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sexta-feira, 31 de março de 2017

Anunciado Elric de Melniboné - Livro Dois (Apêndice N)

A Editora Évora, através de seu selo Generale, anunciou o lançamento do segundo volume da saga do Lobo Branco. Preguiçosamente intitulado Elric de Melniboné - Livro Dois, continua a história do príncipe albino após os fatos narrados no primeiro livro da série, também lançado pela Generale.

Na verdade, a razão do título tão sem graça é que esse segundo volume terá 345 páginas e trará o texto de dois livros da série: O Navegante nos Mares do Destino e O Destino do Lobo Branco. Segundo a editora, o autor Michael Moorcock não quis dar um novo título a esse volume que junta dois de seus livros.

O livro estará disponível a partir de Maio (ele pode ser adquirido agora no site da editora, mas o prazo de entrega é de 30 dias, ou seja, em Maio).

Para mim é uma excelente notícia que a Generale não tenha desistido de publicar os livros da saga de Elric, mesmo com as vendas do primeiro volume não tendo atendido muito bem às expectativas. De fato, a Generale tem sido um dos selos que mais tem publicado livros de fantasia pulp no país, trazendo clássicos de Moorcock e Howard que nunca antes haviam recebido edições brasileiras, para o deleite dos fãs.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Parabéns Professor Tolkien!

No dia 03 de Janeiro de 1892 nascia John Ronald Reuel Tolkien, que viria um dia a escrever O Hobbit, O Senhor dos Anéis, e criar a Terra Média.

Não é segredo para ninguém que sou um fã das obras do Professor Tolkien. Por isso, em homenagem ao aniversário de 125 anos deste grande escritor, vou postar aqui algumas fotos dos primeiros livros dele que li - a trilogia O Senhor dos Anéis.

A trilogia completa.

Na verdade entre estes livros não está o primeiro livro de Tolkien que eu realmente li - esse foi um exemplar de A Sociedade do Anel que pertencia a meu irmão, de uma edição bem mais recente.

Mas logo em seguida, eu consegui encontrar estes 3 livros de uma edição razoavelmente antiga da editora Europa América, e continuei lendo a partir deles.

Os livros já eram antigos quando comprei, e depois disso sofreram um pouco mais ao longo do tempo.

A contracapa traz uma breve biografia de Tolkien.

Na verdade, eu tive de reler o primeiro volume antes de continuar com a história, já que estas são edições portuguesas, e alguns nomes diferem da tradução nacional.

Acho as capas desses livros muito legais, melhores que as edições da época em que os comprei.

Tudo isso vários anos antes dos filmes de O Senhor dos Anéis serem lançados. Nessa época os livros de Tolkien não eram muito famosos por aqui, e devido a isso eram um pouco difíceis de encontrar. Tive sorte de encontrar estes 3 em uma famosa feira dominical aqui da cidade, e por um preço bem camarada: R$ 30,00 pelo conjunto completo.

Os apêndices desse livro são quase mais interessantes que o restante da obra.

Ainda hoje lembro da sensação de ler esta obra pela primeira vez; o deslumbramento com os detalhes, o senso de realidade atingido por Tolkien e nunca mais encontrado em nenhuma obra de fantasia.

Obrigado Professor Tolkien!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Direto do Túnel do Tempo: Minha Primeira Espada Quebrada

A alguns dias atrás passei pela Biblioteca Pública do Paraná, um local que já fazia tempo que eu não visitava. Vocês sabem como é, trabalho, família, afazeres, você acaba não visitando mais os lugares que gosta com tanta frequência.

Pois bem. Eis que, visitando as salas da biblioteca, olhando pelas prateleiras, eu me deparei com um exemplar de A Espada Quebrada, de Poul Anderson. Mas não tratava-se de um exemplar qualquer, era exatamente o mesmo exemplar que eu li a 16 ou 17 anos atrás!

O exemplar velho e surrado de A Espada Quebrada.

Reconheci o livro na hora. Ele ainda tem a mesma capa verde, que já não era a original. A mesma fita preta na lombada, e a mesma etiqueta datilografada com o título e o nome do autor. É uma pena que o exemplar esteja tão deteriorado, mas ao menos isso provavelmente indica que muita gente deve tê-lo lido nesse meio tempo.

 Um close da etiqueta. Isso foi digitado numa máquina de escrever!

Foi nesse volume que li pela primeira vez A Espada Quebrada, um dos raros livros do Apêndice N traduzidos em português. Na época, eu nem sabia da existência do Apêndice N, quem era Poul Anderson, nem do que se tratava o livro exatamente. Topei com o livro na estante de "livros sugeridos" da biblioteca, me interessei pelo título, li a sinopse e levei ele pra casa. Agradeço a Deus até hoje por isso. O livro é fantástico.

Fiquei bastante contente de reencontrar esse livro lá na biblioteca. Um pequeno e bom momento de nostalgia. Quem sabe mais pessoas o encontrem sem querer e tornem-se fãs da literatura de fantasia de autores mais antigos como Anderson e Vance.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Apêndice N: Tales of the Dying Earth

A essa altura todos já sabem do que se trata o Apêndice N, a famosa lista de inspiração literária de Gary Gygax para o AD&D. Infelizmente, várias das obras ali citadas são impossíveis ou muito difíceis de se encontrar em língua portuguesa no Brasil.

Sendo assim, eu aproveitei minha visita à Blackwell's Bookstore para adquirir algum desses livros tão difíceis de se encontrar pelas bandas de cá.

Acabei escolhendo adquirir a coletânea Tales of the Dying Earth, de Jack Vance. Como eu já comentei por aqui mais de uma vez, Vance é um autor de cujo trabalho eu gosto muito, tanto de suas obras de fantasia quanto das de ficção científica (se é que é possível separá-las assim).

O belo tomo de mais de 740 páginas.

O livro em questão é um volume da coleção Fantasy Masterworks, o 4º da série, que traz em um único volume os quatro livros escritos por Vance que compõem a série sobre a Dying Earth, uma Terra do futuro que existe sob um Sol moribundo, onde magia e tecnologia se misturam em um mundo pós-apocalíptico quase medieval que subsiste em meio às ruínas da civilização.

Os quatro livros que formam esse volume único são:

- The Dying Earth
- The Eyes of the Overworld
- Cugel's Saga
- Rhialto the Marvellous

Na verdade, dois destes livros eu já possuía em volumes separados. Mas como não foi possível encontrar os outros dois em separados, optei por adquirir a coletânea completa mesmo. Agora é correr com a fila de leitura para ler essa maravilha!

A título de curiosidade, deixo registrado aqui que esse livro não existia na loja da Blackwell's em Oxford, onde o adquiri. Eu tive de ir lá e pedir para que eles trouxessem de outra loja para a cidade onde eu estava. Em apenas 2 dias o livro chegou e eu fui avisado por e-mail de que o livro poderia ser retirado.

Infelizmente, algumas outras obras de Fritz Leiber que eu queria estavam fora do sistema da loja e não foi possível encomendá-las da mesma maneira. Mas por fim eu consegui esses também, mas isso já é assunto para outra postagem...

terça-feira, 15 de julho de 2014

Apêndice N: Conan – Espada & Magia

Como eu comentei em uma postagem anterior, os livros da série Conan – Espada & Magia são consideravelmente difíceis de encontrar hoje em dia. No entanto, difícil não quer dizer impossível!

ConanAgora só me falta um na coleção!

Depois de muitos anos de procura, e não muito após receber o volume 3 da série, aquele que mostrei na postagem anterior, consegui encontrar os volumes 1, 2 e 4 sendo vendidos por um mesmo vendedor no Mercado Livre. E o mais incrível, por um preço bastante justo.

Assim como o volume citado anteriormente, estes três também são trazem algumas histórias originais de Robert E. Howard, alé dos pastiches de Conan escritos por Lin Carter e L. Sprague de Camp, e versões de contos de Howard reescritas por de Camp.

Nominalmente, isso é, de acordo com a ficha técnica, os volumes 1 e 2 seriam a tradução dos livro Conan, e o volume 4 a tradução de Conan the Wanderer, ambos originalmente publicados pela Lancer Books em 1967 e 1968.

No entanto, o volume 4 traz apenas um dos contos originalmente publicado em Conan the Wanderer, sendo complementado por contos tirados de Conan of Cimmeria. Já nos volumes 1 e 2 faltam apenas dois contos do livro Conan, e trazem em seus lugares contos tirados de Conan the Freebooter, Conan of Cimmeria, e Conan the Usurper.

Com estas aquisições, a minha coleção da série Conan – Espada & Magia fica quase completa, faltando apenas o último volume, subintitulado “A Lâmina de Fogo”.

sábado, 14 de junho de 2014

Apêndice N: Zelazny e De Camp/Howard/Carter

A não muito tempo, eu fiz uma postagem mostrando alguns livros de autores do Apêndice N que eu havia adquirido. Pois bem, eis que consegui mais alguns livros de autores do dito apêndice:

livros de Roger Zelazny & Sprague de Camp (2)3 livros de Roger Zelazny, e 1 livro de L. Sprague de Camp, Robert E. Howard e Lin Carter.

Destes livros, 3 são em inglês, todos eles de autoria de Roger Zelazny, e 1 é em português, de co-autoria de Robert E. Howard, L. Sprague de Camp, e Lin Carter.

O livro em português trata-se de A Maldição da Lua Crescente, da coleção Conan – Espada e Magia:

Sprague de CampA capa está bem judiada, um pouco rasgada, mas o interior está intacto. 

A série Conan – Espada & Magia foi uma coleção publicada no Brasil em 1995 pela Editora Unicórnio Azul, um selo da Editora Mercuryo. A coleção continha 5 livros, que muito provavelmente devido a uma tiragem pequena, são razoavelmente difíceis de se encontrar hoje em dia.

A coleção traz algumas histórias originais de Robert E. Howard, criador do personagem, mas também os pastiches de Conan escritos por Lin Carter e L. Sprague de Camp, assim como algumas versões de contos de Howard reescritas por de Camp.

Basicamente, estes livros são uma tradução de uma série de livros publicados nos anos 1960 pela Lancer Books. Este em específico, de acordo com o que está em sua ficha técnica, seria uma tradução de Conan the Freebooter; no entanto, ele não traz todos os contos deste livro, e apresenta um conto de cada um dos livros Conan of Cimmeria e Conan, ambos da mesma coleção original da Lancer Books.

Este livro não é citado nominalmente no Apêndice N, mas os 3 autores o são, assim como a série de histórias de Conan como um todo. Além disso, todos os contos que compõe o livro foram escritos e publicados originalmente antes de 1974 (ano de lançamento do D&D).

Dos livros que adquiri de autoria de Roger Zelazny , um deles é citado nominalmente – Jack of Shadows (agradeço ao Rafael Beltrame pela dica):

Roger Zelazny 
Alguns dos temas comuns nas obras de Zelazny são elementos das mais diversas mitologias, imortalidade e pessoas que tornam-se deuses, e o conflito entre tecnologia e magia – todos elementos também encontrados no D&D.

Jack of Shadows gira em torno do tema do conflito entre magia e tecnologia, com um protagonista que retira seu poder mágico das sombras em um mundo onde um hemisfério fica permanentemente no escuro, e outro encara um dia perpétuo.

Roger Zelazny (1) 
Já Dilvish, the Damned é uma coletânea de contos protagonizados pelo personagem título, um meio-elfo que cavalga um cavalo demônio de metal (!!!). Apesar de publicado em 1982, 4 dos 11 contos presentes neste livro foram publicados em revistas até o ano de 1974, sendo assim, anteriores ao D&D.

Roger Zelazny (2) 
Por fim,  o terceiro livro de Zelazny que adquiri chama-se Wizard World, de 1989, mas que na verdade trata-se de uma coletânea contendo dois outros livros: Changeling (de 1980) e Madwand (de 1981). Como o nome do primeiro livro diz, a história envolve um bebê trocado (um changeling), o filho de um grande feiticeiro maligno trocado por outra criança vinda de um mundo tecnológico e colocada em seu lugar, e prossegue até ele descobrir seu imenso poder arcano, mas que ele não consegue controlar, sendo considerado por isso um “madwand”.

Bom, se eu já possuía muitas horas de leitura garantidas, agora certamente eu terei coisas para ler até meados do ano que vem!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Apêndice N: Anderson & Vance

Poucas coisas são melhores para entender os primórdios do D&D do que conhecer os livros do Apêndice N. Para aqueles que não conhecem, o Apendice N (ou mais especificamente Appendix N) é um dos apêndices ao fim do Dungeon Master Guide do AD&D 1ªed onde Gary Gygax listou algumas leituras que serviriam como fontes de inspiração para o AD&D.

Em alguns casos livros especificos são citados, em outros as obras completas do autor são indicadas. Estes livros e autores são interessantes de se ler porquê trata-se de fantasia que ainda não sofreu influência de conceitos e padrões estabelecidos pelo próprio D&D (já que são quase todas obras escritas antes de 1970). Da mesma maneira, conseguimos enxergar em muitos destes livros a origem de um ou outro conceito que viria a ser incorporado ao D&D. De uma certa maneira, o D&D cresceu à sombra destas obras.

Eu já li e possuo um certo número de livros que compõem o Apêndice N, e sempre estou atrás de outras obras destes autores. Nem todas estas obras existem traduzidas no Brasil, e algumas são bastante chatas de encontrar por aqui, mas recentemente consegui adquirir alguns livros destes em sebos aqui no Brasil:

livros de Jack Vance & Poul Anderson Alguns livros de Jack Vance e de Poul Anderson.

Os livros que adquiri são todos em inglês, e são de apenas dois dos autores citados no Apêndice N: Jack Vance e Poul Anderson.

De autoria de Poul Anderson são dois livros: The Broken Sword e Three Hearts and Three Lions.

Poul Anderson

Estes dois livros são citados nominalmente por Gygax no Apêndice N, e portanto configuram uma influência direta do D&D.

The Broken Sword, originalmente publicado em 1954, é um livro que eu já li a muitos anos em português (sim, há uma edição brasileira deste livro), mas não consegui encontrar um exemplar em português para comprar. A história roda em torno de um bebê-trocado (um changeling) envolvido na guerra entre elfos e trolls. E se você acha que George R. R. Martin é um pioneiro por incluir cenas de sexo e grande dose de violência em uma obra de fantasia, certamente é porquê você nunca leu The Broken Sword.

Já Three Hearts and Three Lions se trata de um homem moderno de nosso mundo transportado a um universo paralelo que se assemelha à Europa das lendas arturianas. Neste livro, escrito em 1953, temos um troll que é incrivelmente similar ao monstro do D&D, e dizem que é dele que vem a divisão entre Ordem e Caos nos alinhamentos (apesar de que as obras de Michael Moorcock também tem bastante influência nisso). E não sei porque a premissa do livro me faz lembrar de Caverna do Dragão…

Jack Vance é um autor do qual eu gosto muito, tanto de suas obras de fantasia quanto de sua ficção científica. De sua autoria eu adquiri a trilogia Lyonesse e Cugel’s Saga, livros os quais nenhum é citado nominalmente no Apêndice N.

Jack Vance Cugel’s Saga ao lado de The Dying Earth, que eu já possuia.

Cugel’s Saga foi escrito em 1983, e portanto nunca poderia ter aparecido no Apêndice N. Entretanto, este livro passa-se no mesmo universo de The Dying Earth e The Eyes of the Overworld, ambos citados por Gygax. Sobre a relevância desta série, basta dizer que o termo “magia vanciana”, usado para o sistema de magias do D&D, é devido à forma como a magia é descrita em The Dying Earth.

Lyonesse O primeiro livro está com a capa bastante danificada, mas por R$ 3,00 até que foi um bom negócio!

A trilogia Lyonesse, por sua vez, foi publicada na década de 1980, entre 1983 e 1989. A história se passa em uma Idade das Trevas mítica da Europa, centrada nas Elder Isles – um conjunto de ilhas fictício entre a Fraça e as Ilhas Britânicas. Ainda não li nenhum destes livros, mas é dito que há alguns termos e conceitos em comum entre Lyonesse e Dying Earth, o que sugere que pode haver alguma conexão entre os dois universos.

Certamente agora eu terei muitas horas de leitura para me entreter, e quem sabe aprender mais alguma coisa a respeito da origem do D&D no processo. Sei que inspiração para minhas aventuras de RPG é que não irá faltar!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Jack Vance – A Partida de um Grande Autor

200px-Jack_Vance_Boat_Skipper 
No dia 26 do mês passado faleceu John Holbrook Vance, aos 96 anos. Jack Vance, como era mais conhecido, foi uma grande influência para Gygax e Arneson durante a criação do D&D.

O sistema de magia do primeiro RPG do mundo é influenciado diretamente pelo modo de funcionamento da magia nos livros da série The Dying Earth, e por isso mesmo o sistema de “decorar-lançar-esquecer” as magias do D&D é chamado muitas vezes de magia vanciana, em homenagem ao autor.

planeta duplo Mas não é apenas essa a relevância de Jack Vance. De 1945 a 2009 Vance escreveu alguma coisa entre 60 e 90 livros (as fontes divergem quanto ao número), recebendo importantes prêmios dados a autores dos gêneros de Ficção Científica, Fantasia e Mistério. E estes números só tornam-se mais impressionantes quando se sabe que ele era legalmente cego desde a década de 1980.

Sendo um autor que começou a escrever nos anos 1940, seu estilo com certeza não é igual ao dos autores modernos, mas ainda assim Vance tinha um ritmo próprio que eu acho muito fácil de ler, e nunca encontrei um livro dele que não me agradou.

planeta dos dragõesJack Vance era de um tempo em que a ficção científica e a fantasia frequentemente não eram muito distintas enquanto gênero, assim muitos de seus contos de fantasia são recheados de elementos científicos, enquanto muitas de seus livros de ficção científica são histórias de fantasia genuínas.

Infelizmente, grande parte de seus livros provavelmente nunca foram publicados aqui no Brasil, mas é possível encontrar algumas excelentes obras do autor em português em sebos, e às vezes por valores tão baixos quanto R$ 4,00.

Eu sugiro a todos dar uma procurada nos sebos e comprar um livro de Vance, ao menos para conhecer. Façam isso como um tributo a este grande autor. Fique em paz, Vance!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Fontes de Inspiração: O Hobbit (J.R.R. Tolkien, 1937)

hobbit_capa_original “Em um buraco no chão vivia um hobbit...”

E assim tem início uma das histórias mais empolgantes jamais escritas. Sim, porque essa frase não só é o começo de O Hobbit, mas também de toda a saga dos Bolseiros de Bolsão, que culmina em O Senhor dos Anéis.

Esta semana, no dia 03 de Janeiro, foi o aniversário de 120 anos de J.R.R. Tolkien, e com todo o alarde sobre o trailer de sua versão cinematográfica, nada melhor do que falar sobre O Hobbit.

A história contada pode ser resumida de forma simples: o livro conta como Bilbo Bolseiro, um pacato hobbit, é colocado pelo mago Gandalf em uma jornada com um grupo de anões para recuperar a cidade anã na Montanha Solitária, tomada gerações atrás pelo dragão Smaug.

Há vários aspectos verdadeiramente interessantes nessa obra, talvez o maior deles sendo o fato de que é onde pela primeira vez nos são apresentados os hobbits (nossos conhecidos halflings). O fato de o protagonista ser referido a todo instante como um ladrão (para o que de fato ele mostra habilidade), sem que no entanto seja retratado como um bandido ou fora-da-lei também é bastante inusitado. Mas com certeza, o fato que mais chama atenção, e pelo que o livro é mais lembrado, é o encontro do anel da invisibilidade, que não passa de um acontecimento quase que secundário à trama principal, mas que futuramente (mas apenas em O Senhor dos Anéis) mostra-se como o fato mais importante de toda aquela história.

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Mas o que mais me atrai em O Hobbit é com certeza o aspecto de conto de fadas que a história apresenta. Tolkien inclui esses elementos na história costurando-os perfeitamente em sua Terra Média, um mundo em geral sóbrio e por vezes até sombrio, tornando as aventuras de Bilbo em uma história perfeita para crianças sem realmente infantilizar o que está sendo contado.

Exemplos clássicos disso é a presença de animais falantes, como no caso das águias gigantes, das aranhas da Floresta Tenebrosa e das aves da Montanha Solitária; como os trolls são vencidos por esperteza e trapaça, e não através de combate; antagonistas que conversam com o protagonistas ao invés de simplesmente confrontá-lo (Smaug e Gollum); e a clássica disputa de charadas entre Gollum e Bilbo.

Tudo isso dá a O Hobbit um ar de um mundo impregnado de seres e acontecimentos fantásticos, digno das lendas fantásticas medievais, bastante diferente de O Senhor dos Anéis ou O Silmarillion, e ainda assim, perfeitamente compatível com estes. Para quem joga RPG e conhece O Senhor dos Anéis, O Hobbit mostra perfeitamente como variar completamente o estilo e temática das aventuras sem fugir ao cenário.

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O Hobbit é um livro pequeno, extremamente fácil de ler e muito divertido. Aconselho fortemente a quem ainda não o leu, a ler este livro, de preferência antes do lançamento da versão cinematográfica.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Fontes de Inspiração: Conan, O Cimério – Volume I e II (Robert E. Howard)

Com a estréia nacional do novo filme do Conan nesta semana nada melhor do que falar de uma grande fonte de inspiração: as histórias de Conan escritas por Robert E. Howard!

As histórias sobre Conan e a Era Hiboriana, criados por Robert E. Howard nos anos 1930, são em minha opinião uma das principais fontes de inspiração sobre as quais foram geradas as principais idéias sobre “fantasia” do D&D. As outras seriam os contos sobre The Dying Earth, de Jack Vance, e as histórias de Fafhrd and the Gray Mouser, de Fritz Leiber.

conrad_editora-conan_o_cimerio1 Em 2006 a Editora Conrad lançou no Brasil uma coletânea de obras de Howard protagonizadas por Conan, composta por dois volumes, intitulada Conan, o Cimério. Esses dois volumes trazem algumas das obras originais do criador da personagem (sim, porque há histórias de Conan pelas mãos de outros autores), apesar de estar longe de serem todas as existentes.

Além dos contos propriamente ditos, há também poemas, mapas, rascunhos e fragmentos originais de Howard,além de notas sobre as obras contidas nestes volumes. Isso sem falar das grandes ilustrações de Mark Schultz.

Nestas histórias é possível conhecer Conan como originalmente concebido: um bárbaro forte e poderoso em combate, um homem rude mas honrado, ainda que pouco “civilizado”. Inclusive, a civilização é frequentemente representada como algo corrupto e decadente nas histórias de Conan, fazendo do fato dele ser um bárbaro uma espécie de qualidade.

Conan não é um herói comum, mas também não é exatamente um anti-herói. Conan é guiado muitas vezes por ganância, luxúria, vingança, e frequentemente é impiedoso com seus inimigos, mas ao mesmo tempo realiza atos de nobreza e até mesmo bondade real.

conrad_editora-conan_o_cimerio2
Um ponto importante é que Conan não é o brucutu sem cérebro que tornou-se lugar comum ao se referir à personagem. Muito pelo contrário, Conan é extremamente astuto e inteligente (ainda que seja mais um homem de ação do que um pensador), que aliado ao seu carisma natural, força e agilidade, torna-o praticamente um homem perfeito, um arquétipo bem comum nas histórias pulp.

Outro aspecto da personagem que algumas pessoas não conhecem é que a primeira história de Conan escrita por R. E. Howard, intitulada A Fênix na Espada, já traz o bárbaro como Rei da Aquilônia, e só depois é que sua história como ladrão, pirata e guerreiro mercenário foi desenrolada.

A trajetória de Conan, de ladrão bárbaro a rei usurpador de um grande império, é uma clara influência para a trajetória de uma personagem de AD&D, que começa sua carreira como um reles iniciante nível 1 e termina como um Lorde, Senhor de Terras, Líder de Guilda, etc.

O molde das histórias também é interessante e lembra bastante o adotado nos primórdios do RPG: cada história conta um episódio da vida de Conan, e não há necessariamente um elo de ligação entre uma aventura e outra, exceto pelo protagonista. Desse modo, Conan mostra-se um aventureiro clássico, enfrentando aventuras dos mais variados tipos por todos os locais de seu mundo.

Alguns outros aspectos clássicos do D&D também aparecem nessas histórias: a masmorra cheia de perigos sob a fortaleza de um mago (em A Cidadela Escarlate); monstros e seres sobrenaturais; cidades perdidas e ruínas habitadas por criaturas e povos ancestrais; magos malignos, deuses antigos e demônios estranhos; entre tantas outras coisas.

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Tão importante quanto para o gênero de RPGs de fantasia é a própria Era Hiboriana, com sua qualidade de criar uma ilusão de realismo fantástico, mas esta merece uma postagem mais detalhada um outro dia.

Em suma, esses contos são uma leitura quase obrigatória para aqueles que são fãs do estilo sword & sorcery, e para todos aqueles que se interessam por fantasia, pois ajudaram a definir os moldes das histórias de fantasia.

Os dois volumes lançados pela Conrad, apesar de serem de 2006, não são tão difíceis de serem encontrados. Eu mesmo adquiri os meus no ano passado, novos, em uma livraria. Vale a pena dar uma procurada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Presentes de Natal

Eu sei que é meio tarde para falar disso, mas entre o fim do ano passado e o começo do ano corrente, os Correios me trouxeram dois excelentes presentes de natal:

The Dying Earth O primeiro é um presente de verdade: uma edição de The Dying Earth, que eu ganhei em uma espécie de mini-promoção do blog gringo A Paladin in Citadel.

The Dying Earth é uma coleção de contos do autor Jack Vance que serviu como uma das inspirações de Gary Gygax e Dave Arneson para a construção do D&D. É inclusive destas histórias que descende o sistema de magias utilizado no jogo. 

Old Dragon O segundo não é tanto um presente, já que eu mesmo o adquiri, mas ainda assim sua chegada foi igualmente aguardada: o manual básico do Old Dragon.

Eu não consegui chegar a tempo de pegar umas das caixas básicas em edição limitada, mas o que realmente importa, que são as regras do jogo, estão aqui em minhas mãos. Estou terminando de ler o livro, e logo em breve terei uma resenha sobre o material.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fontes de Inspiração: O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien,1954-55)

o senhor dos aneis livro edicao completa sp brasil__56846C_1 Hoje, 03 de Janeiro de 2011, faz 119 anos que nasceu J. R. R. Tolkien, criador da Terra Média e dos Hobbits. Com certeza, este não será o único blog de RPG a escrever sobre o Professor Tolkien hoje. No entanto, decidi aproveitar a data para iniciar uma nova sessão aqui no Dungeon Compendium.

Nas postagens sob o nome “Fontes de Inspiração” eu pretendo falar sobre livros, filmes, quadrinhos e outras fontes que podem servir como boas fontes de inspiração para nossos jogos de RPG, principalmente os de fantasia. E para abrir com chave de ouro, como uma homenagem ao ilustre aniversariante, vou falar um pouco da obra-prima de Tolkien: O Senhor dos Anéis.

Acredito que não seja necessário falar muito sobre a história de O Senhor dos Anéis, já que após o lançamento dos filmes (e não é deles que estamos tratando aqui) todo mundo conhece a história. No entanto nos livros (e é deles que eu estou falando) a história é muito mais profunda, e muito menos voltada para a ação.

O formato original desta história magistral é uma trilogia, com cada um de seus três volumes divididos em dois livros. Apesar disso, a muitos anos atrás O Senhor dos Anéis foi lançado no Brasil como uma coleção de seis livros separados, e atualmente é fácil encontrar a obra em volume único.

A história é impecável, e cada parte da narrativa é tão importante para o desenrolar da aventura que qualquer corte mutila completamente o que está sendo contado (exatamente por isso os livros são imensamente superiores aos filmes). Algumas pessoas criticam o estilo literário de Tolkien, dizendo que ele é muito minucioso nas descrições, mas gosto é gosto e isso não se discute. Particularmente, eu gosto muito de como os livros são escritos, pois dão um ar de “realidade” à história.
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Mas o que torna O Senhor dos Anéis mais importante é que a obra estabeleceu paradigmas que hoje são quase onipresentes em todas as obras de fantasia. A visão de elfos, anões e orcs que são mais comuns derivam inteiramente de como Tolkien os descreveu, além dos hobbits/halflings que são criações originais do autor.

Para nós RPGistas, além das relações óbvias, há muito o que podemos aprender com estes livros. Primeiro de tudo, Tolkien consegue descrever e caracterizar muito bem cada uma das raças (humanos, elfos, anões e hobbits), assim como estabelecer as relações entre elas. E isso sem precisar tornar nenhuma dessas raças “alienígenas” para fazê-las diferentes.

Tolkien também é mestre para mostrar a estranheza e deslumbramento das personagens ao encontrar com os elfos, uma raça considerada “rara” no mundo. Mesmo existindo nações élficas, estas tem pouco ou nenhum contato com os povos humanos, e ainda que seja raro ver um, todo mundo sabe que eles existem. Isso é algo que pode ser facilmente aproveitado para as mesas de jogo.

senhor_dos_aneis_duas_torres Também mostra um bom exemplo de como criar e usar em um cenário uma raça completamente maligna ainda que totalmente “natural” e mortal do ponto de vista humano. Na Terra Média os orcs são irredimíveis e sua maldade não é relativizável, o que é uma boa opção para mestres que querem inimigos óbvios e inquestionáveis sem precisar recorrer a demônios e afins.

O Senhor dos Anéis é indubitavelmente um épico, e a forma como o ponto central de toda a história (o Um anel) chega inocentemente até Frodo e força ele a empreender sua jornada é uma excelente inspiração aos mestres de como inserir uma personagem em uma missão importante.

A magia na Terra Média também é interessante de se observar. Ela é abundante e cerca as personagens durante a história inteira. Mesmo assim, em momento algum ela se torna banal ou corriqueira.
 Senhor-dos-Anéis-o-Retorno-do-Rei
Por fim, talvez mais interessante do que a aventura em si são os apêndices presentes no fim de O Retorno do Rei. Estes apêndices dão um panorama geral dos povos, suas histórias, suas características culturais e relações sócio-políticas, além de vários detalhes sobre o mundo em que se passa a história. Estes textos servem como um excelente guia de como um mestre pode desenvolver um bom cenário de campanha que seja ao mesmo tempo crível e fantástico.

Aqueles que já leram O Senhor dos Anéis com certeza podem apontar muitas outras qualidades na obra máxima do mestre Tolkien, e àqueles que nunca tiveram contato com este clássico ou apenas assistiram aos filmes, eu sugiro que leiam os livros e aproveitem tudo o que eles tem a oferecer. Com certeza não irão se arrepender.
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