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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Foto Resenha: Guia de Raças Old Dragon

Não faz muito sentido fazer uma resenha de um livro que você mesmo escreveu (ou co-escreveu, nesse caso), então ao invés de escrever uma resenha tradicional trago a vocês essa foto resenha do Guia de Raças Old Dragon.

Assim, ao invés de resenhar de fato, vou comentar um pouco sobre o conteúdo do livro, o porque de algumas opções, e com as fotos quem não adquiriu o livro poderá ao menos ter uma palinha do conteúdo.

A capa do livro, de autoria do Bruno Balixa, é linda, disso não há dúvidas.

A contracapa.

O livro começa com uma introdução que ajuda a entender como cada raça é descrita em seu respectivo capítulo.

A partir daí começam os capítulos que descrevem as raças em si.

Como eu já repeti exaustivamente aqui no blog, o Guia de Raças Old Dragon foi escrito em conjunto por mim e pelo Rafael Beltrame. O livro possui 108 páginas, com ilustrações em preto e branco. As ilustrações internas ficam por conta de Clayton Barbosa e Dan Ramos.

Os capítulos das raças ocupam entre 3 e 5 páginas cada um.
E todas são acompanhadas de uma excelente ilustração em preto e branco.

Além das raças propriamente ditas, há também especializações, equipamentos, e outras pequenas regras para serem usadas em conjunto com as raças do livro ou mesmo sem elas.

As raças apresentadas misturam criaturas clássicas dos RPGs e da literatura de fantasia e criações originais do Old Dragon.

O livro traz 28 raças novas, além de 5 variações de anão e 5 variações de elfo. Some-se a isso o fato de que algumas das raças novas possuem mais de uma variedade, e outras são customizáveis, e as opções de personagens são gigantescas.

Após os capítulos com as novas raças, há um capítulo com variações de elfos e anões.

São 5 tipos de anões e 5 tipos de elfos, todos também ilustrados.

Por fim, o livro se encerra com um breve capítulo com dicas de como criar você mesmo uma nova raça de maneira equilibrada com as regras do jogo.

Ao definir e criar as raças para o livro, nós optamos por tentar cobrir o maior tipo de nichos possível, assegurando que houvesse ao menos uma raça voadora, aquática, criatura pequena, criatura grande, e construto. Além disso, adaptamos não só alguma das criaturas mais clássicas dos RPGs de fantasia, como também seres icônicos da literatura de fantasia Sword & Sorcery (e outros tipos de fantasia mais moderna também, porquê não?), assim como propiciamos raças que podem ser utilizadas para adaptar alguns dos mais famosos cenários de fantasia para o Old Dragon. Isso sem contar algumas criaturas que são características de Legião: A Era da Desolação, futuro cenário oficial do jogo.

Eu sou suspeito para falar, mas gosto muito desse livro e recomendo fortemente para quem deseja incluir um pouco mais de variedade na criação de personagens em suas campanhas.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Quando as Coisas Ficam Estranhas

Existem aqueles momentos em que você se sente obrigado a falar sobre alguma coisa, e eu me encontro em um destes momentos. A coisa em questão é a febre do momento: Stranger Things. A série que estreou na última sexta-feira 15 de Julho no Netflix rapidamente ganhou uma legião de fãs - eu entre eles.

Até o cartaz é estilão anos 1980.

Vou tentar falar um pouco da série sem dar muitos spoilers (mas já fique avisado: pode ser que haja algum spoiler não intencional abaixo). A premissa da série, que se passa no ano de 1983, é o misterioso desaparecimento de um garoto de 12 anos, o qual começa a ser investigado por diversos núcleos da série - os adultos, na figura da mãe do garoto e o xerife; pelas crianças, seus melhores amigos; e por seu irmão adolescente e a irmã de um de seus amigos. No meio do caminho eles topam com uma misteriosa menina e uma possível conspiração governamental.

Ao contrário do que o nome faz parecer, não há quase nada de realmente estranho em Stranger Things (quase, pois há um elemento sobrenatural na história), muito pelo contrário, tudo nos parece extremamente familiar (ao menos se você cresceu entre os anos de 1970 e 1990). Mas não pense que isso é algo ruim, essa é exatamente a graça da coisa! A série foi pensada para ser uma homenagem aos grandes filmes de horror, ficção e aventura dos anos 1980, e consegue atingir em cheio seu objetivo.

Stranger Things pode ser resumida, a grosso modo, como um amálgama de E.T. - O Extraterrestre com It - Uma Obra Prima do Medo. Mas resumir a série a apenas isso seria injustiça, pois há referências e homenagens a quase todos os ícones dos anos 1980 da fantasia e ficção: os filmes de Steven Spielberg, as obras de Stephen King, as histórias dos X-Men (quem aí sabe o que acontece em X-Men 134?), a trilha sonora que remete não só a clássicos da época, mas também aos filmes de John Carpenter, e obviamente, Dungeons & Dragons.

Claro, teria de haver uma razão para uma postagem sobre a série aparecer por aqui, e a razão é essa: Dungeons & Dragons! Os garotos que protagonizam a série não são apenas amigos, eles são também aventureiros, isso é, um grupo de RPG que passam várias horas juntos divertindo-se com o D&D. A série já abre com uma partida de RPG, e praticamente encerra-se com outra. Poucas vezes jogadores de RPG foram tão bem representados no cinema ou TV, tudo o que se espera está lá: desde as sessões de 10 horas de jogo, até os comentários sobre os atributos de alguém, e a referência a "como daquela vez em Bloodstone Pass".

The Demogorgon!

Aqui em casa há uma piada recorrente de que os personagens de filmes se dão mal porque não jogam RPG, o que os leva a fazer escolhas que jogadores de RPG nunca fariam numa situação similar. A série de certo modo prova nossa teoria, com as crianças agindo praticamente o tempo todo como jogadores de RPG agiriam em uma aventura: planejando, se preparando, trabalhando em equipe, e ao melhor estilo old school, fugindo quando a coisa fica perigosa.

Stranger Things é uma série instigante, divertida, e que consegue reproduzir perfeitamente o clima dos grandes clássicos da época que tenta simular. Se você gosta do tipo de filmes que a série homenageia, recomendo você largar tudo agora mesmo e ir assisti-la. Se você não sabe se gosta ou nem conhece muito sobre eles, assista e descubra, e se curtir, recomendo uma lista de filmes na mesma pegada que lhe trarão algumas excelentes horas de diversão.

domingo, 29 de novembro de 2015

Resenha: Novas Miniaturas dos Heróis Icônicos do Old Dragon

Como eu anunciei aqui a alguns meses, a Redbox Editora lançou novos conjuntos de miniaturas oficiais do Old Dragon, e entre elas havia um novo conjunto de miniaturas dos Heróis Icônicos do jogo. É exatamente deste kit de miniaturas que eu irei falar hoje.

Não é a primeira vez que a Redbox produz um kit de Heróis Icônicos para o Old Dragon, mas diferente do kit original, o novo kit possui 6 personagens ao invés de 5, e estes representam a nova formação do grupo que vem estampando as capas e interiores dos livros do Old Dragon, desde a capa do Módulo Básico e do Guia de Armadilhas, até a capa e interior da aventura Expedição ao Pico do Abismo.

O conjunto completo dos Heróis Icônicos.

A miniaturas são esculpidas e produzidas pela Kimeron Miniaturas, em liga de metal branco, e no tradicional estilo old school que já é característico das miniaturas da empresa. As miniaturas são vendidas sem pintura, apenas com um acabamento "envelhecido" (na verdade, um wash preto).

No geral, as esculturas são boas, bastante detalhadas, e representam muito bem as personagens que ilustram os livros de Old Dragon.
 Kardathor, o humano homem-de-armas. Minha segunda miniatura predileta do kit.

Certamente você já viu esse escudo em algum lugar antes!
O conjunto estava sendo vendido na loja virtual da Redbox a R$ 29,90 - ou seja, 4,98 cada miniatura, um preço bastante razoável para miniaturas de RPG hoje em dia. Infelizmente, a tiragem dos novos conjuntos de miniaturas foi muito pequena, e estes já estão esgotados. Eu consegui garantir as minhas, mas muitos fãs do jogo ficarão na expectativa para comprar as suas. Torçamos para que a Redbox disponibilize uma nova tiragem em breve.

Anóriel, o mago elfo.

Calliev, humana clériga. Esta é definitivamente minha miniatura predileta em todo o kit.

O conjunto é embalado no mesmo tipo de estojo plástico forrado de espuma em que as versões antigas já eram vendidas. Apenas a etiqueta que mudou de aparência.
Infelizmente não tenho uma foto do estojo em que vieram minhas miniaturas porque os Correios literalmente esmigalharam o meu. Aqui sinto que preciso abrir um parênteses: se não fosse o cuidado da Redbox ao embalar seus produtos, provavelmente eu teria recebido miniaturas quebradas, ou até mesmo tivesse miniaturas extraviadas, visto o estado em que os Correios entregaram a caixa da minha encomenda. No entanto, tudo o que aconteceu foi o estojo de plástico não suportar o esmagamento que o pacote sofreu no transporte.

Elenwë, elfa homem-de-armas.

Galdûk, anão homem-de-armas. Esse grupo é cheio de combatentes.

As miniaturas são na escala padrão de 28mm, compatível com a imensa maioria das linhas de miniaturas de RPG e wargames disponíveis no mercado.

Dungo, o ladrão halfling. De todo o conjunto, essa é a miniatura que eu menos gostei. Ainda assim, é um halfling melhor do que qualquer um das miniaturas modernas do D&D, pois ao menos está descalço!

Por fim, apesar de serem os personagens icônicos do jogo, trata-se de um conjunto de miniaturas bastante versátil, com representações de todas as classes e raças do jogo, além de personagens femininos e masculinos. Eu recomendo bastante este kit, não só para os fãs do Old Dragon que gostariam de ter uma representação dos personagens da capa do jogo, como também para aqueles jogadores que precisam de alguma variedade de figuras para representar os personagens em suas mesas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

#RPGaDay2015: RPG Adquirido Mais Recentemente (Resenha: Magic Theorems & Dark Pacts)

Na corrida pra tirar o atraso nas postagens do desafio, hoje temos a postagem referente ao dia 05 de Agosto.

O material de RPG que eu adquiri mais recentemente foi Magic Theorems & Dark Pacts. E já que eu tenho de falar dele, decidi que o melhor a fazer é uma resenha do livro.

Magic Theorems & Dark Pacts é um suplemento para Labyrinth Lord, escrito por Dyson Logos e publicado em 2013. O livro é vendido em PDF pelo RPGNow ao valor de US$ 9,99, ou impresso pelo Lulu.com a US$ 20,00 em capa mole ou US$ 35,00 em capa dura.

Fisicamente, o livro tem um layout bem simples, é todo em preto e branco (com exceção da capa), e não possui nenhuma ilustração (nem mesmo a capa). Dada a simplicidade do livro, encontrar uma informação nele é bastante fácil. Até aí, o livro não é grande coisa.

Mas é no conteúdo em si que o livro chama atenção. Magic Theorems & Dark Pacts traz toda uma nova visão aos conjuradores de Labyrinth Lord, sem no entanto alterar praticamente nenhuma das regras originais do jogo.

O primeiro capítulo do livro traz 13 classes de conjuradores, cada uam representando uma tradição mágica diferente, isso é, uma forma específica de fazer magia ou um foco de atuação. E dentre estas 13 classes temos inclusos desde o Mago e Clérigo comuns do sistema revisitados (há pequenas alterações nas classes), até classes com conceitos bem conhecidos como o Elven Swordmage (que nada mais é que um elfo guerreiro/mago) e o Necromante, até classes bem mais incomuns como o Fleshcrafter (um mago focado em alterar corpos), o Merchant Prince (um bardo/mago especializado em comércio), e o Unseen (um tipo de assassino místico).

Esse é disparado o capítulo mais interessante do livro, com classes com conceitos bem definidos, mecânicas simples mas bastante adequadas ao conceito, e sem necessitar alterar muito a mecânica básica de magia vanciana.

O segundo capítulo traz todas as magias presentes nas listas das classes do capítulo 1. E isso inclui todas as magias presentes no livro básico de Labyrinth Lord mais algumas magias novas. A “repetição” das magias do livro básico aqui tem uma razão prática: Dyson Logos rearranja as magias arcanas em 10 círculos, ao invés dos tradicionais 9. Estes dois primeiros capítulos são os maiores e ocupam 120 das 160 páginas do livro.

O terceiro capítulo trata de itens mágicos, não só trazendo itens novos, mas também introduzindo umas poucas novas classificações e categorias de itens.

O quarto capitulo fala sobre monstros, mais especificamente, elementais (com uma excelente tabela de variação de subtipo para cada um dos elementais), e uma nova criatura chamada Flesh Beast, que pode ser criada pelos Fleshcrafters.

Por fim, o quinto e último capítulo traz informações sobre como adaptar as regras apresentadas no livro para o Labyrinth Lord Advanced Edition Companion.

Apesar de ser escrito tendo em vista o Labyrinth Lord, o material presente em Magic Theorems & Dark Pacts pode ser facilmente adaptado para qualquer retroclone do D&D (e para boa parte das edições do D&D também). As regras criadas para cada classe são simples e elegantes, e dificilmente irão desbalancear qualquer jogo.

No geral, achei um bom material, cheio de boas inspirações. Se você gosta de retroclones do D&D e tem interesse em modos diferentes de tratar a magia em seu jogo, sugiro dar uma olhada nesse livro.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Resenha: Combates Dinâmicos

Combates Dinâmicos é um suplemento para Old Dragon, de autoria de Lucas Silva e publicado pelo selo Moostache Books (o braço editorial do Moostache). Trata-se de um livro virtual, vendido apenas em PDF através da loja virtual da Redbox.

Assim sendo, há pouco o que falar sobre "características físicas" neste caso. Com suas 12 páginas e apenas duas ilustrações, é um livro que vai direto ao ponto. Os erros tipográficos são poucos, a diagramação é simples e adequada, e a capa, apesar de bonita, não ajuda muito a estimular a imaginação nem passa muito bem a ideia do que vai se encontrar no interior do produto (eu achei que ia encontrar um monte de regras e cálculos no livro, mas não é nada disso).

Como a própria introdução do livro diz, Combates Dinâmicos "destina-se aos mestres e jogadores, amantes do inesperado em seus jogos de RPG, que vibram com batalhas desafiantes e perigosas surpresas".
Em essência, o livro trata-se de uma coleção de tabelas de eventos aleatórios que podem ocorrer durante uma batalha (mas nada impede que estes eventos sejam utilizados em outros tipos de encontro), e servem para tornar as coisas mais interessantes.

O suplemento traz algumas opções simples de como utilizar as tabelas, desde o "escolha um evento adequado e use quando achar melhor" ao "aleatoriedade total", e divide os eventos de acordo com o tipo de terreno onde se dá o encontro (cavernas, floresta, pântanos, cidades, montanhas, deserto e ambiente glacial). Cada evento traz atrelado a si uma mecânica que pode ser utilizada para apimentar o combate, caso o mestre deseje fazê-lo.

Por fim, fechando o livro, há uma nova criatura, o verme do deserto, que parecerá bem familiar para os fãs de O Ataque dos Vermes Malditos e Duna.

Qualitativamente falando. eu só vejo dois problemas neste suplemento: alguns dos termos utilizados e a entrada número 6 de cada uma das tabelas

Em relação ao primeiro problema, em algumas situações os termos utilizados para descrever os eventos soam um pouco confusos. Nada que um jogador de RPG experiente não consiga entender, mas que pode causar algumas dúvidas para jogadores iniciantes. Mas não chega a ser algo que realmente atrapalhe o uso do material ou afete demais a qualidade deste.

No que tange à entrada 6 das tabelas, cada uma das 7 tabelas do livro traz 6 entradas (uma rolagem de 1d6), mas a última entrada de todas as tabelas é "nada acontece". Considerando que segundo as opções sugeridas de como utilizar as tabelas de eventos é apenas em algumas rodadas que se rola na tabela (talvez apenas uma vez no combate), não vejo muito sentido em haver a possibilidade de cair um evento que resume-se a não haver evento algum. De certa maneira, isso apenas reduz um pouco o número de boas ideias de eventos que o livro poderia conter.

Mas fora isso, o livro é bom, com algumas boas ideias que podem ser facilmente implementadas em suas aventuras e que podem tornar os encontros bem mais empolgantes. Outro ponto forte do livro é que, apesar de ser voltado ao sistema Old Dragon, é facilmente adaptável ao D&D ou a qualquer retroclone ou retrogolem do RPG original. E com um pouco mais de trabalho, é mesmo adaptável a qualquer RPG - na verdade eu estou pensando seriamente em utilizar esse suplemento nos combates da minha campanha de Legends of the Five Rings.

Em minha avaliação final, por apenas R$ 2,99, Combates Dinâmicos é um suplemento que vale muito a pena em seu custo-benefício, e que pode ser capaz de dar aquele toque a mais que você estava procurando para os combates de suas partidas de RPG.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Resenha: Marcadores e Tabuleiros do Mercado RPG

Mercado RPG O Mercado RPG é uma loja virtual brasileira de miniaturas e acessórios para RPG que já existe a algum tempo, mas re-estreou com um site novo esta semana, após ficar algum tempo fora do ar para essa reformulação.

O forte da loja são miniaturas, mas para aqueles que gostam de customizar suas miniaturas, eles também estão com um bom catálogo de bases, pincéis e tintas importadas.

Além disso, o Mercado RPG está com uma linha de marcadores (os ditos tokens) e tabuleiros (os famosos tiles), que são uma opção interessante para quem quer dar um pouco mais de “cor” a seus jogos mas não tem muita grana para gastar com miniaturas e peças de cenário 3D. E é destes acessórios que se trata esta resenha.

Primeiro vamos falar dos tabuleiros. Os tabuleiros tratam-se de ilustrações de uma localidade com um grid quadriculado sobre ela.  Todos os mapas são do mesmo tamanho: 10 quadrados por 15 quadrados (25cm x 37,5cm).

Marcadores (1) Um dos tabuleiros, representando um acampamento noturno.

Os quadrados do grid são do tamanho padrão adotado pelo D&D (2,5cm) e a qualidade das ilustrações é muito boa, mas a linha ainda carece um pouco de variabilidade (no momento só existem 4 tipos de mapas, e todos de áreas rurais).

Marcadores (8) As miniaturas oficiais de D&D são exatamente na mesma escala que estes tabuleiros.

O material dos tabuleiros é um tipo de foam core bem fino, mas bastante resistente, com a ilustração laminada sobre ele, com acabamento brilhante. Em minha opinião o material é bastante adequado, e forte o suficiente para aguentar diversas batalhas sobre ele. Só senti falta de haver um tabuleiro com piso de dungeon (só o piso mesmo, sem paredes ou corredores desenhados), o que seria bem útil.

Marcadores (5) A miniatura no tabuleiro, em uma visão de cima.

O preço também é bem razoável: R$ 22,00 cada tabuleiro, o que torna eles uma opção bastante acessível.

Agora vamos falar dos marcadores. Para quem não conhece, os marcadores são basicamente peças circulares com uma imagem ilustrando o tipo de criatura ou personagem de que se trata.

Marcadores (15) Um dos kits de marcadores, representando mind-flayers, grimlocks, e um umber hulk.

Os marcadores do Mercado RPG são discos de acrílico transparente, com a superfície levemente convexa, e uma ilustração daquilo que ele representa em seu interior. Sim, eu não disse em sua superfície, mas em seu interior! Isso confere aos marcadores um aspecto muito bonito e grande durabilidade.

Marcadores (11) Os marcadores dispostos sobre o tabuleiro.

Os marcadores das criaturas de categoria de tamanho médio e grande são levemente maiores que as bases das miniaturas de criaturas médias e grandes oficiais, mas trata-se de uma diferença muito pequena.

Marcadores (16) Uma comparação de tamanho entre os marcadores e as miniaturas oficiais de D&D.

A maior falha da linha de marcadores, na minha opinião, consiste de que só existem marcadores nestes dois tamanhos: médios e grandes. Não há marcadores para criaturas de categoria de tamanho pequeno, ou mesmo enormes e colossais. Até mesmo os marcadores de goblins são de tamanho médio.

A disponibilidade de tipos de marcadores, ainda que não cubra todas as opções de um jogo tradicional de fantasia, é bem grande. Temos aventureiros, animais, orcs, goblins, ogros, drows, bugbears, etc. Esperemos que esta linha cresça ainda mais no futuro, para cobrir as lacunas que faltam.

Quanto ao preço, cada kit sai por R$ 25,00, o que faz com que um marcador de criatura de tamanho médio saia por cerca de R$ 2,50 – muito abaixo do preço médio atual de uma miniatura plástica pré-pintada.

Marcadores (12) O tabuleiro com os marcadores, visto por cima.

Minha conclusão final é a de que o material é muito bom, principalmente os marcadores, que achei incrivelmente bonitos e práticos (você pode colocar um bom punhado deles em um saco de tecido e levá-los para onde quer que você vá jogar, sem dificuldade), e trata-se de uma boa opção a quem gosta de um combate mais tático mas não quer gastar muito com miniaturas.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Resenha: Guidebook to the City of Dolmvay

Dolmvay Trago hoje algumas informações sobre um material muito legal, em inglês, cujo PDF está sendo vendido na RPGNow através do sistema Pay What You Want (isto é, você pode pagar quanto quiser pelo livro, incluindo não pagar nada, ou então, pegar de graça, ler, e depois voltar no site e comprar novamente pagando quanto você achar que o livro vale).

Escrito por Peter C. Spahn e produzido pela Small Niche Games, Guidebook to the City of Dolmvay é um suplemento de 223 páginas escrito para o cenário Chronicles of Amherth, utilizando as regras de Labyrinth Lord.

Financiado coletivamente através do Kickstarter, o suplemento é quase todo OGL, exceção a uns poucos nomes e termos que fazem referencia direta ao cenário de Chronicles of Amherth.

Como o próprio nome diz, o livro descreve em detalhes uma cidade, Dolmvay, que é a clássica metróple medieval murada e portuária. Apesar de ser voltada para um cenário em específico, é muito fácil realizar adaptações para incluir a cidade de Dolmvay em qualquer outro cenário, ou então utilizá-la sozinha como o ponto de partida para uma campanha em cenário próprio. Como atestado no próprio livro, o mundo de Amherth, para o qual a cidade foi criada, é um cenário bastante low-fantasy e low-magic, e a cidade de Dolmvay reflete bem isso.

Outro ponto alto é que o sistema utilizado nas descrições é o Labyrinth Lord, um dos retro-clones mais fáceis de se adaptar para qualquer outro sistema D&D-like, como o próprio Dungeons & Dragons ou o brasileiro Old Dragon, por exemplo.

O livro inicia-se apresentando os temas e ideias sobre os quais o cenário e a cidade foram construídas, como a ancestralidade da região (a cidade foi construída sobre as ruínas de diversas outras civilizações), os semi-humanos como minorias, como a magia é temida, o conflito entre Ordem e Caos, a luta dos nobres pelo poder, e o papel dos aventureiros como heróis. Já o segundo capítulo trata diretamente sobre aventuras na cidade de Dolmvay, trazendo várias ideias para ganchos e temas de aventuras na região.

Em seguida começa a descrição da cidade em si, primeiro de sua história, e logo após a descrição geográfica propriamente dita. Detalhes sobre a lei, sistema de governo, religião, comércio, calendário, população, costumes, dia-a-dia, etc., tudo isso é dado com uma quantidade adequada de detalhes. Chamou-me particularmente a atenção uma tabela com 100 rumores sobre a cidade, que podem ser facilmente usados para iniciar ganchos de aventuras.

Seguido desta parte mais política e cultural, inicia-se a descrição de cada distrito da cidade (o que inclui um gueto semi-humano), com sua aparência, construções, estabelecimentos e NPCs importantes. Nesta parte, algumas homenagens à comunidade OSR na blogosfera são feitas no livro, como a loja de livros e mapas Dyson's Delve, ou a Tenkar’s Tavern. Há também um mapa bastante bom da cidade como um todo.

Após a descrição da cidade, há um capítulo descrevendo os tipos de comércio e negócios mais comuns na cidade, e um outro dedicado inteiramente a tavernas e estalagens, muito bom para o mestre que precisa criar um destes estabelecimentos às pressas, seja na cidade de Dolmvay, ou em qualquer outro local no mundo de jogo.

Segue-se um capítulo sobre encontros na cidade, com ideias e tabelas de encontros aleatórios tanto genéricos para a cidade inteira, como encontros especiais, divididos por distrito, e que servem tanto como uma forma de adicionar detalhes a uma sessão de jogo, quanto para criar novos ganchos de aventuras.

Após este longo capítulo, temos um capítulo com novos exemplares de flora e fauna, isto é, plantas nativas da cidade úteis aos aventureiros, e novos monstros que podem ser adicionados ao repertório do Labyrinth Lord (com uma menção especial aos excelentes Deceiver e Loskath!).

Encerrando o livro temos 5 apêndices. O Appendix 1: The Valenon descreve uma cidade-estado murada existente dentro da cidade de Dolmvay; uma teocracia regida pelo High Lawlord, o líder da Church of Law and Order, de certa forma bastante similar ao Vaticano do mundo real. Este capítulo também descreve os costumes, crenças e regras da igreja em questão, assim como a relação desta fé com serviços de cura mágica e ressureição no cenário.

O Appendix 2 descreve a guilda de aventureiros da cidade e tudo o que ela pode oferecer aos personagens jogadores. Já o Appendix 3 é reservado aos misteriosos esgotos da metrópole; construídos com uma mística e estranha tecnologia ancestral, eles estão sempre mudando e alterando-se e funcionam como uma espécie de dungeon semi-pronta para ser o palco de diversas aventuras.

O Appendix 4 traz diversas tabelas e guias para a criação rápida de NPCs bastante detalhados, além de incluir boas regras para a criação e utilização de personagens de nível 0. Por fim, o Appendix 5 trata de tesouros em geral, com diversas tabelas para a rolagem aleatória destes.

É um material muito bom, descrevendo uma cidade bastante grande e interessante, com muitos detalhes e ainda assim deixando bastante espaço para o mestre criar à vontade. Se você está procurando um mini-cenário urbano pronto, ou uma grande metrópole para ser a base de operações dos personagens de seu grupo de jogo, ou apenas inspiração para criar sua própria grade cidade de fantasia medieval, recomendo fortemente dar uma olhada no Guidebook to the City of Dolmvay.

sábado, 16 de novembro de 2013

Resenha: Pathfinder Battles – Skull & Shackles

A alguns meses atrás, mais especificamente em Agosto, a Paizo lançou uma série de suas miniaturas plásticas pré-pintadas (as Pathfinder Battles) intitulada Skull & Shackles.

Lançada para acompanhar o Adventure Path de mesmo nome, Skull & Shackles é uma coleção de miniaturas totalmente voltadas para o tema “aventuras marítimas”.

Skull & Shackles 013 Os boosters de Skull & Shackles

Na ocasião eu adquiri um brick de boosters (32 miniaturas randomicas) ainda na pré-venda. Eu geralmente não faço isso, mas sendo miniaturas voltadas a aventuras marítimas uma coisa não tão comum de se encontrar em miniaturas plásticas pré-pintadas, e considerando que achei praticamente todas as miniaturas da coleção muito bacanas, não resisti.

No fim, acho que dei muita sorte ao comprar o brick fechado, porque das 32 miniaturas, apenas 3 vieram repetidas. E destas, todas são perfeitamente utilizáveis em grande número (uma stirge genérica, um homem-tubarão e um homem-rato).

Para a preciação de vocês, tirei fotos de todas as miniaturas que vieram nos meus boosters:

Skull & Shackles 014 Tubarões! A muito tempo que eu queria miniaturas de tubarões para acompanhar meus sahuagins!

Skull & Shackles 015 Há uma variedade razoável de piratas e marinheiros na coleção.

Skull & Shackles 016Os licantropos da coleção também são bem legais. 

No que diz respeito à qualidade das miniaturas em si, não há muita novidade aqui. Como eu já comentei na resenha anterior, as miniaturas combinam perfeitamente em escala e estilo com as descontinuadas miniaturas plásticas D&D Miniatures.

As esculturas são em geral muito boas e bastante detalhadas, e a qualidade da pintura é bastante impressionante para uma coleção de miniaturas pré-pintadas. Há inclusive uma miniatura em especial de uma personagem do Adventure Path que possui um mapa tatuado no corpo, que foi perfeitamente reproduzido em sua miniatura:

Skull & Shackles 020O detalhe da magia na mão esquerda ficou muito bonito. 

Skull & Shackles 019 Mas o mapa tatuado no corpo é o verdadeiro charme dessa miniatura!

Em resumo, a Paizo vem conseguindo manter a qualidade em sua coleção de miniaturas plásticas pré-pintadas, e até melhorando em alguns casos. Esta coleção em particular está repleta de miniaturas úteis e até necessárias para uma boa aventura marítima (ela tem tubarões!). Se alguém me perguntasse, eu diria que a coleção Skull & Shackles é uma que vale a pena comprar, sem arrependimento. Eu não me arrependi!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Resenha: Reaper Bones Miniatures

Com o Reaper Bones Kickstarter 2 entrando em suas últimas 48 horas, nada melhor do que resenhar esta coleção de miniaturas para que aqueles que ainda não decidiram se vão participar ou não tenham mais alguns argumentos para tomar sua decisão.

Como vocês sabem, eu participei do primeiro Kickstarter da série Bones, mas mesmo antes daquelas miniaturas chegarem eu também adquiri algumas peças lançadas anteriormente nesta linha de minaituras.

As miniaturas, fora do financiamento coletivo, são vendidas em blisters individuais, ou em caixas quando são muito grandes para isso. Me pareceram embalagens muito boas e adequadas para proteger as miniaturas durante o transporte.

Reaper Bones Os blisters com as miniaturas.

O nome da série vem da cor branca do material utilizado na maioria das miniaturas (em todas não translúcidas, na verdade). Este material é um polímero plástico, aparentemente um tipo de PVC que segundo a embalagem é feito de 10% de material reciclado.

O material ainda tem o mesmo problema das D&D Miniatures, que faz com que algumas miniaturas entortem no transporte, principalmente nas armas, mas sendo um termoplástico isso pode ser resolvido com o uso de água quente e água gelada.

Este plástico, apesar de não aparentar, é bastante poroso, o que facilita em muito a pintura das peças, e segundo a propaganda da própria Reaper e o ateste de alguns pintores profissionais, permite que as miniaturas não precisem de primer e que a tinta tenha muita aderência e não descasque com facilidade. É aconselhado inclusive a não se utilizar verniz nestas peças. Ainda tenho de pintar as minhas para testar.

Quanto à resistência do material, chega a ser um pouco estranho. O plástico é maleável, e bem fácil de cortar (percebi isso retirando algumas linhas de molde), o que faz estas miniaturas ideais para realizar modificações (e a Reaper afirma que o material não reage com super-bonder, o que é excelente). Ao mesmo tempo, as miniaturas não são moles como eu pensei que seriam, na verdade são bem resistentes e não deixam nada a desejar às D&D Miniatures (na verdade, parecem até mais resistentes).

Reaper Bones (2) Algumas das miniaturas que comprei fora do financiamento coletivo.

A qualidade das esculturas é muito boa, o que eu nunca duvidei, visto que as miniaturas de metal da Reaper são algumas das melhores e mais detalhadas que existem, e as Bones utilizam os mesmos moldes destas.

Mas é claro que plástico tende a não aceitar os detalhes tão bem quanto liga metálica. No entanto, o Bonesium (o apelido dado ao material destas minituras) é surpreendente! Os detalhes quase não se perdem nas miniaturas, apenas as menores e mais delicadas partes perdem algum detalhe, como algumas feições das miniaturas com cabeças menores, ou coisas realmente pequenas como os dentes na boca de um orc. Ainda assim, o detalhe das peças é incrivelmente superior ao das D&D Miniatures e mesmo ao das Pathfinder Battles.

Reaper Bones (3) Uma comparação de escala com as D&D Miniatures.

No que diz respeito à escala, as Bones usam oficialmente o que a fabricante chama de 25mm Heroic Scale. Isso quer dizer que elas são na mesma escala que as D&D Miniatures e a maioria das outras grandes fabricantes (ou seja, 25mm). Mas o “heroic scale” indica que apesar de não serem de fato maiores, elas tendem a ser mais “encorpadas”, figuras corpulentas, com as proporções algumas vezes distorcidas e armas um pouco grandes demais em alguns casos; basicamente, bastante similar a miniaturas de Warhammer.

Reaper Bones (13) Uma comparação de escalas das Bones entre si.

Entretanto, apesar de serem em geral 25mm, as escalas das miniaturas são um pouco bagunçadas. Algumas miniaturas de criaturas grandes como o ogro ou o minotauro são bem maiores que uma miniatura média 25mm, mas um tanto menores que as miniaturas large das D&D Miniatures. Em compensação, a série conta com peças realmente massivas, como o esqueleto gigante e o Cthulhu, isso sem falar no verdadeiramente gigantesco dracolich Khaladrax.

Se você não for um colecionador compulsivo por escalas perfeitas, acredito que isso não afete em nada a utilidade das miniaturas em conjunto com peças de outras fabricantes. Eu sei que eu não ligo pra isso desde que em termos gerais as miniaturas representem o tamanho relativo das criaturas, e nisso acho que cumprem o seu papel.

Para finalizar, minha opinião é que as Bones são uma grande linha de miniaturas, consideravelmente mais baratas que as peças de metal, mas fáceis de guardar e provavelmente de pintar, e com uma boa variedade de esculturas muito bem detalhadas.

É uma pena que no Brasil elas sejam ainda bem caras, mas os financiamentos coletivos da Reaper tem sido uma boa oportunidade para adquirir uma grande quantidade delas por um preço mais em conta.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Resenha: Goblins em Campanha

capaGeC Goblins em Campanha é o primeiro livro físico publicado pela editora Unza RPG, mas também está disponível em versão PDF. Escrito por Rafael Beltrame e ilustrado por Diego Madia, trata-se de um suplemento para Old Dragon que traz regras para jogar com personagens goblins.

O livro tem 34 páginas, em formato A5 (compatível com os demais produtos para Old Dragon) e papel fosco. O texto é organizado em duas colunas, e as ilustrações são em preto e branco, simples mas adequadas ao conteúdo.

Dividido em 7 capítulos, o primeiro capítulo do livro, intitulado “Origens”, traz uma breve explanação sobre os mitos dos goblins. O ponto alto aqui é que o livro traz uma mitologia totalmente nova, original, para os goblins. O ponto ruim é que este capítulo possui apenas uma página, não se aprofundando tanto quanto poderia na história, religião e cultura comum desta raça torpe.

O capítulo seguinte é a respeito da criação de personagens, e é, em minha opinião, onde o livro mostra a que veio. Sendo uma raça “inferior” aos humanos, há todo um sistema diferenciado para a geração dos atributos. Sendo ainda um sistema de geração aleatória, resulta em valores máximos mais baixos. Temos então 3 classes específicas para goblins: Guerreiros, Xamãs e Gatunos. Estas classes são designadas para reforçar os estereótipos mais clássicos da raça, e possuem avanço até o 4º nível apenas, afinal goblins não são criaturas muito poderosas. No entanto, é importante notar que não é nada difícil usar as 4 classes básicas do OD com as regras deste livro, criando goblins homens-de-armas, clérigos, magos e ladrões.

Nesse capítulo há um erro de impressão nesta primeira tiragem, pois as tabelas de evolução da classe xamã e gatuno saíram erradas, mas já há uma errata disponível que oportunamente resolve esse problema.

O terceiro capítulo trata da evolução dos personagens, com um sistema simples relacionando o nível de personagem com o status do goblins dentro de seu clã. Há também regras adicionais de ganho de XP para personagens goblins relacionadas à cultura desse povo, como ganho de experiência por valor de saques, elevar o nome do clã, e não perder companheiros de tribo.

gobliminternoO quarto capítulo discorre sobre as tribos goblins, sua importância na vida de um goblin, sua estrutura e hierarquia, e uma breve menção ao Rei dos Goblins. Esse capítulo traz ainda uma divertida tabela para criação aleatória de nomes para as tribos goblins (mas que pode tranquilamente ser usada para orcs, hobgoblins, gnolls, bugbears...).

O capítulo “Equipamentos” traz alguns equipamentos novos e regras para equipamentos de qualidade inferior, que são tratados como o tipo padrão de equipamento dos goblins.

O penúltimo capítulo, “Campanhas”, é um pequeno resumo com idéias e sugestões para jogos onde os jogadores representem apenas goblins, envolvendo sua interação com suas tribos.

Por fim, há uma aventura: “A Grande Fuga Goblin”. Apesar de se tratar de uma aventura bastante simples, consistindo da fuga de prisioneiros do covil de um ogro, a aventura é perfeita para jogadores iniciantes e tem espaço para bastante improvisação, tanto por parte dos jogadores quanto do mestre.

Há ainda uma planilha customizada para o suplemento, que também pode ser baixada gratuitamente no site da Unza, e quem adquire o livro recebe também uam folha em PDF com miniaturas de papel de goblins para usar em seus jogos.

De modo geral, é um livro bastante interessante, e as regras para montagem de personagens goblins são bem diferentes do padrão e trazem algumas boas idéias. Mesmo assim, não chega a ser um livro imprescindível. A fonte é grande e o texto é bem espaçado, o que mostra que com bem pouco esforço (exceto por parte do autor, óbvio) o livro poderia trazer mais conteúdo nas mesmas 34 páginas.

Ainda assim, com todos seus defeitos, tratando-se do primeiro lançamento de uma editora nova e pequena como a Unza, a qualidade do produto impressiona. Estou aguardando pelos próximos produtos físicos da editora na esperança que essa qualidade se mantenha.

Se você não tem nenhum interesse em tratar goblins como mais do que meras buchas-de-canhão de 1 DV, esse livro não é pra você. Agora, caso você queria usar goblins como raças de jogadores e não tenha tempo ou paciência para criar vocês mesmo as regras para isso, ou se você deseja opções para deixar os goblins que seus jogadores enfrentarão ainda mais perigosos, talvez Goblins em Campanha seja exatamente o livro que você procura.

domingo, 29 de abril de 2012

Resenha: Pathfinder Miniatures

Não é novidade para ninguém que a Paizo lançou uma linha oficial de miniaturas para o jogo Pathfinder. Essa linha segue o mesmo modelo de miniaturas plásticas pré-pintadas que existiam para o D&D até terem sua produção descontinuada.

As miniaturas plásticas de Pathfinder são fabricadas pela Wizkids, a mesma empresa responsável pelas linhas Mage Knight e Heroclix, e são confeccionadas no mesmo termoplástico das D&D Miniatures, e pintadas à mão.

Apesar dessas miniaturas de Pathfinder já existirem desde meados de 2011, aqui no Brasil parece que elas ainda não chegaram com toda a força das miniaturas de D&D.

Até o momento existem 3 coleções na linha de miniaturas:

- Pathfinder Beginner Box Heroes Miniatures Set
- Pathfinder Battles: Heroes & Monsters
- Pathfinder Battles: Champions of Evil Encounter Pack


Uma quarta coleção, Pathfinder Battles: Rise of the Runelords , está em pré-venda e deve ser lançada em breve.

Então, recentemente comprei algumas peças dessa nova linha e trago para vocês minhas impressões sobre o produto. As miniaturas que adquiri foram das duas primeiras coleções Beginner Box Heroes e Heroes & Monsters.

A primeira coleção trata-se apenas de um set com os 4 personagens icônicos presentes no Pathfinder Beginner Box: uma mago humano, uma clériga humana, uma elfa ladra, e um guerreiro humano.

As miniaturas vem em um blister absurdamente grande para comportar apenas 4 figuras:

beginner_box_heroes_front1 Foto tirada do blog Iron Tavern. Eu tentei tirar uma eu mesmo, mas a iluminação da minha casa não colaborou.

Como eu não gostei da figura da ladra e adquiri as peças de um revendedor, comprei apenas as outras 3 figuras. Inicialmente não estava muito empolgado com as miniaturas, mas quando elas chegaram me impressionei. As miniaturas são exatamente na mesma escala que as miniaturas das coleções do D&D, as esculturas são bastante detalhadas para miniaturas plásticas, e a pintura das peças é muito bem feita se comparada às miniaturas de D&D Miniatures ou de Mage Knight.

Miniaturas Pathfinder (2) Ezren, Kyra e Valeros de frente…

Miniaturas Pathfinder (3) … e de costas. Percebam os detalhes de pintura.

Além dessas, adquiri algumas peças da coleção Heroes & Monsters, que são vendidas em boosters individuais. Não gostei muito da forma de venda dessa coleção, que deve ser repetida nas coleções vindouras, já que os boosters são fechados e aleatórios. Ao menos eles são individuais e os revendedores podem ser legais e deixar você abrir as caixinhas pra escolher!

Miniaturas Pathfinder (4) Os booster individuais de Heroes & Monsters.

Dentro de cada booster as miniaturas vem protegidas por uma estrutura de plástico que impede a miniatura de chacoalhar dentro da caixa. Miniaturas médias vem sozinhas, e miniaturas pequenas vem em par dentro dos boosters.

Miniaturas Pathfinder (6)As miniaturas vem bem protegidas dentro dos boosters. 

Do mesmo modo que as minis do set inicial, as esculturas são bem feitas e a pintura é acima do padrão para miniaturas plásticas pré-pintadas. Obviamente, o design de algumas figuras é diferente do  comum, já que representam o padrão estético do Pathfinder. É o caso dos goblins, por exemplo, que pouco lembram os goblins de D&D, mas servem perfeitamente para representar os goblyns de Ravenloft!

Miniaturas Pathfinder (8) Algumas das miniaturas da coleção Pathfinder Battles: Heroes & Monsters.

No ambito geral, são miniaturas bem esculpidas e bem pintadas para miniaturas plásticas. As figuras escolhidas para compor os set também colaboram com os mestres, pois há bastante monstros comuns de aparecerem nos jogos. Em resumo, é um excelente substituto para os órfãos do D&D Miniatures.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Resenha: O Forte das Terras Marginais

OFdTM cover Se tem algo que já deveria ter aparecido por aqui a muito tempo é a resenha da aventura O Forte das Terras Marginais.

O Forte das Terras Marginais é a primeira aventura oficial comercializada para o Old Dragon pela Redbox Editora. Esta aventura é uma homenagem à clássica aventura de BD&D Keep on the Borderlands, de Gary Gygax, e foi escrita pelo multitarefa, polivalente, prolífico, e onipresente blogueiro, entrevistador, professor, humorista, artista plástico e marcial, historiador da TSR, ator, modelo e manequim, Rafael Beltrame.

Primeiro, vamos falar da parte física do livro. Com 60 páginas, em papel fosco, no formato A5 já padrão da linha Old Dragon, ele possui uma capa colorida com ilustração de Daniel Ramos inspirada na capa original de Keep on the Borderlands, e encadernação com grampos. O interior do livro é todo em preto e branco, com ilustrações internas também de Daniel Ramos.

Há alguns erros tipográficos no texto que incomodam um pouco na hora da leitura, mas não chegam a comprometer o aproveitamento ou a qualidade da aventura em si. O erro mais grave em minha opinião é que na descrição de ao menos uma das salas não há menção a criaturas, mas a presença de uma “caixa de estatísticas” utilizada pela aventura como um sistema de descrever as criaturas encontradas pelos aventureiros no desenrolar do jogo denuncia o equívoco.

Nestas “caixas de estatísticas” constam as quantidades das criaturas, suas habilidades, e quadradinhos para se contabilizar seus pontos de vida. A idéia é muito boa e facilita bastante a visualização, mas confesso que eu nunca iria riscar meu livro para marcar o dano levado pelos monstros. Já na impressão do PDF, quem sabe.

old-dragon-o-forte-das-terras-marginais-prev2Exemplo dos mapas e caixas de estatísticas da aventura.

O livro começa com um curto texto explicativo sobre o que é RPG, e também sobre o que é o modo Old School de jogar RPG, e como se mestra uma aventura. Isso faz de O Forte das Terras Marginais a companhia ideal do módulo básico do Old Dragon para jogadores iniciantes. Só então é que inicia-se a aventura propriamente dita.

Apesar de ser inspirada em Keep on the Borderlands, O Forte das Terras Marginais não é uma simples versão ou tradução da aventura de 1979. A idéia geral é a mesma: um posto-avançado da civilização em meio ao ermo, uma área selvagem a ser explorada em torno, e uma série de cavernas habitadas por diversas criaturas humanóides. Mas fora isso e um ou outro ponto em comum, a aventura tem sua própria personalidade e muitos elementos que não estão presentes em sua musa-inspiradora.

Além do mapa do forte citado no título da aventura, há um mapa da região ao entorno, com a descrição de alguns encontros pré-determinados, mas deixando muito espaço a ser preenchido pelo mestre caso ele assim deseje. Cada uma das cavernas (coletivamente chamadas “Cavernas da Escuridão”) é também descrita acompanhada de um mapa de seu interior. E aqui talvez esteja um outro ponto fraco da aventura: não há um mapa com a localização relativa de cada uma das cavernas em relação à outra. É verdade que essa opção é feita no intuito de dar liberdade ao mestre ao descrever o local, mas é algo que gera um pouco de confusão para o mestre iniciante, e considerando que esta é a primeira aventura comercializada para o Old Dragon, e o texto inicial do livro, isso não é muito bom.

O Forte é uma aventura baseada em locais a serem explorados, portanto não há nenhum grande plot ou background pré-definido na história. É também uma aventura de estrutura bastante simples, idealizada para personagens de níveis iniciais. No entanto, não pense que isso faz dela uma aventura simplória. O desenrolar da mesma pode ser tão complexo quanto o mestre desejar, e os desafios nela presentes apresentam-se bem mortais para jogadores pouco cuidadosos ou impulsivos. Inclusive vale ressaltar que o autor mostrou-se muito hábil na criação e uso de armadilhas e outros desafios de cenário dentro da aventura.

Por fim, o livro trás em suas últimas páginas um apêndice que visa facilitar a vida dos mestres, com estatísticas prontas para NPCs ajudantes, estatísticas de todas as criaturas presentes na aventura, e 5 fichas de personagens prontos.

É um livro bonito, com uma aventura inspirada e divertida, e também uma grande homenagem ao trabalho original de Gary Gygax. Se você joga Old Dragon, ou qualquer outro jogo compatível com o sistema do D&D e está procurando uma aventura inicial para seu grupo, vale a pena dar uma olhada em O Forte das Terras Marginais.

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