terça-feira, 20 de outubro de 2015

Tecnologia Medieval: Sunstone

Uma pedra do sol, mais conhecidas como sunstone em inglês) ou sólarsteinn (como é chamada em islandês), é um misterioso artefato de qualidades quase místicas que talvez fosse utilizado pelos vikings como um instrumento de navegação.

Provavelmente era assim que se pareceria uma sunstone.

A pedra do sol é citada em ao menos dois textos medievais, e nestes ela demonstra uma habilidade quase mágica: quando segurada no alto, o misterioso artefato irradiava luz e tornava possível localizar a posição do Sol mesmo em um dia completamente nublado.

Isso seria apenas mais um objeto mágico, algo tão comum aos contos e lendas nórdicos, não fosse o fato de que diversos inventários de mosteiros e igrejas medievais trazem pedras do sol listadas entre os objetos possuídos por estas organizações. Infelizmente, nenhum inventário detalha do que se trata efetivamente estas pedras do sol.

Desde meados dos anos 1960 pesquisadores propõem que estas "pedras místicas" de fato existiram, e que tratariam-se de cristais capazes de polarizar a luz, o que permitiria encontrar a posição do Sol mesmo em um dia nublado.

Mas apenas no ano de 2002 é que surgiu a primeira evidência que pode vir a desvendar completamente o mistério das pedras do sol: um cristal romboide foi encontrado em um barco inglês naufragado no ano de 1592, e pela posição em que foi encontrado, provavelmente ele era guardado juntamente aos demais instrumentos de navegação do navio.

O cristal trata-se de um pedaço de espato da islândia, uma variedade transparente de calcita que, não por acaso, é relativamente abundante na Islândia, uma ilha colonizada por vikings. Este cristal refrata a luz de modo a formar uma imagem dupla daquilo que se vê através dele, assim como cria uma miríade de variações de cores, brilhos e intensidades na luz conforme a pedra é rotacionada. No entanto, existe uma posição em que se enxerga uma única imagem através da pedra.

Um pedaço de espato da islândia.

Segundo estudos recentes, utilizar uma sunstone para determinar a posição do Sol é relativamente fácil, mas não se tem certeza de qual método os vikings utilizavam.

Uma das teorias diz que rotacionando o cristal até encontrar a posição em que se enxerga uma única imagem, saberia-se que a pedra do sol estava orientada na direção leste-oeste, e assim, um navegador poderia utilizar o objeto para se orientar mesmo que o Sol não estivesse visível.

Outra versão diz que um ponto era pintado na pedra, e observando-se esse ponto pelo lado oposto do cristal, quando as duas imagens visíveis tivessem a mesma intensidade e nitidez, era nessa direção que estaria o Sol. E há ainda técnicas um pouco mais complexas que talvez possam ter sido utilizadas.

Seja qual for a técnica, ela é capaz de funcionar em qualquer momento em que haja luz do Sol, ainda que o céu esteja totalmente encoberto por pesadas nuvens de chuva ou neve, e mesmo nos momentos em que o Sol está abaixo da linha do horizonte - como nos infindáveis crepúsculos dos longuíssimos invernos do círculo ártico.

De acordo com alguns estudos, esta técnica permitia definir os pontos cardeais com uma precisão incrível, com menos de 5 graus de diferença. No meio do oceano sem nenhum ponto de referência à vista, e em um local e época nos quais bússolas magnéticas não eram dominadas, as pedras do sol de fato eram um instrumento indispensável com habilidades quase mágicas.

Uma pedra do sol dentro de um Vegvísir.

Vale lembrar que apesar disso tudo, nenhuma pedra do sol jamais foi encontrada em escavações de assentamentos vikings, mas como era comum cremarem seus mortos com seus pertences, é possível que nenhum cristal de espato da islândia tenha se mantido intacto - e de fato, alguns fragmentos desse mineral já foram encontrados, mas não se sabe se eram pedaços de uma pedra do sol ou se eram utilizados para algum outro fim.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O Ídolo da Semana

Outra semana, outro ídolo:

A imagem acima é uma propaganda do HackMaster GameMaster's Shield e da aventura Little Keep on the Borderlands, que apareceu na revista Dragon nº 295, em Maio de 2002.

sábado, 17 de outubro de 2015

Promoção de Halloween da Neoplastic Press

Rafael Chandler decidiu colocar todos os títulos da editora Neoplastic Press em promoção na RPGNow e DriveThruRPG até o final de outubro. Durante esse período, todos os livros estarão no modo PWYW (Pay What You Want - ou seja, pague o quanto quiser).

Isso quer dizer que até 31 de Outubro você pode adquirir os PDF da editora pelo valor que desejar, ou mesmo de graça.

Rafael Chandler e a Neoplastic Press produzem alguns materiais de excelente qualidade, a maioria de temática mais sombria e voltados para a OSR - geralmente coisas que se encaixam muito bem com o jogo Lamentations of the Flame Princess.

Entre os títulos em promoção se destacam Teratic Tome e Lusus Naturae, dois excelentes bestiários repletos de monstros novos e bizarros; Roll XX e Rol XX: Double Damage, dois livros que trazem uma vasta coleção de tabelas aleatórias para diversas ambientações; e Obscene Serpent Religion, um livro com tabelas para gerar cultos a serpentes de forma aleatória.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Ídolo da Semana

Segunda-feira é dia do ídolo da semana:


A imagem acima é uma propaganda de 4 de Julho veiculado pela Gygax Magazine, a revista de RPG publicada pelos filhos do Gary Gygax.

Como não podia deixar de ser, para dar a entender que os pais dos EUA estão jogando RPG, a imagem utilizada é a do Players Handbook do AD&D 1ªed, como o inconfundível ídolo de Trampier.

Financiamento Coletivo: Dragonlock - Imprima Seus Cenários em Casa!

Muitos de vocês devem conhecer a Fat Dragon Games, uma empresa que é referência no ramo de miniaturas de cenário para RPG feitas em papercraft. O método de trabalho da Fat Dragon Games sempre foi vender os arquivos digitais (em PDF, no caso dos cenários de papercraft) para que os clientes pudessem imprimir em casa e montar seus cenários da forma que preferissem, quantas vezes quisessem.

Pois bem, agora a Fat Dragon Games decidiu levar esse conceito para o próximo nível com sua nova linha chamada Dragonlock:


A linha Dragonlock, que está em financiamento coletivo através do Kickstarter, consiste em vender os arquivos digitais para serem impressos em impressoras 3D, desta forma permitindo que os clientes imprimam em suas casas miniaturas de cenários 3D em plástico. E com as vantagens de serem peças esculpidas profissionalmente (ao menos os exemplos mostrados no vídeo até o momento parecem bem bonitos), e podendo replicar quantas cópias achar necessário.

Imagem de divulgação das peças da linha Dragonlock já impressas (as miniaturas de monstros e aventureiros são da linha Reaper Bones).

Além disso, o sistema Dragonlock inclui uma base especial e grampos plásticos para prender uma peça de terreno à outra, fazendo do conjunto um bloco sólido o suficiente para que possa ser movida toda uma sala ao mesmo tempo, e melhor ainda, permitindo empilhar uma sala sobre outra para criar dungeons multinível (boa parte dos cenários 3D não permitem algo similar).

O sistema de grampos plásticos da linha Dragonlock.

Se me perguntarem, eu direi que achei a ideia da Fat Dragon Games genial - como o próprio vídeo de divulgação diz: uma revolução no campo das miniaturas de cenários para jogos de RPG. A campanha de financiamento ainda durará 22 dias, mas já angariou mais de 50 vezes o valor necessário. E aparentemente é um financiamento seguro, pois nos vídeos é possível ver protótipos já prontos, e não apenas esboços.

A única parte ruim desse projeto é que é necessário possuir uma impressora 3D para poder se beneficiar dele. A parte boa é que, como já foi financiado, provavelmente teremos esses arquivos digitais à venda permanentemente no futuro, e quando as impressoras 3D forem um item barato e acessível a todos eles ainda estarão lá disponíveis.

domingo, 11 de outubro de 2015

Os Espólios da World RPG Fest 2015

Eu já contei a vocês como foram meus dois dias de World RPG Fest 2015, mas é claro que eu não voltei de lá de mãos vazias. Portanto, chegou a hora de mostrar o butim angariado no evento.

Primeiramente, eu trouxe do evento o autógrafo do Jonathan Tweet no meu Livro do Jogador do D&D 3.5 - o mesmo livro que já possui os autógrafos do Monte Cook e do Chris Pramas:

Agora só preciso que o Skip Williams venha pro evento do ano que vem.

Na mesa de DCCRPG do Diogo Nogueira, nós ganhamos alguns brindes bem legais relacionados ao jogo:

Marcador de página que serve como mini-planilha, adesivo, botom e tatuagens temporárias.

Mas além dos brindes, também havia um fast-play da versão traduzida do jogo disponível para quem quisesse conhecer o DCCRPG:

Fast-play da versão brasileira do DCCRPG, com aventura funil incluída!

Como eu fui o campeão do torneio de DCCRPG, também trouxe para casa meu certificado de campeão e o prêmio do torneio - uma aventura gringa para o jogo:

Quem mais tem um diploma de campeão? Digo mais: quem mais ganha um campeonato, mesmo morrendo no final?

A aventura The Vile Worm, que na verdade vem com mais 2 mini-aventuras.

E a melhor parte de ter uma esposa RPGista - além de poder gastar dinheiro com RPG sem correr o risco de apanhar - é que ela foi o terceiro lugar no campeonato de DCCRPG, e portanto também ganhou uma aventura como premiação:

Demon Drums é na verdade uma aventura de Crawljammer, um hack futurista de DCCRPG.

 Na mesa de Elementum também rolou um fast-play e planilhas prontas impressas dos personagens:
 
O fast-play de Elementum...

... e as planilhas dos personagens que usamos no jogo.

Por fim, mas não menos importante, eu adquiri no estande da editora New Order o que provavelmente é a última caixa de luxo do Lenda dos 5 Anéis que eles ainda possuíam a venda:

 O visual externo da caixa, com acabamento em veludo. A caixa era exclusiva da pré-venda do jogo, mas a editora reservou um único exemplar para a venda no evento.

O conteúdo da caixa: poster, mapa e livro. O interior da caixa também é forrado em veludo.

O livro básico do Lenda dos 5 Anéis. Não li todo o conteúdo, mas aparenta ter sido um excelente trabalho da New Order.

O incrível mapa de pano de Rokugan. Acreditem quando digo que ele é realmente grande.

E foram estas as coisas que eu trouxe do evento deste ano. Isso é, além das boas lembranças de um grande evento de RPG!

sábado, 10 de outubro de 2015

Bazar das Maravilhas: Cryptex

O termo cryptex foi cunhado pelo autor Dan Brown para o livro O Código Da Vinci, e teoricamente refere-se a um aparato que teria sido idealizado por Leonardo Da Vinci, mas que nunca chegou a ser construido.

Apesar do primeiro cryptex de verdade só ter sido construído em 2004, nada impede que eles existam em  um mundo de fantasia repleto de magos engenhosos e anões e gnomos hábeis.

Abaixo, trago uma descrição do cryptex para ser utilizada no Old Dragon.

Cryptex

Um cryptex é um tipo de cofre portátil. Geralmente consiste de um cilindro de metal contendo cinco ou mais anéis giratórios contíguos e tampas em suas extremidades que tornam impossível ver o que há no interior do cilindro. Os anéis são afixados uns aos outros por uma estrutura metálica delicada, e cada anel é gravado com todas as letras do alfabeto, e como eles são capazes de girar individualmente, podem ser alinhados para formar diferentes palavras.

Um cryptex funciona de forma similar a uma fechadura de combinação, e se os anéis forem alinhados de modo a formar a senha correta, os mecanismos dentro do aparato se alinham e o cilindro se abre.

No interior do cilindro é possível esconder um objeto importante, geralmente um pergaminho, documento ou mapa, mas qualquer item suficiente mente pequeno para caber no cilindro é passível de ser guardado no cryptex.

Alguns modelos possuem um sistema de segurança embutido: uma frágil ampola de ácido que se quebra caso alguém que não conheça a senha correta tente forçar a tampa do cryptex. Se o frasco for quebrado, o ácido dissolverá o objeto guardado, destruindo completamente o que havia dentro, e em alguns casos danificando também o próprio cryptex.

 Um cryptex de madeira mostra que é possível fazê-los com uma infinidade de materiais.

Abrindo o cryptex: Há duas formas de se abrir um cryptex. A mais óbvia e fácil é conhecendo a senha. Caso não se seja o dono original do aparato, uma das maneiras é pesquisar a respeito do verdadeiro dono e através de investigação tentar descobrir qual seria a senha utilizada.

A outra maneira é através do talento Abrir Fechaduras. Um ladrão pode tentar arrombar um cryptex analisando o mecanismo e tentando descobrir a combinação correta. Para isso, é necessário um teste de abrir fechaduras para cada anel/letra do cryptex.

O cryptex só se abre caso todos os testes sejam bem sucedidos, no entanto não é possível saber se uma letra está certa ou errada até se tentar abrir o cryptex. Assim, é necessário sempre ir até o fim do processo para tentar abrir o aparato, e caso não se obtenha sucesso, é preciso começar de novo do início, já que não é possível saber em qual letra está o erro.

Usando o talento de abrir fechaduras, cada letra toma 5 minutos por tentativa, o que pode tornar todo o processo de abrir um cryptex sem conhecer a senha muito demorado.

Custo:

Cryptex, comum: 2.000 po
Cryptex, com armadilha de ácido: 2.050 po
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