sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Aventuras “Especiais”

Existe uma coisa que algumas pessoas chamam de “TDA de rpgista”, que é a característica do jogador de RPG de perder o interesse em um jogo ou campanha após passar um certo tempo jogando a mesma coisa. Ou seja, é uma vontade de “variar” de jogo, que às vezes é até um pouco exagerada (e em alguns casos eu diria patológica!).

Eu sou um fã confesso de grandes campanhas de RPG, e portanto não sofro da dita “TDA de rpgista”; na verdade prefiro jogar por muito tempo a mesma história do que uma série de one-shots. Mesmo assim, concordo que variar um pouco de vez em quando pode ser muito legal.

A uns anos atrás, um dos jogadores do meu grupo veio com uma idéia de algo que ele realizava em seu grupo antigo: uma aventura especial de Natal! A idéia era jogarmos uma aventura diferente próximo ao período do Natal, podendo ser mesmo com outro sistema, personagens, etc. Só para “comemorarmos” a data.

Na época, eu mestrava uma campanha de Ravenloft e lembro que eu perguntei se era pra ser uma típica aventura de Natal no cenário (com Papai Noel e tudo), e alguém na mesa demonstrou seus desgosto pela idéia e comentou que não ficaria bom de forma nenhuma. Bem, isso foi o suficiente para eu comprar a briga e preparar para aquele ano a aventura especial de Natal em Ravenloft, com direito a Papai Noel, Rena do Nariz Vermelho, duendes, presentes, neve e pinheiros! A aventura foi jogada com as mesmas personagens normais da campanha e encaixada dentro desta, mas tinha uma temática e um ritmo totalmente diferente do contexto da campanha. E foi uma das aventuras mais legais que já jogamos.

No outro ano as personagens iriam viajar de um reino para outro (na verdade outro Domínio de Ravenloft), e um dos jogadores iria entrar com uma nova personagem deste novo reino. Ao invés de simplesmente inserí-lo dentro do grupo sem que ele nunca tivesse jogado com a personagem antes, decidi fazer algo diferente.

Assim, por uma única sessão, meus jogadores utilizaram personagens com classes de NPC (jogávamos D&D 3.5 na época), com exceção do que estava entrando com a personagem nova. E assim rolamos uma aventura que nada tinha a ver com o restante da campanha, com exceção de que se tratava de um dia na vida da nova personagem (um policial) que mais tarde faria parte do grupo. E eu digo que essa também está entre as melhores aventuras que já jogamos!

tsr xmas Se até esses caras tinham aventuras de Natal, porquê não o seu grupo?

No Halloween do ano passado rolamos a última sessão da campanha, mas ficou prometido que no Halloween deste ano jogariamos novamente com as personagens da campanha, um tipo de “o que aconteceu depois”. Assim, este mês de outubro irei mestrar a última aventura das personagens de minha campanha de Ravenloft, uma aventura especial de Halloween!

Pela experiência que tenho com estas “aventuras especiais”, digo que provavelmente será extremamente divertido! E toda essa conversa fiada é para isso: incentivar vocês a de vez em quando tentar uma aventura especial, diferente do lugar comum que seu grupo está acostumado a jogar.

Pode ser uma aventura one-shot em um sistema diferente do que vocês estão acostumados a jogar, ou como eu prefiro, uma aventura com os mesmos personagens de sua campanha regular mas em uma situação ou com uma temática diferente do normal. Ou ainda, uma aventura que se passa no mesmo cenário de sua campanha regular, mas com outras personagens, e que de alguma forma acabará se conectando com a campanha normal, seja porque as personagens se encontrarão futuramente, seja porque uma aventura gera consequências percebidas na outra. E porque não uma aventura em que um jogador joga com a personagem do outro?

E datas comemorativas de algum tipo (seja para o mundo todo, como o Natal, ou apenas para o seu grupo, como o aniversário de alguém), ou algum outro evento incomum (como a entrada de uma nova personagem ou jogador no grupo), são excelentes momentos para esse tipo de aventura.

Variar um pouco em seus jogos, principalmente se for de uma forma que seja divertida para todos, pode ser uma excelente forma de dar mais gás à sua campanha e também de impedir a dispersão do seu grupo de jogo. E tudo isso sem precisar jogar apenas aventuras one-shot ou ter tempo para rolar várias campanhas em paralelo!

domingo, 25 de setembro de 2011

Primeira Imagem Interna de “O Forte das Terras Marginais”

A Redbox Editora liberou o primeiro preview do conteúdo interno de sua nova aventura O Forte das Terras Marginais:

OFdTM preview O Forte das Terras Marginais é a primeira aventura oficial publicada para o Old Dragon, já está em pré-venda e pode ser adquirida na RedStore pelo banner aí ao lado!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Onde Fica a Terra-Média de Tolkien?

A poucos dias atrás eu fiz uma postagem falando da Era Hiboriana, e incluí um mapa que mostrava a Era Hiboriana sobreposta ao mapa da Terra atual.

Pois bem, um outro mundo de obras de fantasia tão completo, na verdade ainda mais bem construido e detalhado que a Era Hiboriana, e que também foi imaginado como uma espécie de passado mítico da Terra é a Terra-Média de Tolkien.

Com base em algumas colocações de Tolkien em seus livros, o professor de geofisica e geologia da UCLA Peter Bird criou um mapa que mostra onde ficariam as localidades da Terra-Média em relação ao nosso mundo atual.

Middle-Earth sobreposta à Europa Aparentemente os mapas não foram simplesmente sobrepostos, parece haver algum leve rearranjo nas regiões da Terra-Média. Mas também não sei quais os critérios utilizados pelo geofisico.

No mapa de Bird, as Ered Nimrais seriam os Alpes, o Condado ficaria no sudoeste da Inglaterra, Rohan no sul da Alemanha, e Mordor seria na Transilvânia.

Mais detalhes podem ser encontrados nessa reportagem em inglês.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Faça Você Mesmo: Verme Púrpura!

Apesar de ainda não ter terminado de dar dicas sobre pinura de miniaturas, existem várias miniaturas que eu fiz e que ainda não mostrei a vocês. Logo, mais uma pausa no assunto para mostrar outra criação.

Continuo não me aventurando nas figuras humanóides, mas e daí? Isso não é problema, há centenas de monstros disformes e simples de se fazer no D&D!

Então, hoje irei explicar como fiz uma das minhas mais recentes criações e também que me deixa mais orgulhoso: o Verme Púrpura!

Materiais:

- papel alumínio
- um CD velho
- um lacre de sacola
- cascalho de maquete
- massa de biscuit
- cola branca
- tinta acrílica
- verniz acrílico spray
- estilete ou estecas e barbante grosso
- pincéis

Como fazer:

Como sempre, eu optei por fazer um esqueleto para a miniatura, que não só ajuda a esculpir a massa na forma desejada, como também economiza massa e deixa a miniatura um pouco mais leve. Nesse caso, utilizei algumas folhas de papel alumínio para fazer um cilindro e moldá-lo na posição que desejava o verme.

GDSC0038 Não é necessário compactar o papel alumínio.

GDSC0039

Eu escolhi fazer o verme erguido, saindo do chão, similar à miniatura de verme púrpura da coleção de D&D Miniatures.

Em seguida, é necessário cobrir o esqueleto de papel alumínio com a massa. O CD será utilizado para fazer a base do verme, então já use a massa para fixar o verme na base. Escolhi um CD porque o verme púrpura é um dos maiores monstros do D&D, então a escala de tamanho da base fica quase perfeita.

Nesse ponto não há muita necessidade de se preocupar com detalhes, apenas cubra todo o papel com a massa e deixe secar. Papel aluminio é algo que pode ser compactado praticamente ao infinito, então tome cuidado para não esmagar o esqueleto que você construiu. Use-o apenas como base para formar um “esqueleto” com a massa. Feito isso, deixe secar.

O “lacre de sacola” que coloquei na lista de materiais é uma peça usada em algumas lojas para fechar as sacolas de compras. No meu caso consegui uns na loja onde compro as minhas tintas, e ele se parece com isso aqui:

Boca do Verme Essa peça não é necessária, é algo totalmente opcional. Eu utilizei ela para criar a boca do meu verme (que ficou com uma aparência bem legal), mas você pode esculpir a boca completamente.

Quando a primeira camada de massa sobre o papel alumínio estiver seca é hora de começar a aplicar a segunda camada, sobre a qual serão esculpidos os detalhes do monstro.

Se for utilizar o lacre de sacola para fazer a boca do monstro, é nessa hora que você utilizará a massa para fixá-lo na estrutura. Pense no formato que terá a “cabeça” do verme, pois será necessário esculpí-la agora (e esta incorporará a boca também).

Na descrição do verme ele é uma grande minhoca com uma boca cheia de dentes. Sendo assim, o corpo é simples, cilíndrico, com vários “anéis” ou “segmentos” ao longo de seu comprimento. Use um estilete ou estecas para esculpir os detalhes e vincos que marcam os segmentos do corpo. Uma dica legal de como fazer isso é utilizar um barbante grosso para enrolar ao redor do corpo, marcando o vinco de cada segmento e depois apenas ajeitar com uma esteca (isso facilita não errar o círculo).

Para a cabeça eu optei por não seguir a ilustração clássica do AD&D nem a aparência do D&D 3.5, mas ao invés disso me inspirei nos Vermes de Areia do filme Duna. Esculpi a cabeça em torno do lacre de sacola, e coloquei alguns dentes a mais para dar o aspecto terrível que a boca precisa ter.

Pela descrição do Livro dos Monstros, o verme púrpura também possui um ferrão na ponta da cauda, que não está presente na miniatura de D&D Miniatures. Como esse é um dos principais e mais terríveis ataques do monstro, achei que ele deveria estar presente. Assim, moldei a caudado monstro com a massa de biscuit, com oferrão presente na ponta, e coloquei ele sobre a outra extremidade do CD como se a cauda do monstro também estivesse saindo do chão e metade do corpo estivesse enterrado.

GDSC0043 GDSC0047 Como podem ver nas fotos acima, esculpi também pequenas pedras em volta de onde o corpo do verme sai do chão (e algumas outras espalhadas pela base), para dar um acabamento melhor na figura.

Também cometi um erro que você devem evitar: cobri todo o CD com a massa de biscuit. Essa massa encolhe quando seca, e com isso o CD acabou empenando! O ideal é utilizar massa corrida para esconder o CD, ou então apenas pintar e cobrir com outra coisa depois.

Agora que a escultura está pronta, deixe secar, e após isso, pode começar a pintura. Para pintar, eu utilizei um primer preto, e após secar apliquei uma camada base vermelho escuro no corpo.

Verme Púrpura base (1) Em seguida, após a camada base secar, pintei o corpo de violeta, o interior da boca de vermelho, os dentes e ferrão de cor de pele (fica com um aspecto amarelado, melhor do que usar branco), e as pedras de cinza.

Purple (1) Depois, utilizei as tecnicas de washing e drybrush para melhorar o aspecto da pintura como um todo. Washing preto na peça inteira, para salientar os vincos e reentrâncias, e drybrush em tons de vermelho na boca, e cinza claro nas pedras.

Como o monstro está saindo do chão a base passa a ser parte muito importante na composição dessa miniatura. Para dar a aparência de ilusão de chão e não de uma simples base de miniatura, utilizei o cascalho maquetes. è bem simples,passe cola na base, onde deseja que o cascalho fique preso, e em seguida cubra toda a base com o cascalho. Cuidado apenas para não colar cascalho onde ele não deve ficar.

Após o cascalho secar, dê uma leve batida na base, com ela de lado, para sair o excesso, e a peça está pronta. Apliquei verniz em spray, primeiro brilhante e depois fosco, para proteger bem a peça.

O resultado final da miniatura:

Verme Púrpura Final Com o empenamento da base já devidamente corrigido (ou quase).

Verme Púrpura Final (1)Verme Púrpura Final (2)Verme Púrpura Final (3)Comparando com uma miniatura média de DDM para perceber a relação de tamanho:

Verme Púrpura Final (4)

Grande o suficiente para aterrorizar os jogadores quando colocá-lo na mesa! A parte mais difícil agora vai ser escolher qual o próximo monstro a ser feito…

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pocket Dragon: Livro dos Monstros

Apesar do grande sucesso da versão completa do Old Dragon o pessoal da Redbox não esqueceu da sua linha gratuita: o Pocket Dragon.

PD LdMO mais novo lançamento da linha Pocket Dragon é um bestiário, o seu Livro dos Monstros! Nas palavras da própria equipe da editora:

Este suplemento, um dos mais pedidos para a linha Pocket do Old Dragon, possui 24 criaturas de variados níveis de poder, com estatísticas totalmente convertidas para o sistema pocket. De Goblin a Dragão, passando por Orcs e Trolls numa seleção clássica e ao mesmo tempo muito eclética de desafios para os seus jogadores e como não poderia deixar de ser, tudo numa única folha A4.

Obra do super-produtivo Rafael Beltrame, o material é super pequeno, um PDF de menos de 800 Kb, apesar de bastante completo para o tamanho, e pode ser baixado na página de downloads da linha Pocket Dragon.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A Era Hiboriana de Conan

Ontem eu falei a respeito de dois livros de contos sobre Conan e comentei sobre a Era Hiboriana, o período no qual se passam as aventuras do cimério. Comentei também que esta merecia uma postagem própria, mais aprofundada, e é para isso que estou aqui hoje.

AoC-Map Um mapa do mundo na Era Hiboriana

A Era Hiboriana de Conan não pode ser chamada exatamente de “mundo” fictício, o mais correto seria “tempo” fictício, já que de acordo com a mitologia criada por R. E. Howard esse lugar seria a Terra, o nosso mundo, mas em um período pré-histórico desconhecido da antropologia moderna, situado entre o afundar de Atlântida e um outro gigantesco cataclisma que novamente remodelaria os continentes.

Este período fictício da história é um bom exemplo de criação de cenário para histórias de fantasia, já que engloba não apenas uma geografia própria, como também uma história pregressa, e nesse caso também posterior, descrição de povos e culturas e relações entres estas nações.

A grande jogada de Howard ao criar a Era Hiboriana foi construir um mundo cheio de referências ao nosso mundo real, na verdade cheio de versões de locais e povos retirados de vários pontos da história, adaptados e recolocados dentro de um período de tempo ficcional. Com isso, Howard conseguiu estabelecer a possibilidade de tecer histórias de Conan durante a França ou Inglaterra medieval (representados pela Aquilônia), no Egito antigo (a Stygia), na China antiga (cuja versão hiboriana é Khitai), na África negra (os Black Kingdoms), em locais como a exótica Índia (Vendhya), em um império muito similar com a Roma clássica (também representado pelo Império da Aquilônia), e mesmo o norte mitológico dos povos germânicos (Vanaheim e Asgard).

Era Hiboriana O mapa da Era Hiboriana sobreposto sobre o mapa do mundo atual.

Ao criar essas versões de vários locais e períodos de nossa história real, o autor não só gerou a possibilidade de situar as histórias de seu herói em qualquer desses fascinantes locais e períodos, como também produz em seus leitores um sentimento de familiaridade com esses locais através das semelhanças que eles possuem com a história que conhecemos. E tudo isso sem precisar situar Conan em um cenário histórico real (o que poderia resultar em falta de precisão histórica) ou fazê-lo ficar “saltando” no tempo.

E esse mundo, que parece crível e realista, na verdade é completamente improvável. Trata-se de uma imensa mistura de culturas, períodos históricos e influências mitológicas. Provavelmente a Era Hiboriana não sobreviveria a uma análise profunda, mas quem liga? É um mundo interessante e empolgante, que prende nossa atenção.

E apesar dos reinos serem predominantemente povoados por humanos, o mundo de Conan é imensamente povoado de magia e criaturas sobrenaturais. Ou seja, a Era Hiboriana não é nada diferente dos nossos cenários costumeiros de RPG, talvez apenas tenha uma abordagem mais dark do que o costumeiro.

Há muito o que podemos aprender com a Era Hiboriana de Robert E. Howard para levar para nossos cenários de RPG, para torná-los tão ricos e interessantes quanto o período mítico no qual viveu Conan, o cimério!

Old Dragon Day 2011

No dia 03 de Novembro de 2010 era anunciado o lançamento do Old Dragon. Para comemorar essa data, a Redbox Editora está organizando o OD Day 2011, o Dia de Jogar Old Dragon, que poderá ser realizado em qualquer lugar do Brasil no próximo dia 5 de novembro.

od Para isso será criada uma aventura especial, pronta pra jogar, com mapase monstros inéditos, que será distribuida gratuitamente no site da editora. Então, é só baixar e jogar.

Mas a parte legal é que independentemente da onde ocorrer o seu jogo, ele será considerado um evento oficial! Para isso basta vocês se inscreverem mandando um email para fabiano@redboxeditora.com.br com o criativo e sugestivo assunto: “Quero fazer meus jogadores comerem o pão que o diabo amassou jogando Old Dragon!”.

No e-mail envie também seu nome, o local aonde acontecerá o seu jogo, e se aceita inscrições de jogadores de fora (nesse caso mande também uma forma de contato que possa ser divulgado), que a sua mesa de jogo aparecerá na lista nacional de mesas de Old Dragon do OD day 2011!

Além disso haverá prêmios e brindes surpresa para aqueles que participarem! Mais informações podem ser obtidas na postagem oficial de lançamento do evento.

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