sábado, 11 de setembro de 2010

Pensamentos a Respeito do Senhor das Feras

Vasculhando o mundo internético do RPG Old School, como de costume, eu me deparei com uma velha postagem (nem tão velha, de 4 meses atrás) no B/X Blackrazor.

Nessa postagem, o autor, JB, descreve sua versão de uma classe chamada por ele de Beastmaster: um tipo de guerreiro selvagem, apto para se virar em ambientes naturais e com habilidades de se comunicar com animais.

Exemplos do arquétipo não faltam na literatura: o mundialmente conhecido Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, e Mowgly, o menino lobo, de Rudyard Kipling, sendo os mais óbvios. Até mesmo o duvidoso filme de 1982 The Beastmaster traz como protagonista alguém que poderia se encaixar no arquétipo.

Jusko_Tarzan_and_the_Golden_LionLendo a classe, me pareceu que ele teve razão em construí-la, pois esse é um arquétipo inexistente como classe no D&D. Claro que alguém poderia citar que o ranger ou o bárbaro ocupam esse nicho, mas eles não são exatamente a mesma coisa. O ranger é em geral civilizado demais, e o bárbaro é muito mais voltado para o combate (e até ele parece civilizado demais!). E, além disso, nenhum deles realmente fala com os animais como iguais.

A idéia da classe me pareceu muito boa, e enquanto pensava no assunto, algumas boas idéias me passaram pela cabeça no tocante a como construí-la (ou talvez eu devesse dizer adaptá-la) para o AD&D 3.5, tornando-a uma classe de unnarmed-warriors.

A grande questão é: o esforço vale a pena? Por favor, deixem suas opiniões.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mistura de Gêneros

elmore002 A muito que eu vinha pensando em uma postagem sobre a mistura de gêneros de ficção no RPG, e agora que uma postagem recente do Vorpal suscitou o assunto parece ser o momento certo pra isso.

Quando eu comecei a jogar RPG, no início dos anos 1990, eu lembro que a mistura de gêneros não era muito popular nos RPGs. Ou talvez fosse assim apenas entre os RPGistas brasileiros. Não quero dizer com isso que tal coisa não existisse, afinal havia até mesmo o Shadowrun traduzido para o português, mas é certo que tal mistura nunca atingiu grande popularidade. Toda vez que saía algum jogo novo com essa proposta, ou alguma matéria na revista Dragão Brasil que misturasse fantasia e ficção científica, soava como algo estranho e novo, “fora do padrão”.

Isso era mais marcante ainda para o Dungeons & Dragons. A impressão era de que o padrão do D&D sempre foi a fantasia medieval pura e imaculada. Até hoje, a impressão que um novato tem do D&D é de que ele foi concebido para um jogo onde a fantasia medieval reina sem nenhum contato com outros gêneros, e que tal transgressão é um ato de extrema vanguarda. Mas a verdade é que nunca foi assim…

O D&D, em sua primeira versão, retirava inspiração de livros e contos de uma época em que havia pouca diferenciação entre ficção científica, horror e fantasia. Todos esses gêneros eram vistos mais ou menos como variações do mesmo nicho literário. Assim, não era raro ver incursões de temas vistos hoje como de ficção científica (como viagem no tempo, por exemplo), em histórias de fantasia. Por isso, o OD&D foi pensado por seus criadores de forma a incluir esse tipo de mistura de gêneros desde o início. Na lista de monstros da página 22 do Monsters & Treasure, o segundo volume dos livros de regra do OD&D, há uma entrada para “robôs, golens e andróides”.

O próprio Men & Magic, o primeiro volume das regras do OD&D, também traz o seguinte trecho:

"…DUNGEONS and DRAGONS will provide a basically complete, nearly endless campaign of all levels of fantastic-medieval wargame play. Actually, the scope need not be restricted to the medieval; it can stretch from the prehistoric to the imagined future, but such expansion is recommended only at such a time as the possibilities in the medieval aspect have been thoroughly explored."

Traduzindo:

“... DUNGEONS and DRAGONS pode proporcionar uma campanha basicamente completa e quase infinita de todos os níveis de wargame fantástico-medieval. Na verdade, o escopo não precisa ser restrito ao medieval; ele pode ser estendido do pré-histórico ao futuro imaginário, mas tal expansão é recomendada somente quando as possibilidades no aspecto medieval tiverem sido completamente exploradas.”

Ou seja, as regras do primeiro RPG do mundo já previam certa multiplicidade de temas, ou mesmo mescla destes, ainda que não fosse o foco principal.

TSR1143_500 O cenário da campanha original de Dave Arneson, Blackmoor, era cheio de incursões de ficção científica, como atesta a aventura inclusa no suplemento original: Temple of the Frog. E este não é o único exemplo de aventura oficial do D&D que traz elementos de ficção científica misturada à fantasia; Expedition to the Barrier Peaks, City of the Gods, e Tale of the Comet são todas aventuras que envolvem seres e tecnologia alienígena ou futurista dentro de um cenário de fantasia. O Creature Catalogue, livro de criatura para o BD&D, traz a descrição de um ser chamado Oard: “criaturas humanóides do futuro, viajantes do tempo, cujo poder deriva de tecnologia e ciência mundanas”.

A verdade é que quanto mais procurarmos, mais desse tipo de mistura de gêneros vamos encontrar ao longo da história do Dungeons & Dragons. Muito provavelmente, mais exemplos antigos do que recentes, o que demonstra que esse tipo de coisa não vai contra o “espírito” do D&D, mas sim se aproxima da forma como os homens que idealizaram tudo gostavam de jogar. Então, da próxima vez que seu mestre inserir um elemento futurista em sua campanha, ao invés de torcer o nariz, dê a ele uma chance e divirta-se!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Postagem nº 100!

O Dungeon Compendium chegua à sua 100ª postagem!

E como não podia deixar de ser, essa marca é atingida por uma postagem totalmente inútil e sem propósito (o que já é praticamente uma tradição na blogosfera)!

Então, só para não deixar vocês leitores completamente frustrados, vai aí uma ilustração bacana do inconfundível Larry Elmore:

elmore 3

domingo, 29 de agosto de 2010

Descrições de Ítens

EquipamentoSempre gostei de jogos de RPG que possuem boas descrições das coisas. E não falo apenas de estatísticas de jogo, mas sim de descrição de como as coisas se parecem, o que fazem ou pra que servem. Pensando bem, isso talvez explique meu gosto pelo GURPS.

Trabalhando nas listas de equipamentos para o AD&D 3.5, eu notei que, por mais que minha memória dissesse que as descrições no AD&D 2ªed eram mais completas do que as do D&D 3.5, na verdade a edição mais recente tem muito mais descrições no seu capítulo de equipamentos do que a anterior.

No Livro do Jogador do AD&D 2ªed revisada, há 27 entradas de descrições de armas, 15 de armaduras, 10 de barcos, e apenas 11 entradas para outros tipos de ítens (um total de 63 entradas).

Já no Livro do Jogador do D&D 3.5, há 70 entradas de descrições de armas, 19 de armaduras, 10 de veículos, 7 de serviços, e 91 entradas para outros tipos de ítens (num total de 197 entradas)!

Não resta dúvidas de que o D&D 3.5 possui muito mais descrições de ítens do que o AD&D, no entanto, em minha opinião, as descrições do AD&D 2ªed são muito melhores. Grande parte das descrições do D&D 3.5 preocupam-se apenas em explicar mecânicas de jogo,enquanto as poucas descrições do AD&D estão lá para conceituar o objeto e explicar sua aparência.

Outras edições também tem suas particularidades. O D&D 4ªed, por exemplo, tem uma lista de equipamentos não-mágicos extremamente reduzida, com descrições curtas praticamente sem conter estatísticas de jogo.

A melhor edição nesse quesito, para mim ao menos, talvez seja o Rules Cyclopedia, que possui uma extensa lista de equiapmentos, contendo 54 entradas de descrições de armas (no entanto, com várias apenas se referenciado a outras entradas), 7 de armaduras, 14 de veículos, 3 de serviços, 12 de máquinas de cerco, e 35 entradas para outros tipos de ítens (totalizando 125 entradas). Ainda menos do que a quantia existente no D&D 3.5, só que além de extensas explicações de mecânica de jogo, trazem excelentes descrições da aparência e função dos ítens.

Bem, com isso, vocês já sabem que podem esperar um capítulo de equipamentos extenso, com boas descrições para a maioria dos ítens, no meu AD&D 3.5.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cavaleiro Sinistro

Mais uma ilustração do AD&D 1ª edição que foi homenageada e reformulada para integrar as páginas do AD&D 2ª edição revisada.

Cavaleiro Sinistro_DMG 1ed pg 59 Dungeon Master Guide AD&D 1ªed, página 59.

Cavaleiro Sinistro_DMG 2ed pg 165 Dungeon Master Guide AD&D 2ªed revisada, página 165.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

10-Feet Pole

Se há um equipamento mundano que acabou se tornando uma espécie de "ícone" da Renascença Old School, com certeza é a vara de 3m. Um objeto útil para desarmar e encontrar armadilhas, entre tantas outras coisas, mas terrivelmente ruim de carregar, a menos que o grupo tenha mulas de carga ou algum henchman.

Trabalhando na lista de equipamentos para o AD&D 3.5, eu notei uma coisa curiosa: no Livro do Jogador do AD&D 2ªed não consta "vara de 3m" na lista de equipamentos. Em contrapartida, o objeto está lá entre os equipamentos do Livro do Jogador do D&D 3.5.

Não passa de uma curiosidade, mas dá no que pensar.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Knight of Dangerous Quests

gglogo Sim, esse é agora oficialmente o meu título. Porque agora eu faço parte da Labyrinth Lord Society!

A LLS é uma iniciativa da Goblinoid Games, editora que publica o retroclone Labyrinth Lord, para estreitar a ligação entre os jogadores e mantê-los atualizados através de uma newsletter mensal. Além do meu cerificado de membro da sociedade, o mais legal é a mensagem bem-humorada que vem com a mesma:

“Welcome to the Labyrinth Lord Society! We have inducted you into the Society, using the rites, chants and other procedures too secret even for you to know about at this early stage of membership. Attached you will find your member certificate. This can be printed on nice stationary of your choosing. Thank you for joining us on this gaming journey!”

Traduzindo:

“Bem vindo à Labyrinth Lord Society! Nós iniciamos você na Sociedade, usando os ritos, cantos e outros procedimentos secretos demais mesmo para o seu conhecimento neste estágio inicial de filiação. Anexado você encontrará seu certificado de membro. Ele pode ser impresso em um bom material a sua escolha. Obrigado por juntar-se a nós nessa jornada de jogos!”

Agora ficarei sempre em dia com as informações relacionadas à Goblinoid Games!

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