Um pouco atrasado aqui, já que o anúncio foi feito no dia 28 de Junho, mas para o caso de alguém ter perdido esse anúncio (como eu), a campanha de financiamento coletivo da coleção de miniaturas Reaper Bones 5 foi confirmada!
O financiamento, que como de costume ocorrerá pela plataforma Kickstarter, está programado para iniciar em 01 de Outubro de 2019 (a data inicial era 05 de Setembro de 2019, mas foi alterada).
O anúncio foi feito no episódio 38 da Reaper Live, reproduzido abaixo:
O que sabemos até o momento é que a coleção deve conter uma mistura de figuras manufaturadas com o material Bones comum - provavelmente as miniaturas maiores, e figuras Bones Black - provavelmente as figuras menores, visto que o material mais rígido ajuda a impedir que as miniaturas entortem e permite uma maior definição de detalhes.
Alguns previews das miniaturas inclusive já surgiram, incluindo uma coleção de tritões e alguns piratas, o que pode indicar uma expansão de temática marítima, ou ao menos uma boa quantidade de miniaturas relacionadas ao tema inclusas no core set.
Parece também que haverá ao menos um set de dados adicionado ao core set, e uma má notícia para nós brasileiros: o core set deve custar US$ 120,00, isso é, US$ 20,00 a mais do que nas coleções anteriores. Com o dólar beirando R$ 4,20 é um aumento de preço considerável.
Um dos primeiros RPGs 100% nacional (não só em autoria, mas também em temática), O Desafio dos Bandeirantes, completou 25 anos. E em meio às comemorações de aniversário foi publicado este vídeo:
Ou seja: teremos uma nova edição de O Desafio dos Bandeirantes publicado pela Editora New Order, e o jogo será adaptado como um cenário para a 5ªed do D&D com o auxílio de Mike Mulvihill, designer de Shadowrun e Heroclix.
Pois bem, foi isso que eu perguntei ao pessoal da New Order no Facebook, e a resposta que eu tive foi a seguinte:
"Sair para a 5a edição foi escolha dos autores, adianto que não iremos publicar D&D. Estamos conversando a possibilidade de adaptação para outros sistemas. Acredito que teremos novidades. logo logo."
Ou seja: tudo indica que teremos uma nova edição de O Desafio dos Bandeirantes publicado no Brasil pela Editora New Order sim! Tudo indica também que haverá uma adaptação de O Desafio dos Bandeirantes, feita por um gringo experiente no assunto,para a edição atual do D&D sim! Mas tudo indica que estas duas edições não serão a mesma.
Fiquemos ligados para mais novidades a esse respeito a qualquer momento.
A Redbox Editora me autorizou a liberar mais alguns previews da nova edição aprimorada do Manual Básico Old Dragon, e com essa carta branca, é claro que eu não ia deixar vocês na mão.
O primeiro preview, é uma atualização de regras, que traz algo que certamente é muito esperado pela grande maioria dos jogadores de Old Dragon - o panteão de deuses do jogo:
Clique para ampliar e divirta-se!
É claro que trata-se de um panteão "genérico", não atrelado a nenhum cenário específico, mas que assim como os Deuses Antigos presentes no Bestiário (e desde a primeira tiragem do jogo), sugere um cenário implícito muito mais curioso e interessante do que um livro básico genérico faz crer em um primeiro momento.
O segunda coisa que eu vou mostrar é um exemplo da nova arte, especificamente, a reinterpretação da já clássica ilustração que exemplifica a visibilidade de acordo com o tipo de iluminação:
Continua bem esclarecedora, além de ser legal pra caramba!
A arte do livro é toda nova, totalmente colorida, mas repleta de referencias e reinterpretações das artes encontradas na versão original do Manual Básico.
Eu particularmente sou um fã da arte preto e branco, e gosto muito quando os livros trazem esse estilo de ilustrações feitas com um alto nível qualidade (como é o caso do Guia de Raças e do Senhores da Guerra, por exemplo). Gosto mais do que de livros coloridos. Mas não posso negar que a arte colorida dessa edição aprimorada ficou muito bonita, mesmo que uma ou outra ilustração não seja exatamente em meu estilo predileto. De fato, muito mais bonita que a edição original do Manual Básico em preto e branco.
Por enquanto deixo vocês com isso, e se vocês querem ver mais detalhes da Edição Aprimorada do Manual Básico Old Dragon, vocês podem assistir ao vídeo apresentado pelo Antonio "Mr. Pop" (transmitido ao vivo pelo Facebook dia 30 de Novembro de 2017) sobre as novidades que a editora levará para a CCXP:
Entre outras coisas, no vídeo é revelado o preço do livro, de R$ 70,00 (com provável desconto para quem adquirir na CCXP), além da oficialização do cancelamento da linha de miniaturas de metal do Old Dragon, e dos planos para o futuro lançamento de marcadores (ou pawns) oficiais para o jogo.
Mas claro, que a notícia mais incrível do vídeo é o fantástico playmat oficial do Old Dragon, em neoprene e tecido, com um grid de 90cm x 90cm! Com arte do Dan Ramos, espaço para marcar turnos e ordem de iniciativa, esse playmat deve ser vendido a R$ 90,00.
Mal terminaram de serem realizadas as entregas das miniaturas do financiamento coletivo das Reaper Bones 3 (e eu nem consegui mostrar as minhas miniaturas a vocês ainda!) e vejam só o que já está pintando por aí:
Hoje é o aniversário de nascimento de Gary Gygax, o assim chamado Gygax Day. Rolem 3d6 em ordem em honra ao Grande Mestre da Masmorra no dia de hoje!
E para comemorar o Gygax Day, a Redbox Editora preparou duas surpresas para nós. A primeira é um vídeo em seu canal oficial onde Igor Moreno comenta 5 conselhos de Gary Gygax a respeito de RPGs:
A segunda surpresa é a pré-venda da nova tiragem da Caixa Básica do Old Dragon, assim como vários descontos na linha de suplementos de Old Dragon.
Vocês sabiam que a Redbox Editora agora tem um canal oficial no Youtube? E que os vídeos são apresentados por ninguém menos que o meu xará, o incrível, o fantástico, e porque não espetacular, Igor Moreno? Pois é!
Por enquanto só dois vídeos foram postados no canal, mas o segundo é um "unboxing" do Classroom Deathmatch e da nova edição do Guia de Armadilhas Old Dragon. Apesar do primeiro jogo parecer bem interessante (e a edição da Redbox ser linda), é o segundo livro que me interessa de verdade (por razões óbvias!).
No vídeo, Igor Moreno mostra a nova tiragem do Guia de Armadilhas, fala brevemente sobre sua opinião a respeito do livro, e salienta as principais diferenças entre a primeira e a segunda tiragem.
Principalmente se você não possui o Guia de Armadilhas, ou quer saber a diferenças entre as duas tiragens, dê uma olhada, vale à pena para conhecer um pouco mais sobre o livro:
Quem não lembra de Diablo? O videogame estilo dungeon crawl preferido de toda uma geração?
A cidade base de onde o personagem do jogador partia para explorar a dungeon sob a igreja era Tristam, um vilarejo povoado por personalidades interessantes que lhe ajudavam e conferiam quests ao logo de sua aventura.
Quem não se chocou quando em Diablo 2 o personagem do jogador (agora outro que não o da primeira aventura) retorna a Tristam apenas para encontrá-la completamente destruída e tomada por mortos-vivos? Certamente um momento inesquecível do jogo.
Até então sabia-se apenas através de relatos de terceiros o que havia acontecido a Tristam. Mas estas filmagens recuperadas das câmeras de segurança da cidade revelam toda a verdade:
Piadas à parte, Diablo era um jogo excelente, mas é por coisas como essas que os RPGs de mesa serão sempre melhores do que os videogames (sinceramente, num jogo de mesa é certeza que os monstros viriam atrás do personagem por um portal deixado aberto!).
Este ônibus temático do D&D foi feito pela Wizards of the Coast para a PAX (também conhecida como Penny Arcade Expo) de 2010. Naquele ano a empresa estava focando na temática old school, tentando capitalizar um pouco em cima da nostalgia dos antigos jogadores (sim, capitalizar, porque ao invés de lançar material realmente old school, naquele ano eles lançaram uma caixa básica do D&D 4ªed imitando a clássica Red Box do OD&D).
Mas ao menos nessa pegada old school, eles fizeram esse ônibus que é bem maneiro. Ele é envelopado com uma colagem de diversas ilustrações de artistas como Trampier, Sutherland, Elmore, e Otus, retiradas de diversos livros do D&D dos anos 1970 e 1980.
Outras fotos do ônibus:
Além das fotos, há também vídeos disponíveis mostrando o ônibus, feitos por pessoas que visitaram o evento:
Não só isso, há também um vídeo do interior do ônibus:
Abaixo segue uma transcrição, em inglês, do que Luke Gygax fala no vídeo:
“My upbringing was different, especially for Wisconsin. I didn’t really care when deer hunting season was.
Growing up around Dungeons & Dragons was normal — I don’t really have a perspective of not growing up that way. My dad was busy a lot, but I got a lot of socializing time with him through gaming. He would be writing materials and we would playtest them, so folks would come over, and we’d game.
My dad was pretty minimalist in his dungeon mastering style. A lot of guys today will use a lot of props and mapping devices and miniatures and stuff like that — we rarely used any of that sort of stuff. It was really in your mind.
He wanted you to think, and your player would benefit from you being clever and figuring out different ideas and things to do.
Certainly, my English and vocabulary were greatly improved by my dad’s writing. His writing style, they call it ‘Gygaxian’ style, because he was circumlocutious and would use… big college words on purpose. He wanted people to pick up a thesaurus and learn a word. He thought the English language was beautiful, and there’s no reason to limit yourself to a small set of verbs or adjectives.
When you’re amongst folks who understand what you’re talking about and they don’t think you’re unusual, you can be more open and friendly. That’s what we try to do here. It’s a fond remembrance for me, and I think a lot of other people, too.”
Em tradução livre para o português:
“Minha criação foi diferente, especialmente para o Wisconsin. Eu realmente não dava a mínima para quando começava a estação de caça ao veado.
Crescer em torno do Dungeons & Dragons era normal — de fato eu não tive a perspectiva de como é não crescer daquela maneira. Meu pai era muito ocupado, mas eu tive muito tempo para socializar com ele através dos jogos. Ele sempre tinha de escrever materiais e nós tínhamos de playtestá-los, então as pessoas vinham e nós jogávamos.
Meu pai era bastante minimalista em seu estilo de mestrar. Um monte de gente hoje usa um monte de props e ferramentas de mapeamento (n.t.: com isso provavelmente ele se refere não só a mapas e tiles, como a game mats e miniaturas de cenários) a e miniaturas e esse tipo de coisas — nós raramente usávamos quaisquer coisas desse tipo. Tudo realmente estava na nossa mente.
Ele queria que você pensasse, e seu personagem (n.t.: ele falou jogador aqui, mas dá pra entender que ele queria se referir ao personagem) se beneficiaria de você ser esperto e chegar a diferentes ideias e modos de agir.
Com certeza, meu Inglês e vocabulário foram muito aperfeiçoados pelos escritos do meu pai. Seu estilo de escrever, eles chamam de estilo ‘Gygaxiano’, porque ele era circunlóquio (n.t.: circunlóquio é o ato de utilizar mais palavras que o necessário para explicar algo e muitas vezes ainda ser vago) e usava… grandes palavras acadêmicas de propósito. Ele queria que as pessoas pegassem um tesauro e aprendessem uma palavra. Ele acreditava que a língua inglesa era bonita, e que não havia razão para se limitar a um pequeno número de verbos ou adjetivos.
Quando você está entre pessoas que entendem sobre o que você está falando e ele não pensam que você é estranho, você pode ser mais aberto e amigável. Isso é o que a gente tentar fazer aqui (n.t: na Gary Con). É uma recordação agradável para mim, e eu penso que para um monte de outras pessoas também.”
Foi liberado esta semana o primeiro trailer do filme do Doutor Estranho:
Mas aí vocês devem estar se perguntando: "Tá, ele é um mago, ok. Mas esse é um blog sobre RPG old school, o que esse trailer tem a ver com isso?".
Pois é, tem mais a ver do que alguns imaginam. O lendário Tim Kask, playtester original do D&D e primeiro funcionário da TSR, postou o seguinte texto no Facebook:
"Finally, the BEST comes to the big screen. Gary would have loved to see this happen; it was our mutual-favorite. PS--all sorts of stuff from this Dr. found its way into D&D."
Em tradução livre:
"Finalmente, o MELHOR chega às telonas. Gary teria adorado ver isso acontecer; ele era nosso favorito. PS--todo tipo de coisa deste Dr. acabou entrando de alguma maneira no D&D."
O "Gary" citado, claro, é Gary Gygax, co-criador do D&D. Quem acompanha o blog deve se lembrar que há indícios antigos de que o Doutor Estranho teve certa influência no D&D desde seus primórdios. E eu mesmo bem que desconfiava que a magia Mirror Image era inspirada em um dos feitiços frequentemente usados pelo Doutor Estranho nos quadrinhos.
Mas agora, se é que ainda era preciso, temos a confirmação: não só o Doutor Estranho era o personagem de quadrinhos favorito de Gygax (ou um deles, ao menos), como de fato várias coisas no D&D são inspiradas pelas quase psicodélicas histórias do Mago Supremo das décadas de 1960 e 1970.
Em homenagem a esse pedacinho da história do RPG, assim como aos grandes Gary Gygax e Tim Kask, e porque não também aos incríveis Steve Ditko e Stan Lee, e para ninguém dizer que eu fiquei só de ladainha, deixo para vocês uma das famosas magias do Doutor Estranho adaptada para o sistema Old Dragon:
Os Sete Anéis de Raggadorr Arcana 7 Alcance: pessoal Duração: 1 turno/nível ou até anular 7 ataques
Sete anéis de energia azul surgem em torno do mago, protegendo-o contra ataques e magias. Os anéis de energia anulam qualquer ataque bem sucedido ou magia ofensiva que tenha o mago como alvo. A cada ataque ou magia anulados, um anel de energia desaparece, e quando todos os sete anéis desaparecerem a magia se encerra. O mago pode mover-se, atacar e lançar magias normalmente enquanto Os Sete Anéis de Raggadorr estiver ativa.
No vídeo abaixo, o homem dá uma explicação bastante simples e básica das partes que compõem um bodoque:
O bodoque, ou pellet bow como é chamado em inglês (e que poderia ser traduzido a grosso modo como “arco de pelota”), é um arco que atira “balas” ao invés de flechas. Assim como o arco e flechas tradicionais, o bodoque é uma tecnologia primitiva que está difundida em várias culturas pelo mundo, sendo impossível determinar uma origem única para essa arma (e muito provavelmente de fato não exista uma única origem).
Existem registros de uso de bodoques em quase todo o mundo. Na América do Sul, inclusive, sendo uma arma relativamente comum entre os índios brasileiros e a população caiçara. É também bastante comum no sudeste asiático, e mesmo durante a Idade Média europeia alguns povos os utilizavam com frequência – ainda que esse uso tenha sido ofuscado no registro histórico pelo arco e flecha.
Um bodoque de construção moderna. É possível ver na foto todas as partes características que compõe um bodoque.
Ao contrário do arco e flecha, o bodoque nunca chegou a se desenvolver totalmente em uma arma de guerra. Sua utilização principal ficou quase que totalmente restrita à caça de aves e pequenos animais, ainda que bodoques de construção mais robusta possam servir para abater animais um pouco maiores e até mesmo causar ferimentos consideráveis em seres humanos.
O bodoque inclusive traz uma vantagem na caça de aves e pequenos animais em relação ao arco e flecha: comumente, estes animais eram caçados não apenas por sua carne, mas também para o aproveitamento de suas peles (no caso de coelhos, martas, visons e esquilos, por exemplo) e penas (no caso das aves), e sendo uma arma de concussão, o bodoque tinha muito menos chance de estragar as peles e penas, resultando em um melhor aproveitamento, o que era impossível com o uso de flechas que perfurariam as pelas e destruiriam penas. Não raro, o tiro de bodoque sequer matava o animal, apenas o atordoava ou desmaiava, o que já era suficiente para o caçador capturá-lo.
Para esse tipo de caça o bodoque também apresentava uma vantagem em relação à funda, já que esta última precisa de um certo espaço livre para girar a arma, o que às vezes é complicado em bosques e florestas cheias de galhos. E o estilingue só viria a existir nos locais em que algum tipo de fibra elástica se fizesse disponível (o que na maioria do mundo significa só depois que a borracha vulcanizada se popularizou, após meados do século XIX).
Falando da estrutura em si, em não se tratando de uma arma de guerra, a construção de um bodoque tende a ser bem mais simples do que a de um arco a ser utilizado com flechas.
A corda geralmente é de fibras vegetais, e é nela que se encontra a maior diferença na construção de um arco comum e um bodoque: bodoques quase sempre possuem duas cordas. Esse par de cordas é afixado ao arco em paralelo uma à outra, e mantidas afastadas uma da outra por uma pequena peça de madeira com entalhes nas extremidades onde encaixam-se as cordas.
Na foto acima é possível ver claramente os afastadores separando as cordas, colocados junto às extremidades dos arcos.
Uma variante bem menos comum é o bodoque com uma única corda trançada, dividida em duas apenas em seu centro, onde insere-se a "bolsa" para acomodar a munição. A "bolsa" para a munição, inclusive, é outra característica única do bodoque em relação ao arco comum.
A razão dos bodoques possuírem corda dupla é justamente acomodar essa "bolsa", um local onde encaixa-se a munição a fim de puxar a corda e atirar. A tal "bolsa" pode se feita de um pedaço de couro ou tecido, ou então trançada da mesma fibra da qual é feita a corda do arco.
Aqui é possível ver claramente a bolsa para acomodar a munição entre as cordas, e também o afastador solto das cordas.
Em detalhe, uma "bolsa" para acomodar a munição trançada das mesmas fibras da corda.
Em relação à construção do arco propriamente dita, teoricamente um bodoque pode ser feito utilizando qualquer uma das variações de construção de um arco comum. No entanto, é muito comum que os bodoques sejam self bows (isso é, feitos de uma peça única de madeira), straight bows (sem curvatura natural na madeira), e frequentemente também são flatbows (tendo a madeira cortada ao meio no sentido do comprimento, de forma que ao menos uma superfície seja reta e não arredondada).
Também é comum que os bodoques sejam arcos assimétricos, ou seja, que a empunhadura não seja exatamente no centro do arco. E ao contrário do que comumente acontece no arco e flecha assimétrico, a munição (e portanto a bolsa para acomodá-la na corda) não é alinhada à altura da empunhadura.
E a razão disso é simples: é muito fácil atingir a própria mão com a munição de um bodoque e essa construção assimétrica ajuda a evitar acidentes. Mas essa não é a única solução encontrada para resolver este problema. Uma tribo malaia, os Orang Laut, possuem bodoques com uma espécie de protetor para o polegar afixado à empunhadura do arco. Esse protetor de polegar frequentemente tem uma forma similar a um pássaro estilizado (geralmente identificados como rolas ou pica-paus), mas outras formas também existem.
O protetor de polegar típico dos bodoques dos Orang Laut, na forma de um pássaro.
Não só isso, com a corda alinhada ao arco, é muito provável que um alguém não acostumado ao uso da arma atinja o próprio arco com a munição. Para que isso não aconteça, existe um "truque" que faz parte da técnica de tiro com o bodoque. É necessário um ligeiro movimento de pulso na mão que empunha o arco, para que esse saia da frente da munição e esta passe sem empecilho em direção ao alvo.
Prestando atenção no vídeo abaixo é possível perceber o sutil movimento do pulso que afasta o arco da linha de tiro da pedra:
Mas apesar de ser apenas uma questão de técnica evitar atingir o arco com a munição, a humanidade é engenhosa e outras formas de fazê-lo também foram criadas. Aquilo que talvez seja a variante mais incomum de construção de um bodoque foi inventada justamente para evitar esse problema: o bodoque de arco duplo.
Esta coleção traz uma variedade de tipos de bodoques, incluindo um bodoque de arco duplo ao fundo.
Essa estranha variante do bodoque possui dois arcos ligados por suas extremidades, e mantidos afastados a uma distância fixa por um par de traves afixadas no centro do arco. Entre as duas traves horizontais, é colocada uma trave vertical que servirá como empunhadura para o bodoque. Com a "bolsa" de acomodar a munição posicionada um pouco acima da empunhadura, o tiro passará exatamente acima da mão do atirador e entre os dois arcos.
Um detalhe da empunhadura de um bodoque de arco duplo.
Por fim, em relação à munição utilizada em um bodoque, esta pode ser composta de simples pedras pequenas, do tamanho e formato adequado ao arco utilizado, balas de chumbo (similar às utilizadas em fundas - apesar de que estas talvez tenha sido utilizadas apenas na Europa), ou pelotas de barro cozido ao Sol ou em fornos.
Um bodoque recurvo moderno, com sua munição.
E aqui encerro essa pequena explanação a respeito dos bodoques. Certamente deve haver mais coisas a se conhecer sobre essa arma quase esquecida pelos RPGs, mas acho que o que listei aqui já deve ser de grande utilidade para inspirar mestres e jogadores a incluírem essa exótica ferramenta de caça em seus jogos.
O lendário Ian Livingstone, coidealizador dos livros-jogos Aventuras Fantásticas, cofundador da Games Workshop, e criador de vários monstros do D&D, foi entrevistado ontem no programa The Noite com Danilo Gentilli.
O programa no geral é meio ruim e as entrevistas são mal feitas (o trabalho de tradução nessa entrevista, inclusive, é bem sofrível), mas de qualquer forma é legal ver o Sr. Livingstone em um programa de entrevistas brasileiro, e saber um pouco mais sobre a história dos pioneiros do nosso hobby é sempre interessante.
Muita gente que visita o blog deve se lembrar do HeroQuest, e provavelmente até mesmo ter jogado este incrível jogo de tabuleiro no início do mercado de RPGs no Brasil (ainda que HeroQuest não seja exatamente um RPG). Eu sei que eu tenho boas lembranças desse jogo do tempo em que eu ainda começava a aprender o que eram RPGs.
Para aqueles sente saudades das tardes passadas se aventurando pelas aventuras do Livro de Buscas do jogo, há uma boa notícia: o canal do Youtube ADP's Gaming Closet tem uma série de vídeos baseada no HeroQuest!
Os vídeos são em stop motion, feitos utilizando as miniaturas e tabuleiro originais do jogo (na verdade, o tabuleiro não é original, mas é feito nos mesmos moldes, e algumas miniaturas são adaptações modernas). Até o momento já foram feitos 6 episódios, que são baseados nas aventuras do Livro de Buscas original do jogo.
Para a comodidade de vocês, todos os episódios lançados até o momento estão copiados aí embaixo:
Episódio A: Uma Introdução (não corresponde a nenhuma aventura do livro de buscas original)
Episódio 1: A Prova
Episódio 2: O Resgate de Sir Ragnar
Episódio 3: O Covil do Guerreiro Orc
Episódio 4: O Ouro do Príncipe Magnus
Episódio 5: O Labirinto de Melar
Além dos episódios da série, há ainda um vídeo mostrando as "férias" dos astros do show - as miniaturas dos 4 heróis - mostrando sua visita ao Legoland Hotel e às praias da Califórnia:
Em seu blog, o autor dos vídeos também publica algumas informações sobre o making off dos episódios.
O ídolo desta semana eu devo ao leitor Fernando Salvaterra, que postou o link para esse vídeo nos comentários do último Ídolo da Semana.
Trata-se de um walkthroug do jogo Elder Scrolls V: Skyrim. A referência ao ídolo está a partir de 7min29seg no vídeo.
No jogo, perseguindo o ex-lider e traidor da guilda dos ladrões, Mercer Frey, você o encontra na lendária estátua do elfo das neves, que é na qual acontece a dita homenagem.
Como a estátua em si não é exatamente parecida com o ídolo de Trampier, talvez esta cena esteja mais para uma referência à estátua do filme The Thief of Bagdad.
Apesar de que, reparem, quando você encontra o ladrão Mercer Frey, ele está roubando o olho direito da estátua – exatamente o mesmo olho que está sendo roubado na ilustração original de Trampier!
Nós já haviamos visto o trailer anterior do filme, mas agora o segundo trailer completo foi divulgado:
E assim se encerrará a trilogia de filmes sobre o livro O Hobbit.
Como eu já comentei antes, mesmo com todos os problemas em relação à história original do livro, tenho gostado de assistir estes filmes. São obras bastante divertidas e bonitas de ver. Estou aguardando ansiosamente.
Hoje eu ia postar um tutorial para uma peça que eu fiz a uns meses atrás, mas eu parei para pensar e conclui que antes deveria falar sobre uns caras com os quais aprendi algumas boas técnicas que utilizei na peça em questão.
Os “caras” em questão são dois gringos que mantém canais no Youtube, e que tomei conhecimento por intermédio de um amigo. Nestes canais, eles postam tutoriais em vídeo mostrando como fazer miniaturas e peças de cenário utilizando materiais comuns e baratos.
Muita gente envolvida no hobby de criar miniaturas e peças de cenário para RPG já os conhece, mas mesmo assim vale à pena divulgar o trabalho deles.
O primeiro destes caras é o “Dungeon Master G”, do canal DMGinfo:
Este cara segue a escola dos “cenários 2.5D”, que basicamente trata-se de tiles 2D com elementos de cenário 3D, em geral feitos de papelão.
Ele foca-se em construir peças com materiais baratos, e nessa ideia, mantém-se inclusive restrito na escolha de cores que utiliza, para não gastar muito em tintas.
Ele tem algumas ideias realmente muito legais, e seus tutoriais são em sua grande maioria rápidos e divertidos de acompanhar.
Este cara é verdadeiramente um gênio! Além de ser o criador da ideia dos ditos “cenários 2.5D”, ele volta e meia traz uma ideia ou técnica completamente incrível, que torna o trabalho de criar miniaturas muito mais simples.
Além disso, ele é o mago da cola quente. Eu já utilizava cola quente para alguns projetos antes de conhecê-lo, mas a técnica dele de usar a cola quente para texturizar e “plastificar” peças é simplesmente sensacional, e me abriu todo um novo mundo de possibilidades.
Ele também utiliza em geral materiais simples e baratos para fazer suas peças, mas é mais propenso a testar com uma gama de materiais muito maior, alguns que até são meio complicados de encontrar aqui no Brasil. Mas isso é genial para nos mostrar novas possibilidades na área do “faça você mesmo”.
E ainda que eu não goste muito da ideia dos cenários 2.5D (nada contra, só prefiro os 3D de verdade), ele agora está revolucinando sua própria ideia e introduzindo o que ele chama de “2.5D Next” – uma ideia que, esta sim, me chamou muito a atenção, devido à sua praticidade.
A única parte ruim para alguns é que em ambos os canais os vídeos são em inglês, o que pode atrapalhar um pouco a compreensão de certas coisas. No entanto, mesmo para quem não entende a língua, ao menos dá para assistir os vídeos e ver como eles constroem suas peças.
Enfim, recomendo fortemente que vocês deem uma olhada nos canais destes dois mestres, assistam uns tutoriais (ou todos) e assinem seus canais. Sempre há muito o que aprender (ou uma boa ideia para roubar) com estes caras.