sábado, 19 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Qual RPG Apresenta a Melhor Escrita?

Não vou me atrever a afirmar que o jogo A ou B é o mais bem escrito de todos. Ao invés disso, vou escolher um material que, ainda que eu não necessariamente considere ser o mais bem escrito de todos, é escrito de uma forma que me agrada muito.

Não trata-se de um jogo per se, mas sim de um suplemento. Na verdade, um conjunto de suplementos para o cenário Ravenloft: a série Van Richten's Guides.

Cada guia era focado em um tipo específico de criatura das trevas.

Não que a prosa dessa série seja verdadeiramente primorosa além do que é encontrado na média dos livros, mas o que me atrai nesses livros é que cada um deles é escrito como se fosse um guia de caça a monstros redigido pelo próprio Dr. Rudolph Van Richten, o famoso caçador de monstros da Terra das Brumas.

Enquanto o Dr. Van Richten vai descrevendo e analisando todas as características relacionadas a respeito do tipo de criatura que o manual aborda, há caixas de texto que explicam a implicação mecânica dentro do jogo do que está sendo citado pelo Dr. e que não fazem parte do texto principal.

Eles são assim, não só um manual de jogo, mas de fato um material existente dentro do cenário. Os personagens poderiam, teoricamente, botar as mãos em um desses guias e ter acesso a tudo o que está escrito como se tivesse sido redigido por Van Richten em pessoa (isso é, tudo menos as caixas de texto que trazem a tradução do texto para as regras do D&D).

Anos mais tarde, outro RPG iria fazer uso de um recurso bastante similar: Castle Falkenstein. Este jogo também era escrito como se fosse narrado por um viajante dimensional que teria parado em um passado alternativo da Terra onde existem magia e criaturas sobrenaturais. Ele vai descrevendo o cenário enquanto conta suas experiências nesse local estranho, e mesmo o jogo em si é descrito como uma espécie de entretenimento praticado naquele lugar e introduzido aos locais pelo próprio narrador principal do livro.

Essa forma de tratar o texto não só como algo externo ao cenário do jogo, mas como algo pertencente a este, é algo que mesmo que não seja escrito da forma mais primorosa possível, me agrada bastante.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Qual RPG Você Mais Jogou na Vida?

Essa é fácil de responder: Dungeons & Dragons.

Apesar de que, se  eu tiver de destrinchar a resposta na edição do D&D que eu mais joguei na vida, aí é um pouco mais complicado. Tenho de pensar um pouco a respeito e fazer alguns cálculos.

De 1994 até meados de 1997 eu devo ter jogado BD&D (em sua encarnação da caixa preta da GROW) semanalmente, quase sem exceção. Então, transferimos nossa campanha (então) corrente para o AD&D 2ªed.

Devemos ter jogado AD&D 2ªed semanalmente por mais um ano ou dois, e de forma intermitente continuei jogando essa edição até o ano 2000, quando foi lançado o D&D 3.0. Ainda voltei ao AD&D algumas poucas vezes depois, mas nada muito significativo (com o hype da 3ª edição quase ninguém mais queria saber do AD&D, uma pena).

Durante o ano 2000 eu joguei D&D 3.0 quase todos os dias úteis por alguns meses - do lançamento do jogo até o fim do ano, mais ou menos. Aí veio a faculdade, e eu devo ter ficado uns 6 meses mais ou menos sem jogar.

Mas depois voltei à ativa e passei anos a fio jogando o D&D 3.5 (na verdade, um misto do 3.5 com o 3.0 já que nunca consideramos eles como edições distintas mesmo). Conduzi ou participei de ao menos 3 grandes campanhas nesse sistema, que duraram vários anos cada uma - fora os jogos ocasionais.

De fato, até hoje eu jogo o D&D 3.5 - ainda que ele não seja minha edição predileta, é a que o pessoal do grupo mais tem familiaridade e facilidade.

O D&D 4ªed e o D&D 5ªed eu joguei apenas um punhado de vezes cada um.

Assim, é provável que a edição do D&D que eu mais tenha jogado seja a 3ª (somando 3.0 e 3.5), pelo simples fato de que passou-se mais tempo desde seu lançamento até hoje do que desde que eu comecei a jogar D&D e o lançamento da 3ªed - ponto a partir do qual ficou mais difícil convencer o grupo a jogar as edições mais antigas.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Qual RPG Você Possui a Mais Tempo Mas Nunca Jogou?

Observando minha estante de jogos para responder essa, eu cheguei à conclusão que eu não tenho muitos jogos auto-contidos (isso é, descontando suplementos) que eu nunca tenha jogado. O que é algo muito bom, na verdade!

Destes, aquele que eu possuo a mais tempo e ainda não consegui jogar é provavelmente o Dust Devils, publicado pela Redbox Editora. Considerando que ele foi lançado em 2012, e eu devo tê-lo comprado no ano do lançamento, é um jogo que eu possuo a menos de 5 anos que está sem ter jogado.

Considerando a quantidade de jogos que eu tenho aqui, eu esperava uma marca bem pior do que esta na verdade, mas até que eu não estou tão ruim assim.

Agora, o material de RPG que eu tenho a mais tempo e nunca consegui usá-lo em jogo apropriadamente trata-se de um suplemento de AD&D: o Guia de Campanha Para Undermountain, publicado nos anos 1990 pela Editora Abril.

Eu devo ter esse suplemento desde 1998 ou 1999 (comprei quando os direitos do material já estavam com a Devir), mas infelizmente nunca consegui mestrar uma campanha se passando em Undermountain. Já tentei, mas o grupo acabou se dispersando antes de começarem a exploração da masmorra. E também já usei partes do material, como magias e monstros, mas nunca consegui usar o material todo como deveria.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Qual RPG Você Gosta de Usar Como É?

A ideia da pergunta de hoje é identificar um jogo que você gosta de usar sem modificações e adaptações. Eu sou do tipo de mestre que frequentemente faz alguma modificação ou alteração nas regras, ainda que menor, então não são muitos os jogos que eu jogo exatamente como são originalmente.

Mas ainda assim existem jogos que eu jogo sem realizar alterações, seja por uma razão ou outra. Um destes jogos é o GURPS.

GURPS é um sistema genérico e bastante completo, com regras que cobrem praticamente todas as situações. Além disso, o sistema é construído de forma que as regras como estão no livro já trazem os blocos básicos para construir qualquer habilidade nova ou diferente sem precisar realmente modificar nada. Também é um jogo bastante modular, com opções de usar o conjunto de regras completo e bastante complexo, ou versões parciais e simplificadas. Isso faz de GURPS um jogo em que não é necessário fazer modificações ou adaptações de regras, no máximo escolher quais das várias opções você vai usar ou não.

Outro jogo que faz muito tempo que eu não jogo, mas que quando o fazíamos era sem nenhuma modificação - e que se um dia eu voltar a jogar novamente, também será, é Rolemaster.

Rolemaster é um jogo meio travadão, cheio de tabelas para determinar o sucesso e o resultado de suas ações. Isso deixa pouco espaço para escolher exatamente as manobras realizadas por sua personagem, já que o resultado é dependente do valor atingido nas tabelas.

Mas o charme do jogo é justamente esse, suas tabelas mirabolantes, cheias de resultados infames. Ser surpreendido pelos resultados que as tabelas trazem é a grande diversão desse sistema, e por isso mesmo Rolemaster é um jogo que para mim deve ser jogado como é, sem mexer em muita coisa.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Qual RPG Você Tem Mais Prazer em Fazer Adaptações?

O RPG que me dá mais prazer em criar adaptações é o Old Dragon. Pela sua própria natureza, Old Dragon é designado mais como uma toolbox, um conjunto de regras a ser usado como ponto de partida, do que como um jogo imutavelmente completo.

É um jogo baseado no conceito de ruling over rules, isso é, onde o mestre julga as situações e decide como o sistema responderá a elas ao invés de se apegar estritamente apenas àquilo que está escrito no livro de regras. Muitas situações não estão previstas no sistema de regras de propósito, e o mestre deve decidir como ele lidará com isso por um ponto de vista de sistema de jogo.

Isso em conjunto com a familiaridade do sistema, que é um clone modificado das edições antigas do D&D, o torna para mim um jogo extremamente agradável para realizar adaptações.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Qual RPG Você Prefere Para Jogar Campanhas Abertas?

A ideia dessa pergunta, sobre o que eu traduzi aqui como "campanhas abertas", é qual jogo é o preferido para campanhas sem um final predeterminado, aquelas campanhas em que o mestre deixa o jogo rolar sem ter uma ideia clara de como a campanha irá acabar - se é que irá acabar alguma dia.

Minha resposta para isso talvez seja um pouco óbvia para qualquer um que siga este blog: Dungeons & Dragons. Em qualquer uma de suas encarnações, sejam suas várias edições ou seus clones (exceto a 4ª edição... eu não curto o D&D 4ª ed).

No geral, para uma campanha mais longa, eu prefiro uma evolução mais lenta, então eu sempre me sinto mais confortável com algo mais próximo do BD&D ou AD&D, ou as encarnações mais recentes do D&D com modificações no passo de evolução para dar uma freada no ritmo.

A Rules Cyclopédia é uma das versões do D&D que trabalha muito bem o end game.

E o BD&D e o AD&D tem uma vantagem que ficou meio que ausente nas versões mais modernas do jogo: o dito end game. Aquilo que acontece quando os personagens estão em nível alto e poderosos o suficiente para realmente influenciar seriamente no andamento do mundo de campanha. Construir fortalezas, torres, guildas e templos, atrair seguidores, administrar reinos, comandar exércitos, e porque não, virar uma divindade!

Poucas coisas são mais legais em uma campanha de final aberto do que conseguir chegar ao end game, e então trocar de personagens os quais passarão a jogar no mundo onde os feitos da geração anterior agora fazem parte do cenário!

domingo, 13 de agosto de 2017

#RPGaDay 2017: Descreva Uma Experiência de Jogo Que Mudou Sua Forma de Jogar

Foi ainda muito no início da minha vida de jogador de RPG, pouco depois de eu ganhar a caixa básica do D&D da GROW. Eu tinha algo entre 11 e 12 anos na época e já tinha jogado algumas sessões até ali (várias como mestre).

Meu irmão mais velho, que nessa altura já morava em sua própria casa, veio nos visitar e decidiu jogar uma partida de D&D comigo. Eu seria o mestre, e ele pediu para que fosse montando um personagem para ele e também um grupo de NPCs para acompanhá-lo como mercenários contratados. Quando eu perguntei a ele com que tipo de personagem ele iria querer jogar, ele me disse "monta tipo o Conan".

Eu rolei atributos para uns 4 personagens, e peguei a planilha com a melhor combinação para montar o "Conan" (e eram atributos bastante bons pelo que me lembro). Botei o 17 que eu havia tirado em Força, o segundo melhor atributo em Constituição, o terceiro em Destreza, e por aí vai... E obviamente, montei um Guerreiro.

Acontece que meu irmão já sabia jogar RPG a mais tempo do que eu, e tinha alguma experiência com outros sistemas além do D&D.

Quando ele chegou para jogar, ele perguntou quais as habilidades das classes dos personagens, olhou para a planilha dele e disse "17 em Força tá legal, mas vou mudar o segundo melhor atributo para Destreza, e e terceiro para Constituição, tudo bem?". Já naquela época era comum deixarmos mudar os atributos de lugar, então não fiz objeção.

Mas então foi aí que aconteceu algo que mudou minha forma de ver o jogo para sempre. Meu irmão disse "e vou também mudar classe dele para Ladrão". Na hora eu perguntei "mas não era para ser tipo o Conan, um bárbaro?". Ele respondeu "e é, ele é um bárbaro... e um ladrão, como o Conan". Eu ainda argumentei que como ladrão ele não iria lutar tão bem quanto o Conan, mas ele disse que o 17 de Força resolvia esse problema. e assim nasceu Amra, o Ladrão.

E no fim, jogando, o personagem funcionava muito bem. O bônus de Força dava a ele uma boa vantagem em combate, ele escalava, era furtivo, assassinava os inimigos com um só golpe pelas costas, e tinha uma CA bastante alta para um personagem inicial. E era um bárbaro; agia como um bárbaro, falava como um bárbaro, e lutava como um bárbaro, mesmo sendo um ladrão em sua planilha.

E foi ali que eu entendi que, ainda que os arquétipos digam muita coisa sobre seu personagem, no fim ele não é apenas aquilo que está na sua planilha, mas sim aquilo que você deseja fazer dele. E que nem sempre você tem de montar a planilha de forma a maximizar as habilidades da classe ou outra descrição mecânica qualquer; às vezes você só deve montar o personagem como você acha que ele vai ficar mais legal, mais divertido de jogar. Até aquele momento, eu nunca teria montado um ladrão com o atributo mais alto em Força, mas ali eu percebi que isso poderia ser algo bem divertido de se fazer.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...