se do Wayfinder’s Guide to Eberron, um livro de 175 páginas disponível apenas em PDF, e que já pode ser adquirido através da Dungeon Master's Guild. O PDF custa US$ 19,99 e por enquanto não há previsão para uma versão física do livro..

A capa do PDF trazendo alguns elementos clássicos do cenário.

O livro faz uma breve explanação sobre o cenário como um todo, descreve Khorvaire e Sharn, as raças do cenário, traz informações sobre as dragonmarks e novos itens mágicos.

No entanto, não deixa de ser um formato de publicação curioso para um cenário do D&D: além de estar disponível apenas em PDF, trata-se de uma espécie de documento de playtest. Nada desse conteúdo pode ser utilizado oficialmente na Adventurers League, o documento provavelmente será expandido ao longo do tempo, e o principal objetivo desse documento é coletar feedback dos jogadores para ampliar, revisar e modificar o material nele contido.

A ideia é provavelmente refinar o material, reeditar e lançar um livro físico do cenário em um futuro próximo - isso, claro, dependendo do retorno do público que for percebido em relação ao cenário.

A melhor parte desse lançamento "adiantado" do cenário é que os membros da Dungeon Master's Guild podem utilizá-lo como ponto de partida para produzir e publicar material de Eberron na plataforma.

Fico curioso apenas com qual será o futuro desse PDF se e quando um livro oficial de Eberron for publicado fisicamente para a 5ªed.

domingo, 8 de abril de 2018

Plane Shift: Ixalan - Quinto Cenário de Magic: The Gathering Para D&D 5ªed!

E a série Plane Shift da Wizard of the Coast chega à sua quinta edição, desta vez trazendo a descrição do mundo de Ixalan. 

Plane Shift: Ixalan é um documento em PDF liberado gratuitamente pela Wizards of the Coast detalhando alguns elementos do cenário para as regras da atual edição do D&D.
 
Assim como os demais cenários já adaptados do mundo de Magic, o documento é pensado para ser usado em conjunto com o livro The Art of Magic: The Gathering — Ixalan, um artbook que descreve o cenário em maiores detalhes sem nenhum tipo de regra associada. Mas da mesma forma que os documentos anteriores, o artbook não é realmente necessário para utilizar o documento disponibilizado.
 
Em Plane Shift: Ixalan temos uma breve descrição do cenário (que inclui até um mapa!), dicas para a condução de campanhas no cenário, muitas tabelas para auxiliar o mestre (contando com tabelas de tesouros), descrições dos papéis das classes no cenário, regras para novas raças disponíveis para os personagens dos jogadores, e um breve bestiário de 15 páginas (com foco especial em dinossauros). Este também é o maior documento na série até agora, com um total de 47 páginas, e inclui em seu final um apêndice com regras para adaptar a relação dos personagens com uma das cores de mana dos mundos de Magic: The Gathering.
 
Ixalan é o cenário onde se passa a história contada no dito "bloco Ixalan" do card game Magic: The Gathering (composto pelas coleções Ixalan, lançada em Setembro de 2017, e Rivals of Ixalan, lançada em Janeiro de 2018 - a coleção Explorers of Ixalan, de Novembro de 2017 também se passa nesse cenário, mas não é considerada parte do bloco).
 
É um cenário bastante interessante, uma terra de florestas tropicais povoadas de dinossauros que mistura um império pré-colombiano, tribos de tritões xamanistas, uma legião de conquistadores formada de paladinos vampiros, e uma coalizão de piratas. Eu diria que é quase algo como Tomb of Annihilation encontra Thordezilhas.

Há também uma aventura para  o cenário, chamada X Marks the Spot, e que pode ser baixada gratuitamente na página da DM's Guild.

É bom ver que a WotC está levando a sério essa ideia de adaptar os cenários de Magic para o D&D, ainda que de uma forma bastante simplificada. Com a nova coleção do card game vindo à tona esse mês, cresce minha esperança de ver finalmente uma adaptação de Dominária para o D&D!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O Retorno do Desafio dos Bandeirantes... Para D&D 5ªed!?!

Um dos primeiros RPGs 100% nacional (não só em autoria, mas também em temática), O Desafio dos Bandeirantes, completou 25 anos. E em meio às comemorações de aniversário foi publicado este vídeo:


De fato, o primeiro anúncio foi feito antes disso, no evento de comemoração dos 25 anos do jogo organizado pela RedeRPG (clica no link e assiste ao vídeo original do anúncio da nova edição!).

Ou seja: teremos uma nova edição de O Desafio dos Bandeirantes publicado pela Editora New Order, e o jogo será adaptado como um cenário para a 5ªed do D&D com o auxílio de Mike Mulvihill, designer de Shadowrun e Heroclix.

Claro que há um pequeno porém nesse anúncio: como fica a publicação de um cenário para o D&D 5ªed no Brasil, considerando que provavelmente não teremos os livros básicos do D&D 5ªed no Brasil tão cedo?

Pois bem, foi isso que eu perguntei ao pessoal da New Order no Facebook, e a resposta que eu tive foi a seguinte:

"Sair para a 5a edição foi escolha dos autores, adianto que não iremos publicar D&D. Estamos conversando a possibilidade de adaptação para outros sistemas. Acredito que teremos novidades. logo logo."

Ou seja: tudo indica que teremos uma nova edição de O Desafio dos Bandeirantes publicado no Brasil pela Editora New Order sim! Tudo indica também que haverá uma adaptação de O Desafio dos Bandeirantes, feita por um gringo experiente no assunto, para a edição atual do D&D sim! Mas tudo indica que estas duas edições não serão a mesma.

Fiquemos ligados para mais novidades a esse respeito a qualquer momento.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

D&D Icons of the Realms: Classic Creatures Box Set

A WizKids anunciou para Novembro o lançamento da D&D Icons of the Realms: Classic Creatures Box Set, um coleção de miniaturas pré-pintadas inspiradas na primeira edição do AD&D.

A coleção completa.

A coleção virá numa caixa na qual será possível visualizar as miniaturas, e deverá custar US$ 79,90. A coleção é composta de 9 miniaturas de monstros clássicos do D&D: um ogro (com estilo oriental, que se parece mais com um ogro mago), um troll (em estilo mais clássico, sem aquele nariz caído estranho), um sahuagin e um sahuagin místico, um orc e um orc arqueiro (e, pasmem, são orcs com focinho de porco!), um urso-coruja (porque todas as crianças legais amam ursos-coruja!), um verme púrpura bastante fiel às primeiras ilustrações dessa criatura, com o corpo de "bolinhas"), e nada mais nada menos do que o terrível Demogorgon (com cerca de 10cm de altura)!

Duvidou que era um orc focinho de porco?

Além disso, alguns felizardos que comprarem a Classic Creatures Box Set serão escolhidos para receber um brinde gratuito: um Demogorgon de 5cm de altura (o mesmo tamanho da miniatura do Demogorgon mostrado na série Stranger Things). Não ficou muito claro ainda como serão escolhidos quem receberá o brinde, mas ele será distribuído apenas enquanto durarem os estoques.

Demogorgon... isso é golpe baixo! Vou precisar de um desses!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Miniaturas e Boardgames de Tomb of Annihilation

Como já virou padrão, a nova aventura do D&D 5ªed, Tomb of Annihilation, se estenderá por outros produtos da franquia D&D, como miniaturas e boardgames.

A WizKids lançará em Agosto o Dungeons & Dragons Tomb of Annihilation Board Game, um boardgame ao estilo dos Castle Ravenloft Board Game e Wrath of Ashardalon Board Game. O novo jogo estará disponível na versão standard, e na versão premium - a qual inclui miniaturas pré-pintadas.

Mock-up do Dungeons & Dragons Tomb of Annihilation Board Game

A arte de divulgação do jogo mostra miniaturas de Acererak, um gárgula de 4 braços, e o famoso juggernaut de The Tomb of Horrors em formato de elefante. Se sabemos alguma coisa dos lançamentos anteriores da WizKids é que as miniaturas dos boardgames costumam ser as mesmas lançadas para o RPG, portanto esperem ver essas miniaturas disponíveis na próxima coleção de Icons of the Realms.

Um pequeno preview das novas miniaturas pré-pintadas.

E falando nas miniaturas, a coleção Icons of the Realms Miniatures: Tomb of Annihilation será lançada em 26 de Julho, sendo composta por 44 miniaturas pré-pintadas, incluindo - pelo que já foi dito e que dá para ver nas imagens divulgadas até o momento - o lich Acererak, uma versão "invisível" do lich, um aarakocra, um couatl (serpente emplumada), dinossauros, modrons, pterafolk (homens-pterodonte), homens-caranguejo, batiri (um tipo de goblin da selva que usa máscara), e um yuan-ti mumificado identificado como Ras Nsi (apesar de que o personagem com esse nome originalmente era um "humano").

Você viu um modron ali, não viu?

O case incentive (kit especial que acompanha a caixa com 32 boosters da coleção) será o Tomb and Traps Set, que será composto entre outras coisas de tiles de armadilhas, um sarcófago, um portal preenchido de névoas, e a famosa green devil face. Estas miniaturas inclusive já estão em pré-venda em diversas lojas virtuais gringas.

 O case incentive, com uma miniatura da green devil face!

Foi comentado também que a linha Nolzur’s Marvelous Miniatures de miniaturas sem pintura também poderá trazer algumas miniaturas ligadas à nova campanha, mas sem especificar exatamente o quê.

Também foi anunciada uma expansão para o jogo Dice Masters para Setembro, o Dungeons and Dragons Dice Masters: Tomb of Annihilation, com mais de 30 novos aventureiros e monstros.

De parte da Gale Force Nine, serão lançadas várias miniaturas na Collector's Series, sua linha de miniaturas de alta qualidade sem pintura.

Ras Nsi.

Os lançamentos, previstos para Setembro, Outubro e Novembro, incluem o lich Acererak, o yuan-ti morto-vivo Ras Nsi, batiri goblins que podem ser empilhados para fazer sua "formação de totem", e um paladino montando um dinossauro. Foi comentado também que protótipos de Minsc e Boo, as verdadeiras estrelas do videogame Baldur's Gate, também estavam sendo planejados.

Os batiri, com suas máscaras características.
 
 A ideia é que as miniaturas se empilhem dessa maneira. Como vão fazer isso, eu não sei.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Xanathar's Guide to Everithing - O Próximo Suplemento Para D&D 5ªed

Após o lançamento de Tomb of Annihilation, a próxima campanha de D&D 5ªed, será a vez do próximo suplemento do jogo ver a luz do dia.

Xanathar's Guide to Everithing será um suplemento com regras complementares para jogadores e mestres. Em grande parte, o livro trará material que foi testado ao longo dos anos através da coluna Unearthed Arcana da página da WotC.

A capa comum.

Novos feats, novas magias, um método de criar backgrounds aleatoriamente para os personagens, dicas de como criar armadilhas, tesouros e aventuras, e várias outras coisas. Também haverão mais de 20 novas opções de subclasses - há quem diga que esse número será em 25, duas ou três para cada classe do jogo, com exceção do mago que deve receber apenas uma nova subclasse.

Xanathar's Guide to Everithing é escrito da mesma forma que o Volo's Guide to Monsters, como se fosse um guia escrito por um NPC famoso de Forgotten Realms. Neste caso, o NPC é Xanathar, o beholder que é o senhor do crime da guilda de ladrões da cidade de Waterdeep.

Quem conhece o personagem sabe que a única coisa que Xanathar presa é seu peixinho dourado de estimação, e com isso em mente, haverá uma edição especial limitada do livro, com a capa estampada com um par de peixinhos dourados estilizados.

E a capa da edição especial.

Xanathar's Guide to Everithing estará disponível nas lojas parceiras da WotC em 10 de Novembro e no restante dos locais a partir de 21 de Novembro, ao preço de US$ 49,95.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tomb of Annihilation - A Verdadeira Capa do Livro

A Wizards of the Coast já colocou no ar a página oficial do produto, com a capa definitiva do livro Tomb of Annihilation (essa aí ao lado).

De acordo com a sinopse nesta página, a causa das magias de ressurreição não funcionarem mais, e daqueles que foram ressuscitados estarem definhando e morrendo, é um artefato necromântico chamado Soulmonger, que está escondido em Chult (na dita tumba, podemos supor?).

Outro ponto que atraiu atenção das pessoas, mas não está descrito na página, é um modo de jogar a aventura chamado Meat Grinder ("moedor de carne"), em que o mestre joga tudo o que tem à disposição contra os jogadores para tentar matá-los o mais rapidamente possível, e os saves contra morte possuem DC 15.

Tomb of Annihilation estará disponível em capa dura nas lojas parceiras da WotC em 08 de Setembro, e no restante dos locais em 19 de Setembro, ao preço de US$ 49,95.

domingo, 4 de junho de 2017

Tomb of Annihilation: A Nova Campanha do D&D 5ªed

A nova campanha oficial para o D&D 5ªed já foi anunciada, trata-se de Tomb of Annihilation, a ser publicada em Setembro deste ano.

A possível capa da aventura.

O plot desta nova aventura leva os personagens até Chult, o continente perdido de Forgotten Realms, famoso por suas densas selvas povoadas por dinossauros. É lá que Acererak, o vilão da famosa Tomb of Horrors (e agora não mais um demilich, mas sim um archlich) se prepara para por em ação seu plano que envolve roubar as energias mágicas de feitiços de ressurreição por todo o mundo de Toril, fazendo todos aqueles que já foram ressuscitados alguma vez enfraquecerem, definharem e morrerem. E isso inclui muitos dos NPCs famosos e heróis dos Reinos.

A aventura é levemente inspirada na também famosa The Isle of Dread, de forma que os personagens desembarcam no litoral de uma ilha cujas bordas são conhecidas e mapeadas, e vão se embrenhando no interior desconhecido da selva, até encontrarem a "Tumba da Aniquilação" propriamente dita.

Fujam dos T-rex!

A selva, pelo pouco que já foi revelado, está sofrendo de uma infestação de mortos-vivos, e os personagens terão de confrontar hordas de zumbis, além de dinossauros, e ao que parece incluindo um T-rex zumbi que vomita mais zumbis! E a tumba em si, como não poderia deixar de ser para um dos lares de Acererak, é recheada de puzzles e armadilhas mortais.

Ao que parece trata-se de uma aventura bastante difícil e perigosa para os personagens jogadores, o que na minha opinião é muito legal!

O que acontece quando os animais mais comuns na região são dinossauros.

Mas ao que parece o livro não trata-se apenas da aventura em si, ele terá uma detalhada descrição da região de Chult e da colônia Amnish conhecida como Porto Nyranzaru, praticamente um gazetteer de Chult. Assim, será possível usar o cenário facilmente para outras aventuras, e até mesmo ignorar o plot principal de Tomb of Annihilation em prol de outras aventuras em Chult.


Quem se voluntaria a desbravar aquelas ruínas?

O livro parece ser bastante interessante, e bastante útil, tanto para quem utiliza Forgotten Realms como seu cenário de campanha, quanto para quem deseja apenas uma região exótica com selvas povoadas por dinossauros para incluir em seu cenário caseiro.

domingo, 26 de março de 2017

#DnDGateBR - E os Boardgames do D&D, Como Ficam?

Com toda a polêmica acerca do licenciamento do D&D 5ªed no Brasil e o congelamento da autorização para publicação por parte da Gale Force Nine, muita gente deve estar se perguntando: "Certo, não teremos os livros do D&D 5ªed por enquanto, mas isso se estende também aos boardgames do D&D?".

Pois bem, vale à pena esclarecer esse ponto para tranquilizar a todos os fãs dos boardgames, e também para não prejudicar a empresa que irá trazer estes boardgames para o país.

O licenciamento dos boardgames de D&D foi negociado separadamente das licenças para a produção do RPG Dungeons & Dragons. Assim, a confusão que atingiu o licenciamento do RPG parece não afetar em nada a produção dos boardgames.

A empresa que obteve os direitos da licença dos boardgames de D&D para o Brasil é a Kronos Games, e ainda no dia que toda a polêmica veio à tona, ela publicou a seguinte declaração:

[POSICIONAMENTO OFICIAL D&D]

Olá pessoal,

Devido a recentes pronunciamentos na Internet envolvendo eventos controversos sobre D&D, muitos de vocês estão nos perguntando o nosso posicionamento. Segue abaixo as respostas para as perguntas mais frequentes:

1) Está tudo certo com o lançamento de D&D Tiranos de Underdark?
R.: Sim. Nenhum dos eventos citados envolvem os boardgames de D&D e a Kronos Games segue normalmente com o lançamento de Tiranos de Underdark.

2) Kronos, vocês sabem o que tá rolando afinal?
R.: Sim, sabemos em detalhes. Entendam que, por hora, só nos cabem as informações sobre os nossos produtos de D&D. Os demais são de responsabilidade de quem anunciá-los. Independente de lados certos e errados e da verdade ser esclarecida, todos já saímos perdendo com a imagem negativa que fica em nosso país e mercado.

3) Por acaso os livros de D&D estavam sendo negociados por vocês?
R.: Não. Por sermos parceiros dos BoardGames de D&D, naturalmente a licenciadora internacional nos ofereceu os livros. A Kronos Games declinou essa possibilidade. Embora pareça tentador, um projeto como este precisa de muita dedicação e entraria em conflito com nosso foco nos boards para 2016 e 2017.

4) Alguma empresa passou a perna em vocês?
R.: De forma alguma. Nenhuma empresa conseguiu "passar a perna" na Kronos...

5) Tem alguma coisa que vocês possam dizer para acalmar os ânimos?
R.: Apenas que todos procurem suas verdades e avaliem bem diferentes lados. Embora nós já tenhamos as nossas conclusões, todos devem ser livres para formularem as próprias de acordo com suas convicções individuais.

6) Como podemos ter certeza de que está tudo bem?
R.: Sobre os nossos títulos, o que podemos oferecer é que os profissionais que tenham interesse em participar dos nossos projetos de boards de D&D serão sempre bem vindos. Além disso nós esperamos que a situação seja apurada.

Assim, podemos tirar disso que o cronograma para o lançamento dos boardgames de D&D no Brasil não devem ser alterados pela confusão envolvendo Fire on Board, Redbox e Meeple BR.

O primeiro boardgames a ser trazido pela Kronos Games é Tiranos de Underdark, um jogo que simula a disputa dos lordes das casas drow pela supremacia do Underdark.

sábado, 25 de março de 2017

#DnDGateBR - O Alastrar da História, Boicotes, e o Posicionamento da GF9

Na quinta-feira eu postei um dossiê detalhado com o que eu havia conseguido levantar até aquele momento sobre a polêmica envolvendo a empresa que licenciaria o D&D 5ªed no Brasil. Como eu comentei ao fim daquela postagem, estava tudo no começo e muita coisa ainda poderia acontecer - e aconteceu.

Mas antes de chegar aos finalmentes, é bom postar aqui a versão de um dos lados envolvidos nessa polêmica toda e que havia me passado despercebido. Trata-se do pronunciamento no Facebook de Fábio Ribeiro (sem mudar nem os erros de grafia), o despachante e sócio da Rigo, a empresa que primeiramente fez o contato com a WotC e teve a ideia da joint venture:

Bom, já que fui citado e estão me perguntando o que aconteceu....

Minha história não difere muito daquilo já veiculado pelo Antonio Pop...

Quando, em 2015 na CCXP em SP eu, que tinha apresentado o FoB a RedBox e feito um pedido para o Pop para colocar o recém lançado jogo The Gallerist na estande da RedBox (dando oportunidade a uma empresa com um jogo recém lançado estar em um dos maiores eventos da América Latina) vi a oportunidade de trazer o D&D (através dos meus contatos com a Hasbro) resolvi então (pq não seria eu o megalomaníaco de fazer algo sem um BOM suporte) associar 3 empresas para a empreitada; Fire on Board, Meeple BR e Red Box - a F.M.R. (a apresentação das empresas e a Join Venture está inclusive em mãos da Hasbro) foi o inicio do que está sendo hoje do D&D no Brasil. Então, em determinado momento foi aberto também conversas com a GF9, o que seria uma "nova frente", já que WoC (empresa detentora da marca e subsidiária da Hasbro) estava procurando uma parceira para trazer o D&D para novas linguás, mas iria centralizar o processo através de uma licença e desta teríamos sub-licenças, após quase 1 ano de conversas, isso com visita e apresentação das empresas envolvidas em um grande evento na Alemanha (Spiel de Essen), com definições das frentes de ação na empresa FMR, com nome da "marca" da Editora, fomos "notificados" que a Fire havia "saído" da Join... motivo? - Nenhum!

Bom, o tal "nenhum" se apresentou HOJE com o lançamento das empresas parceiras internacionais feitas pela WoC e a GF9...

Mas já imaginamos que havia algo quando houve contatos após o tal email vindo da Fire no qual se "retiravam" da parceira e a resposta da GF9 dizendo que estava tratando com um "Novo" parceiro, ai, meus amigos, cabe o que aconteceu...

As provas? Temos em abundância... inclusive até pagamento de todos os envolvidos com a tradução dos livros, eramos 4 e cada empresas era responsável por 25% do que seria a Join Venture.

Ações Judiciais? Por mim já estariam protocoladas, afinal não foi um "esforço solitário", ou até mesmo "ideia da empresa X"....

Só fico triste que o nascedouro da vinda de um produto que tantos amam já está maculado.

Ao que aparenta, a Rigo também corrobora a versão da Redbox, acusando a Fire on Board de trapacear seus companheiros de joint venture. A versão apresentada pela Redbox já dava a entender, mas o depoimento do Fábio Ribeiro transparece que quando a FoB anunciou a saída do empreendimento não falou nada, aos agora concorrentes, sobre continuar a negociar sozinha com a Gale Force Nine. E possivelmente devido às cláusulas de sigilo, as demais só tiveram certeza do fato após o anúncio oficial no dia 21 de Março de 2017.

Bem, o fato é que desde o dia 23 de Março, a notícia se espalhou, não só no Brasil, mas pelo mundo todo, chegando mesmo a ter uma matéria detalhando os acontecimentos no EnWorld, um dos maiores sites sobre RPG do mundo.

Com tamanha repercussão, e praticamente sem a FoB se pronunciar ou tentar apresentar provas a seu favor, o que vemos é um crescente repúdio da comunidade RPGista se formando em relação à FoB - ainda que apareçam eventuais defensores da empresa para se pronunciar.

E o que até então eram apenas ameaças de boicote à FoB por parte dos clientes, tornou-se no primeiro boicote do mercado à FoB. A Geek 4 Everyone, loja virtual de boardgames e produtos geek em geral, postou o seguinte em sua página oficial:

[NOTA AOS CLIENTES]
Em vista dos acontecimentos, nós da Geek4everyone retiraremos a Fire on Board do nosso quadro de fornecedores. Como empresa entendemos que somos responsáveis por toda a cadeia de nossos produtos, desde o fornecedor até o cliente final, sempre com qualidade, profissionalismo e ética.


O estoque restante deste fornecedor, assim como o jogo Scythe, já foram pagos, então ainda venderemos nossas últimas unidades para não arcarmos com este prejuízo.


Agradecemos a todos os clientes pela confiança na Geek4everyone.

Com Tabuleiro MIX, Tabuleiro MIX Distribuidora, Redbox Editora, Meeple BR Jogos
#dndgatebr

Se as coisas já não estivessem ruins o suficiente para a FoB com esse boicote, e os "vomitaços" nos comentários de todas as postagens da empresa, no início da noite de 24 de Março a GF9 postou o seguinte pronunciamento em sua página oficial e site:

Gale Force Nine Comments on D&D Localizations

Gale Force Nine has been working for over a year on our plan to publish localized language versions of DUNGEONS & DRAGONS fifth edition products. Throughout the process, we met and considered many partners around the world based on the same criteria: a passion for the material and a commitment to deliver the complete plan. We wanted to offer every country the entire D&D fifth edition experience and the partners we have chosen to work with will be doing just that.

Currently, we are speaking with all parties involved in Brazil to sort out the situation. Our goal is to ensure fans can enjoy the products in their local language of choice and we are committed to supporting those fans and their community. As such our product release plans for this market are on hold until we ​fully investigate and ​hopefully resolve th​is issue. We apologize to D&D fans in Brazil for any delay this may cause but we’ll do our best to have a solution in place soon.

John-Paul Brisigotti
CEO Battlefront Group
GF9 is a wholly owned subsidiary of the Battlefront Group

Traduzindo livremente para o português:

Comentários da Gale Force Nine sobre as Licenças do D&D

A Gale Force Nine está trabalhando há mais de um ano em nossos planos para publicação internacional dos produtos da quinta edição do Dungeons & Dragons. Durante o processo, nós conhecemos e consideramos muitos parceiros ao redor do mundo baseados sempre no mesmo critério: a paixão pelo material e o compromisso para entregarem um produto completo. Nós queremos oferecer a cada país a experiência completa da quinta edição do D&D e os parceiros que já escolhemos farão exatamente isso.

No momento, estamos conversando com todos os envolvidos no Brasil para solucionarmos a situação. Nosso objetivo é garantir que os fãs irão aproveitar o produto em suas línguas nativas e estamos comprometidos a dar suporte a estes fãs e suas comunidades. Com isso, nossos planos de lançamento no país estão congelados até nós investigarmos e, com sorte, resolvermos esse problema. Nós nos desculpamos com os fãs de D&D no Brasil por qualquer atraso que isso possa causar, mas faremos o melhor para que uma solução seja encontrada logo.

John-Paul Brisigotti
Diretor Executivo da Battlefront Group
GF9 é uma subsidiaria pertencente ao Battlefront Group

Ou seja, a GF9 suspendeu a publicação do D&D 5ªed no Brasil até segunda ordem, enquanto analisa a situação e procura uma maneira de resolver o problema. Sinceramente, essa era a única coisa sensata a fazer do ponto de vista da GF9 e WotC. Não só as acusações que recaem sobre a FoB depõem contra sua capacidade de entregar o produto como previsto em contrato (afinal, as provas de capacidade técnica da tradução não foram realizadas pela equipe da empresa), como a repercussão negativa é um péssimo marketing para o produto. E afinal, a própria WotC afirma em seu comunicado a respeito das publicações internacionais do D&D que a qualidade, a consistência, o cuidado e o apoio da comunidade ao D&D 5ªed são importantes para garantir a popularidade do jogo nos mercados de língua não-inglesa.

Após isso, com o anúncio da GF9 já tendo se espalhado, a Fire on Board decidiu então realizar um pronunciamento a respeito em seu site e na página oficial do Facebook:

Continuamos seguros com a parceria e compromisso mantidos com a Gale Force Nine, visto que sempre tivemos transparência em nossas negociações. Estamos confiantes que conseguiremos evoluir em nossos processos e que o cronograma de lançamento do D&D será implementado com sucesso no Brasil.

João Barcelos
CEO Fire on Board Jogos


No entanto, o pronunciamento que deveria ter a intenção de tranquilizar a clientela acabou saindo pela culatra quando no meio de diversos comentários negativos atacando a empresa, apareceu um comentário da própria empresa alegando ser um consumidor e fazendo um comentário favorável à FoB.

O comentário, obviamente, foi logo apagado, mas alguém já havia tirado um print da tela nesse momento, e a situação toda acabou virando um meme instantâneo.

 
Infelizmente, não consegui encontrar o print original, apenas o meme

A situação ainda tentou ser explicada, quando alguém de nome Leonardo Vicentini, que disse programar o site cuidar da conta do Facebook da empresa, assumiu a responsabilidade pelo erro, e disse que queria deixar seu apoio através de sua conta pessoal.

Em defesa da FoB, eu tenho de dizer que aparentemente o Facebook tem uma função que faz com que o administrador de uma página de empresa automaticamente logue com com o perfil desta, e pode ser o que de fato ocorreu.

De qualquer maneira, a explicação não foi muito bem aceita pela comunidade, que alegou que o apoio de alguém que trabalha para a empresa não seria legítimo, e toda essa situação só complicou mais a relação da FoB com os clientes.

Então, no momento nós só sabemos que a situação está sendo acompanhada pela GF9 e que os envolvidos procuram uma solução. Torcemos para que haja um desfecho em breve para toda essa história.

quinta-feira, 23 de março de 2017

#DnDGateBR - A Polêmica do Lançamento do D&D 5ªed no Brasil

Dia 21 de Março de 2017 tinha tudo para ter sido um dia de grande alegria, afinal, naquela terça-feira foi anunciado que a 5ª edição do D&D seria lançada em outras línguas que não o inglês. Mais do que isso: haveria uma edição brasileira do jogo, publicado pela empresa Fire on Board.

Apesar do anúncio ter sido realizado mundialmente pela própria Wizards of the Coast, pela Gale Force Nine (a empresa que ficou responsável pelo licenciamento da marca D&D para os países de língua não-inglesa), e nacionalmente pela própria Fire on Board, eu nem tive ânimo de divulgar a notícia por aqui. Tudo porque a boa notícia foi eclipsada por uma informação muito mais bombástica...

Logo após o anúncio da Fire on Board, começaram a surgir acusações de que a empresa em questão havia "passado a perna" em parceiros e  tomado a licença do D&D para si. As empresas que haveriam sido trapaceadas teriam sido a Redbox Editora e a Meeple BR, além de Fábio Ribeiro, que haveria atuado como despachante para as empresas.

Foto tirada na casa do Antonio Pop, em Niterói, no dia 05 de Maio de 2016, no que teria sido a reunião dos possíveis sócios. Da esquerda para direita: Yure (FoB), Aline (FoB), Antonio Pop (RBX), Fabiana (RBX), Fabio Ribeiro, João Barcelos (FoB), Fabiano Neme (RBX) e Diego (Meeple BR).


E porquê isso me desanimou a divulgar a publicação do D&D 5ªed em português, você pergunta? Simples: porque se fosse verdade, provavelmente significaria que a Fire on Board nunca consiga publicar o D&D e que o anúncio da licença foi um ato em vão.

Enfim, as empresas trocaram acusações e publicaram esclarecimentos através do Facebook, e para tornar a história mais clara para todos, reproduzirei aqui estas postagens na íntegra (vou reproduzir os textos, ao invés de colar prints).

Para começar, é bom analisarmos a primeira postagem que traz o caso à tona - a denúncia de Antonio Pop, da Redbox, sobre a suposta "trapaça" da Fire on Board:

Se tiver paciência de ler, não curta. COMPARTILHE! Obrigado!

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FOI UM DIA ESPECIAL... aquele 28 de novembro 2015. Fábio Ribeiro, nosso despachante, havia conseguido uma brecha com a Hasbro e haveria a possibilidade de começarmos a tratar da publicação do D&D no Brasil. Para uma tarefa tão árdua, tão grande, tão pesada o Fábio cometeu o primeiro dos erros que cometeria nesta história toda, mas com certeza o mais complicado dos erros.

Formou um grupo de editoras que trabalhariam no projeto D&D, ou seja uma forma de unir editoras para conseguir a publicação do D&D no Brasil em português.

Foram convidadas para o projeto a Redbox, a Meeple BR e a Fire On Board que formariam uma nova editora, uma Joint Venture chamada FMR (com as iniciais das empresas, Fire Meeple Red) com objetivo único de publicar o D&D.

Após meses de reuniões, idas e vindas, emails respondidos, outros esquecidos, projetos formulados, formulários preenchidos, estávamos muito próximos de conseguir finalmente a licença do D&D para o Brasil quando descobrimos uma informação quente. A Gale Force Nine da Inglaterra estava sublicenciando o D&D para outros idiomas com o Aval da Wizards. Havíamos descoberto o por que do processo estar parado em Seattle.

Aqui cometemos o erro 2. Vejam só:

Trocamos o Fábio, interlocutor com a Hasbro/Wizards, pelo João Barcelos da Fire On Board. Deste ponto em diante o João seria o responsável por negociar o licenciamento do D&D pela FMR. e assim foi por todo o ano de 2016 quando tivemos uma reunião em ESSEN com a Gale Force Nine.

Na reunião conhecemos toda a equipe, ficamos sabendo que iríamos ser a editora do D&D no Brasil que tudo estava certo e que teríamos que correr com a produção, tradução e etc. Estava tudo certo. Só falta o que? O contrato da Wizards conosco que estava sendo "aprovado" pela matriz e seria assinado em breve.

Com essa resposta positiva de sucesso nas mãos, partimos para a parte prática da coisa. Marcamos uma reunião com todas as empresas aqui em Niterói em novembro de 2016. Eram os últimos passos para termos o D&D em português. E eles foram dados durante um sábado de grande trabalho numa reunião que levou praticamente o dia inteiro.

Veio pela Redbox, eu e o Fabiano pela Redbox, o Diego Bianchini pela Meeple Br, o Fábio Ribeiro pela Rigo Logística e pela Fire on Board uma comitiva. João Barcelos, sua namorada Aline e o irmão da namorada do João (?!?!?) Yuri.

Várias coisas ficaram decididas. Preço, forma de trabalho, divisão das tarefas (a Redbox ficaria a cargo da parte editorial, tradução, diagramação e parte gráfica bem como a comercial), um selo para ser trabalhado e não confundir com as empresas antigas, que teríamos um blog para material não oficial, quem faria essa ou aquela coisa. Enfim, decidimos TODA a parte contratual da FMR. Sabíamos quem faria o que e quanto cada empresa teria de pagar para entrar no projeto.

Como já era novembro e o prazo era curto, começamos as traduções já na semana seguinte. Formamos um equipe de tradutores e revisores profissionais (Gabriel de Oliveira Brum, Nino Xavier Simas e Elisa Guimarães) que também eram jogadores para traduzir o Players e deixamos a coordenação da tradução na mão do Igor Moreno. Conheço poucas pessoas que manjam mais de traduções, inglês e D&D 5 ed. no Brasil (Valeu cara! Fomos sacaneados mas valeu pelo trabalho classe A)!

No entanto após a formação da empresa estar combinada algumas coisas começaram a acontecer, isso acendeu a luz amarela, mas infelizmente nunca tivemos uma visão clara do que estava acontecendo...

O contrato da Wizards nunca chegava. as reuniões que o João Barcelos fazia nunca eram reportadas direito. só frases curtas e sem muito direcionamento, tipo "eles estão cansados do evento. Ficou pra semana seguinte". E coisas desse porte. A Luz amarela começava a ficar laranja.

Veio o ano novo e a promessa era de contrato assinado em janeiro!

Esperamos janeiro e a assinatura do contrato foi prorrogada mais uma vez para fevereiro.

Chegamos em fevereiro e descobrimos que a FoB já estava usando a alcunha "editora que publicará o D&D no Brasil" como forma de melhorar o seu desempenho junto aos lojistas. Interpelado por isso, João Barcelos pediu desculpas e disse que isso não se repetiria...

E não se repetiu.

No dia que receberíamos o contrato para assinar, recebemos um email vago e exageradamente pseudojurídico informando que a FoB não tinha mais interesse no projeto e se retirava do projeto D&D/FMR.

Como assim? Mas em que pé as negociações pararam? Por que vcs saíram do projeto? Nada foi esclarecido e quando procuramos a Gf9 para retomar a negociação, a bomba!

"A Fire on Board já assinou o contrato do D&D para o português. Desculpe mas não sabíamos dessa história. Passar bem."

E foi assim que soubemos que fomos sacaneados. Muito sacaneados.

Fizemos várias reuniões sobre como lidar com isso? Jogar no ventilador? Processar? Embargar o negócio? Mandar comunicação por escrito através de advogados? Temos pilhas e pilhas de provas, emails, fotos, mensagens, e até vídeos e áudios, vale a penas processar? Vamos Comunicar a Wizards e a Gale das complicações jurídicas que viram pela frente? Foram várias as sugestões do que fazer.

No fim, definimos que não iríamos atrapalhar o D&D no Brasil. Não seria justo com esse monte de jogador que anseia pelo livro e que não tem oportunidade de jogar em inglês. Não atrapalharemos nosso mercado. Não sacanearemos com ninguém.

Essas coisas pertencem a vida. À entidade que vc acredita. Seja carma, inferno, danação eterna, consciência, lado negro da força. Seja no que você acreditar.
Estas coisas voltam e elas costumam voltar em dobro! Aproveite enquanto você consegue! Seja feliz! E continue baixando a cabeça quando passar perto da gente. Pessoas que agem dessa maneira, que acreditam que "vale tudo no mundo corporativo" não costumam ir muito longe. Ou melhor elas chegam até muito longe, mas quando caem... #eikefeelings

Deve ser um orgulho danado anunciar a publicação no seu país e no seu idioma! Mais do que caminhões de dinheiro (que nós sabemos pelas contas e orçamentos que fizemos enquanto estávamos no projeto, não virá) deve dar um orgulho danado ser o portador da licença do D&D no Brasil. Mesmo que para isso você tenha de enganar outras 3 empresas, dezenas de pessoas, esmagar sonhos pessoais, realizações de infância de um monte de gente.

Enfim, pra concluir. Parabéns pro nosso mercado que voltará a ter o D&D e português. Parabéns pela Fire On Board pelo golpe de mestre. Talvez vcs entendam mais de D&D do que a gente por que rolaram um 20 no ataque pelas costas.

Pra nós, resta apagar os PVs perdidos e seguir em frente. Nos vemos no Vigésimo Nível.


Bem, é um relato longo mas que em resumo afirma que o despachante Fábio Ribeiro havia contatado a Hasbro/WotC, ainda em Novembro de 2015,  e conseguido uma brecha para negociar a licença do D&D para o português. Assim, foram convidadas as três editoras - Fire on Board, Meeple BR e Redbox - para formar uma joint venture (um termo bonito para empreendimento conjunto, uma empresa formada com fim específico) para a publicação do D&D. Nesse ponto aparentemente a Gale Force Nine (ou GF9) ainda não estava na jogada.

Aqui é bom explicar o papel da GF9 nisso tudo. A WotC decidiu em determinado momento que seria mais simples para ela licenciar as produções localizadas (isso é, em outras línguas) do D&D para uma única empresa - no caso a GF9 - e esta teria o poder de sublicenciar os produtos com empresas de outros países. A GF9 teria (e tem de fato) todo o controle de realizar os contratos de tradução e produção dos materiais do D&D em línguas não-inglesas, assim como de supervisionar essas sub-licenças.

Eu entrei em contato com a Redbox e eles reiteram que a versão deles é exatamente como foi descrita pelo Antonio Pop. E que, apesar do que foi dito inicialmente, de que não iriam tomar providencias judiciais para não atrapalhar a publicação do jogo no Brasil, após o enorme apoio da comunidade RPGista, eles mudaram de ideia e agora afirmam que irão processar a Fire on Board.

Bem, mas eram 3 empresas envolvidas, não é mesmo? Sim, e a Meeple BR também se pronunciou a respeito:

*** POSICIONAMENTO OFICIAL ***

Hoje, foi veiculado mediante um desabafo do Antonio Pop, diretor da Redbox Editora, um problema envolvendo D&D 5 edição e a FoB, Redbox e Meeple BR. Tal situação teve uma grande repercussão, e reflete bastante o momento político-cultural que vivemos no país atualmente.

Em virtude do pedido de muitos amigos e parceiros na explicação do caso, é justo nosso posicionamento: Sim, as afirmações feitas na postagem da RedBox procede a cada linha.

Durante mais de um ano, as 3 editoras (FoB, Redbox e MeepleBR) trabalharam em conjunto na missão de obter o licenciamento do D&D. Foram meses seguidos de negociações, conversas intensas, expectativas e investimentos (estes, afirmados pela própria pessoa do responsável da FoB).

A intenção enquanto conglomerado era a constituição de uma nova empresa que daria rumo ao licenciamento, que teve seus contratos redigidos, e-mails produzidos, aceites emitidos e muitos pagamentos efetuados. Cada empresa assumiu uma responsabilidade, e coube e FoB as conversas externas e marketing. Infelizmente, a FoB agiu de MÁ-FÉ, assinando o contrato do licenciamento diretamente, contrariando todas as convenções assinadas anteriormente, e ignorando todos os conceitos legais.

É nosso entendimento que uma licença de tal porte é deveras importante, gerando uma responsabilidade absurda para com seus fãs, e, por sabermos de nossa pequenez, e reconhecemos limitações, acreditávamos, na ocasião, que esta parceria fosse uma forma de juntar forças e oferecer algo novo e de qualidade.

Entendemos que transparência e confiança é algo vital para o mercado atual, tão dinâmico e em constante mudança. PORTANTO, nossa intenção aqui é deixar uma manifestação de TOTAL REPÚDIO A ATITUDES DESLEAIS promovidas pela Fire on Board, movidos pura e simplesmente pela ganância de seus sócios, da mesma forma que temos nos comportado frente a esta crise política-cultural. Não precisamos de ações que fazer apenas apequenar o mercado, pois quem paga o preço é sempre o consumidor! O mercado não precisa ser predatório e sem limites. Felizmente, também é de nosso entendimento que o mercado se auto-regula, e situações como esta não são mais aceitas pelos consumidores, ansiosos por apoiar e consumir de empresas responsáveis, éticas e preocupadas com o ambiente que está inserido.

Por fim, nos reservamos a tomar as decisões jurídicas que forem cabíveis. E seguimos confiantes em nosso simples, mas honesto, trabalho.

Meeple BR Jogos


Ou seja, a Meeple BR confirma toda a versão da Redbox.

Consegui entrar em contato com o Diego Bianchini da Meeple BR e ele disse o seguinte:

"Nós endossamos todo o pronunciamento da Redbox, através do comunicado oficial em nossa página. Podemos acrescentar que recebemos mensagens de apoio de praticamente todo o mercado, o que somos muito gratos. A era da informação é implacável com empresas irresponsáveis junto aos envolvidos (stakeholders), e atitudes como as promovidas pela FoB neste caso são extremamente danosas à imagem da empresa. Atuamos em um mercado globalizado, e dependemos de licenciamentos de fornecedores externos, conquistado com ética, transparência e prestígio, INCLUSIVE junto às demais empresas 'concorrentes'."

Ainda segundo o Diego, a ideia da joint venture partiu do Fábio Ribeiro, que atua como despachante aduaneiro e prospecta contatos fora do país para editoras - e que seria sócio nessa parceria. A ideia teria surgido na CCXP de 2015 (que ocorreu entre os dias 3 a 6 de Dezembro de 2015), e amadureceu definitivamente na Abrin de 2016 (que ocorreu entre 5 e 8 de Abril de 2016), após sequencia de reuniões na Hasbro feitas pelo Fábio.

Frente a essas acusações, João Barcelos da Fire on Board rebateu com o seguinte pronunciamento:

Como CEO da Fire on Board Jogos, venho comunicar sobre as acusações mentirosas e falsas que estão sendo propagadas à respeito da Fire on Board Jogos nas redes sociais.

Agora vou contar como realmente aconteceu.
Toda negociação, desde o princípio, foi realizada entre a Fire on Board Jogos e a Gale Force Nine, nossa parceira no projeto. Não houve nenhum intermediário, além de mim responsável pelos contratos internacionais. A parceria logo se formou e trabalhamos arduamente para tal. Ambos os lados.

Com o passar das reuniões, consideramos algumas empresas brasileiras para nos ajudar neste grande projeto. Não negamos que conversarmos com tais empresas. Conversamos sim. Pensamos em ideias, porém, como vou falar mais adiante neste texto, não foram para frente por diversos motivos, o maior: falta de confiança.

Portanto, vamos deixar claro: não houve troca de interlocutor, não houve negociações diretamente com a Wizards/Hasbro. Não houve entre a Fire on Board e as demais editoras nenhum acordo.

Foi informado em tal post que a negociação estava para se concretizar. Agora, me pergunto eu: como algo pode se concretizar antes mesmo de começar?

Tivemos uma reunião presencial em que nada se concretizou. Conversamos e cogitamos hipóteses. E, nesta oportunidade, a RedBox Editora resolveu adiantar a tradução. Depois esta tradução nos foi cobrada e pagamos através de uma transferência ao Diego Bianchini. Mas sequer recebemos, vimos, participamos etc.

Inclusive sentimos muito aos tradutores que se esforçaram para entregar um bom trabalho, que apesar de não termos visto, temos certeza que deve ter ficado muito bom devido às pessoas envolvidas.

Com o passar do tempo, houve vários empecilhos que nos provaram que não seria viável começar uma possível parceria com as demais empresas. Poderia citar e provar vários fatos que acontecerem prejudiciais a Fire on Board Jogos e a vinda do D&D. A maioria relacionada à falta de confiança e desentendimentos. Como estávamos desde o início trabalhando com a Gale por conta própria, decidimos não começar nada com tais empresas e focar no trabalho que já estávamos fazendo.

Avisamos a tais empresas a tempo que não queríamos iniciar nenhum tipo de acordo com elas.

Trabalhamos muito, mas muito mesmo, para trazer o D&D para o Brasil. Foram vários testes de Resistência de Fortitude para evitar níveis de exaustão.

Fico muito triste por saber que isto está vindo à tona agora em um dia tão feliz para toda a comunidade de RPG e para nós. Porém, estamos felizes de saber com 100% de certeza que tomamos a decisão correta.

Não devemos nada a ninguém. Essa explicação é para nossos clientes, consumidores, fãs, seguidores e amantes de RPG e board games. Não é um ataque a nenhuma empresa, mesmo por que não precisamos disto para crescer ou aparecer.

Nunca prejudicamos ninguém e temos plena consciência de nossas atitudes e responsabilidades.

Peço que não acreditem em algo tão vazio e antiprofissional. Tenho certeza que um projeto tão maravilhoso quanto o D&D não iria para uma empresa pequena (de atitude) que fica falando de problemas pessoais pelo Facebook.

Não postamos nada relacionado a hashtag invejoso, nem nado tipo. Não somos assim e não fazemos este tipo de coisa. Novamente, estamos aqui para receber sua dúvida, opinião e demais solicitações.

Esses são os fatos.

O lançamento do D&D é uma notícia incrível. Não queríamos ter que passar por isto e nem fazer vocês passarem. Nos desculpe. Foi mesmo um erro nosso: tentar qualquer coisa com eles.

Estamos aqui para fazer um ótimo trabalho. Que o novo dragão chegue belo e glorioso ao Brasil.

Muito obrigado a todos que nos desejam sucesso.
Trabalhamos por vocês!

João Barcelos e toda equipe Fire on Board.


Resumindo, a versão da Fire on Board é de que desde o início o contrato foi negociado entre sua empresa e a GF9, e que nunca houve contato direto com a WotC/Hasbro. Eles não negam que sondaram outras empresas para uma possível joint venture, mas alegam que nada foi firmado e que após analisarem a situação desistiram desse plano.

Tentei contato com a Fire on Board, mas até o presente momento eles não retornaram. Mas o blog Módulos RPG postou ainda no dia 21 de Março o seguinte comunicado de alguém da Fire on Board:



Não posso afirmar com certeza, pois não encontrei a versão original dessa postagem no Facebook (a razão de colar o print), mas acredito que isso tenha sido publicado antes do comunicado oficial da Fire on Board que reproduzi acima.

Até esse momento, o que tínhamos eram apenas acusações e contra-acusações. Ninguém havia apresentado provas de nada do que se afirmou. Ainda assim, o caso tomou repercussão nacional, e mesmo internacional:

O EnWorld é um dos maiores sites de RPG do mundo (se não o maior) e em seu fórum alguém postou sobre o assunto dizendo que a WotC deveria ficar sabendo, ao que o moderador do fórum respondeu "A WotC sabe."

Na ânsia da comunidade, tanto os que apoiavam um lado quanto o outro - por provas, Fabiano Neme, sócio e diretor jurídico da Redbox fez uma postagem em seu blog Nemenomicon onde não só resumia os acontecimentos como também copiava dezenas de prints de conversas entre os sócios das empresas.

Entre as informações replicadas por fabiano Neme está o e-mail da Aline comunicando o corte das relações da Fire on Board com as outras empresas, enviado em  15 de Fevereiro de 2017:

Olá, Boa noite.

Por motivos estratégicos e logísticos, além da ocorrência de alguns fatos que vão de encontro com a filosofia ética da empresa, a Fire on Board Jogos não poderá dar sequência ao projeto ventilado/fantasiado na reunião feita, restando prejudicada, pois, todas as tratativas ali idealizadas para a formalização deste projeto.

Decidimos formalizar isso por e-mail para ficar esclarecido para todos, que estão recebendo este e-mail, todos juntos.

Estamos abertos a conversa. Entretanto, nossa decisão é certa, e não pretendemos retroceder.

Respeitosamente,

Fire on Board Jogos


Ou seja, em meados de Fevereiro a Fire on Board desistiu da joint venture. Mas pelo que é dito nesse e-mail não fica claro se informaram aos demais parceiros que continuavam negociando com a GF9.

Por razões óbvias não vou reproduzir todos os prints aqui, o que seria desnecessário. Mas talvez alguns sejam interessantes para jogar alguma luz sobre o assunto.



Estes 2 prints de conversa deixam transparecer que todos os envolvidos tratavam a empreitada como uma empresa, incluindo o representante da Fire on Board. Este, inclusive, chega a utilizar o termo "a empresa" para se dirigir ao projeto sendo desenvolvido. Claramente havia divisão de tarefas e coordenação dos trabalhos dentro do grupo formado pelos sócios.


Esses print de conversa vai além, e demonstra que não só os envolvidos concordaram com a formação da empresa, como um contrato chegou a ser redigido.

Além disso, a tradução do Player's Handbook chegou a ser realizada pela equipe contratada e supervisionada pelo Fabiano Neme, que tinha o Igor Moreno como diretor de tradução.



As conversas acima mostram que a tradução organizada pela equipe da Redbox também teria sido enviada para a GF9 como prova da capacidade da empresa de realizar o projeto, a pedido da própria GF9. Tal tradução só foi possível porque a Fire on Board, que estava responsável por fazer a ponte com a GF9 repassou à equipe da Redbox os arquivos abertos originais do D&D, como foi demonstrado pela Redbox em uma resposta oficial à Fire on Board no dia de hoje:




Se as empresas não trabalhavam juntas, por quê a Fire on Board liberou os arquivos para a Redbox? Como foi dito pela Redbox em sua resposta às acusações de calúnia, isso seria uma quebra contratual grave com a GF9:

Parando para pensar… Se por acaso a tradução foi uma escolha unilateral da Redbox, e se a Fire On Board nunca trabalhou em conjunto com a Redbox e a Meeple BR para o lançamento do D&D no Brasil, como a Redbox teria os arquivos abertos do Players Handbook?

E dizemos mais… seguindo a linha de raciocínio da Fire On Board, se ela nunca teve absolutamente nada relacionado conosco, por que compartilhou os arquivos do D&D com terceiros?  Isso é uma GRAVÍSSIMA ofensa a qualquer contrato de licenciamento…

Analisando as versões das histórias, o que de cara mais me chamou a atenção é que as versões da Redbox/Meeple BR e Fire on Board se iniciam em momentos distintos. Uma alega que tudo começou com uma negociação diretamente com a WotC em 2015 (versão Redbox/Meeple BR), e outra que a negociação sempre se deu com a GF9 desde o início (versão Fire on Board).

Cópias de e-mails publicados hoje tanto pela Redbox quanto pelo site Jovem Nerd corroboram a versão da Redbox/Meeple BR:


De acordo com esses e-mails, não só os primeiros contatos foram com a WotC - ainda em 2015 - como foram realizados através do despachante Fábio Ribeiro, e não da Fire on Board.





Foi inclusive formatado documentos apresentando as 4 empresas (as 3 editoras mais o despachante) para a WotC (note os 4 logotipos no cabeçalho do documento). A ideia da apresentação dos 4 parceiros parece mesmo ter sido levada ao grupo pela Fire on Board. Isso era por volta de Janeiro e Março de 2016, de acordo com as datas de e-mail - e as negociações aparentemente ainda eram feitas com a WotC.

Não fica muito claro em que momento a WotC mudou de ideia e a GF9 entrou na história, mas parece ser após Março de 2016. É possível, e mesmo provável pelo que mostram os e-mails, que a partir desse ponto a Fire on Board tenha assumido toda a negociação com o licenciador. O que corroboraria a versão da empresa de que apenas ela sempre negociou com a GF9 - o que não é o mesmo que dizer que apenas ela sempre negociou a licença do D&D para o português desde o início.

De qualquer maneira, nesse ponto o projeto da joint venture já existia, e seguiu existindo até mesmo com refinamentos do contrato sendo redigidos e abertura dos trâmites para registro da FRM (nome que teria a joint venture, formado pelas iniciais das 3 editoras):




 

Notem que isso já é entre Novembro e Dezembro de 2016. Quando tudo indica que a GF9 já estava cuidando do licenciamento a meses.

Mas em um ponto a Fire on Board aparentemente tem razão em suas alegações - eles parecem nunca ter assinado o contrato:





A respeito disso, segundo o Jovem Nerd, a Redbox alegou o seguinte:

"Desde o início, antes de descobrirmos que a GF9 estava sublicenciando o D&D para outros idiomas, sempre estivemos ligados no intuito de formar uma joint venture para negociar o D&D. O Contrato da joint venture não foi assinado pela FoB por que eles se recusaram a assinar alegando problemas pessoais, mesmo tendo tudo isso sido combinado, aprovado e concordado na nossa reunião de novembro de 2016."

Não só isso, em dado momento parece mesmo que a Fire on Board tentou introduzir alguém estranho às empresas para firmar o contrato em seu lugar - o que na prática serviria para formar a joint venture, mas poderia vir a isentar a Fire on Board de qualquer participação, já que a pessoa não teria relações com a editora e não poderia responder juridicamente por ela:



No entanto, uma coisa precisa ser esclarecida: mesmo que nada tenha sido assinado, um contrato verbal entre duas partes ainda é um contrato juridicamente válido. Se em qualquer momento a Fire on Board fez os demais envolvidos acreditarem que um contrato de joint venture foi firmado, mesmo sem assinatura e registro esse contrato poderia ser considerado válido.

Ainda segundo o Jovem Nerd, a Fire on Board apenas continua reafirmando sua posição de que  chegou a conversar com outras empresas mas nunca decidiram por iniciar algo com estas, tendo desde o início começado as negociações coma GF9 e montando uma equipe de trabalho para o D&D dentro de sua própria empresa:

"Não queremos nos adentrar em polêmicas, pois queremos ser concisos com a verdade. A Fire on Board Jogos sempre foi a empresa brasileira parceira da Gale Force Nine neste grande projeto de trazer o D&D para o Brasil. A parceria é (e foi) firmada entre Fire on Board Jogos e Gale Force Nine, apenas. Estamos trabalhando junto a ela desde o princípio. Dentro da Fire on Board, montamos uma equipe exclusiva para trabalhar com o D&D. Em certo momento, conversamos sim com algumas empresas brasileiras, mas optamos por não iniciar nada com as mesmas."

Ainda é cedo para saber como tudo isso vai se desenrolar, e me parece que muita informação pode vir à tona e muita coisa ainda pode acontecer. Continuaremos acompanhando o caso por aqui, e postando qualquer novidade relevante.
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