quarta-feira, 7 de agosto de 2019

#RPGaDay 2019: Familiar

Familiaridade com um sistema ou cenário é peça fundamental para poder conduzir um jogo de forma improvisada mas coerente e eficiente, e mais importante, sem esforço. Claro que é possível improvisar realmente tudo, incluindo mecânicas e estatísticas de criaturas, mas se não precisar fazê-lo tudo fica mais fácil.

Durante a minha adolescência, eu era tão familiarizado com o D&D e o AD&D que a imensa maioria dos monstros comuns eu era capaz de citar todas as estatísticas de cor. E os monstros mais raros, eu podia não saber as estatísticas de cor, mas possuía uma boa noção do número de Dados de Vida, Habitat e habilidades especiais. Também não possuía dúvidas sobre praticamente nenhuma regra, exceto as mais obscuras e raramente utilizadas. Basicamente, eu era capaz de mestrar AD&D sem necessitar nenhum livro de referência, o que tornava minha vida extremamente fácil na hora de improvisar algo ou mesmo criar uma aventura.

Em relação a cenários, o cenário com o qual eu sou mais familiarizado é sem dúvida Ravenloft. Ainda hoje eu me lembro de muita coisa sobre o cenário. Sei quais são os Domínios, suas posições geográficas, seus temas gerais (pois cada Domínio tem seus temas específicos), seus Lordes Sombrios, como as fronteiras são fechadas, as criaturas mais comuns que habitam em cada lugar, a maioria dos NPCs importantes, e como as Brumas e os Poderes Sombrios afetam a metafísica do cenário.

Esse conhecimento me dá enorme tranquilidade na hora de conduzir aventuras em Ravenloft, permitindo que eu crie aventuras na hora, sem nenhum preparo prévio, e sem que esta pareça fora de lugar ou contradiga preceitos do cenário de forma a comprometer futuros andamentos da campanha, ou gere muitos questionamentos de jogadores que conhecem Ravenloft.

Em geral essa também é a razão de porque tantas pessoas preferirem mestrar em seus cenários próprios. Cenários autorais nos dão essa segurança na hora de mestrar, a liberdade de saber que você pode improvisar uma aventura com facilidade, pois possui um arcabouço tão grande de conhecimento sobre o cenário que será muito fácil tomar decisões de última hora para seja lá o que for.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

#RPGaDay 2019: Espaço

Eu poderia falar sobre muitas coisas partindo do tema "espaço" ligado ao RPG. Mas já que em essência esse blog é sobre Dungeons & Dragons, penso que é quase mandatório que eu fale sobre Spelljammer.

Para quem não conhece, Spelljammer é basicamente D&D no espaço. Não um jogo de aventuras espaciais tradicionais que utilizam regras baseadas em D&D ou AD&D, nada disso. É literalmente D&D no espaço, com direito a guerreiros, magos, elfos, anões e beholders. É um cenário de 1989 para o AD&D que tinha como uma das ideias permitir a ligação de diversos outros mundos de jogo através de viagens espaciais dentro de barcos mágicos voadores.

A caixa básica de Spelljammer.

Eu nunca realmente joguei uma campanha de Spelljammer, apenas umas poucas aventuras baseadas nos conceitos do cenário. Meu primeiro contato com esse cenário foi com a aventura "O Espaço Selvagem" que fazia parte do First Quest.

Quem se lembra do First Quest?

À época, eu não possuía o First Quest, então emprestei os livros de um amigo para utilizar aquelas aventuras em minha campanha utilizando o D&D da Grow. E eu gostei tanto da aventura baseada em Spelljammer, que utilizei o hipopótamo antropomórfico (na verdade um Giff) Capitão Blotomus e sua nau voadora mais algumas vezes, integrando ele e o Espaço Selvagem como parte integrante de meu cenário caseiro.

 O mapa da aventura Espaço Selvagem. Não tem como uma criança não ser fisgada por uma arte dessas!

De fato, apesar de hoje em dia eu possuir a caixa básica do cenário, eu não sou um profundo conhecedor de Spelljammer. Tenho no máximo um conhecimento superficial do cenário, mas mesmo assim, há algo nele que me atrai. Os barcos mágicos voadores com formatos de criaturas gigantes, o conceito de espaço Ptolomaico fantástico, raças alienígenas como illithids, githyankis, neogis e beholders atuando como algo muito além de meros monstros, o clima que remete a uma era de navegações e aventuras de piratas, todas essas coisas me fazem querer experimentar de fato uma campanha nesse cenário.

No entanto, Spelljammer é um daqueles cenários em que as pessoas geralmente amam ou odeiam. Nos meus grupos ninguém nunca gostou muito da ideia de jogar D&D no espaço (além de mim, é claro). E isso sempre me manteve distante de uma campanha de Spelljammer. Um dia, quem sabe!

domingo, 4 de agosto de 2019

#RPGaDay 2019: Compartilhar

Algo que era muito comum, diria mesmo que era a regra, em meus primeiros anos de RPG era compartilhar a função de mestre da campanha.

Quando começamos a jogar praticamente desconhecíamos o conceito de aventuras one-shot, nossos jogos eram quase sempre uma campanha, afinal queríamos evoluir as personagens, descobrir as habilidades dos próximos níveis, enfrentar os monstros mais poderosos do livro, e para isso as personagens precisavam participar de aventura pós aventura.

No entanto, vários de nós também queriam escrever e preparar suas próprias aventuras. E como conciliar essas duas coisas? Simples: fazer um rodízio de mestres.

O mundo de jogo era compartilhado, todos tinham um personagem, e quando alguém queria mestrar uma aventura o fazia tão logo a aventura atual fosse encerrada. Quando alguém estava mestrando, seu personagem tornava-se um NPC que acompanhava o grupo normalmente - ganhando XP e podendo ser morto igual todo o resto do grupo. E o mestre da vez podia utilizar os elementos criados pelos demais mestres ou incluir novos elementos no mundo de jogo à vontade.

Quando o jogo era de D&D eu era o mestre na maior parte das vezes, e nem todos mestravam, mas lembro que revezamos a cadeira de mestre da mesma campanha várias vezes.

Hoje em dia isso não acontece mais, ninguém quer dividir o comando da campanha. Volta e meia alguém demonstra interesse em mestrar, mas é sempre começar um novo jogo, nunca tomar as rédeas daquele que já existe. E por isso mesmo, raramente esse novo jogo vinga - os jogadores continuam querendo ver seus personagens, aos quais já estão apegados, evoluírem e crescerem durante o jogo.

Não compreendo totalmente porque atualmente parece tão difícil vários mestres compartilharem a condução de uma mesma campanha. De certo que os membros que compõem meu grupo hoje são outros, mas ainda assim. Só sei que essa experiência de compartilhamento era muito interessante.

sábado, 3 de agosto de 2019

#RPGaDay 2019: Engajar

Para jogar RPG é necessário um bom nível de engajamento.

Para participar como jogador, é preciso aprender as regras, mesmo que superficialmente. Caso seja uma campanha, é preciso se comprometer a aparecer para jogar com regularidade. E durante as sessões, é preciso participar ativamente, não apenas reativamente - RPG não é um jogo onde você apenas aguarda sua vez de rolar os dados.

Da parte do mestre, é preciso aprender as regras de forma aprofundada para poder conduzir o jogo de forma adequada (mesmo que você não vá utilizar essas regras). Se for utilizar uma aventura pronta, é necessário lê-la por inteiro ao ponto de saber como reagir aos rumos de ação tomados pelos personagens dos jogadores e mudar o que for necessário para manter a aventura nos rumos certos. Se for utilizar uma aventura própria, é necessário alguma preparação prévia, mesmo que você improvise a maior parte do tempo. É necessário conhecer o cenário que se está utilizando (se existir algum), criar NPCs (ou ao menos lembrar daqueles que já existem), e conhecer os personagens dos jogadores.

Mas a forma de engajamento que mais me agrada é quando mestre e jogadores trabalham juntos de verdade para a construção de um mundo fictício. Quando jogadores incluem nas histórias prévias de seus personagens elementos que o mestre pode incorporar ao seu cenário de forma construtiva, e em contrapartida o mestre incorpora as histórias dos personagens dos jogadores em sua campanha, dando relevância a esse aspecto da construção do personagem, e fazendo com que o personagem seja de fato parte integrante e indissociável do mundo de jogo.

Poucas coisas são mais satisfatórias do que ver os jogadores empolgados com a forma que as histórias pessoais de seus personagens se amarram com a história da campanha, e poucas coisas estimulam mais os jogadores a se engajarem verdadeiramente com o jogo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

#RPGaDay 2019: Único

A experiência de jogar RPG para mim é única. Nenhuma outra forma de jogo se compara, nenhum possui a mesma complexidade e riqueza de experiências.

A maioria dos jogos está limitado dentro de suas regras, por mais amplas, interessantes e complexas que estas sejam, já o RPG é apenas guiado por suas regras, não sendo limitado por elas. É implícito ao jogo de RPG que a interação dos personagens com outros personagens e com o cenário é prioridade e, de certa maneira, tem prevalência sobre as regras.

Não há limites quanto às opções que os personagens possuem, às atitudes que eles podem tomar diante de um determinado fato. Também não há limites em como o mestre pode reagir às ações dos personagens, em como os NPCs e o cenário irão se comportar em relação aos jogadores. Nada é predeterminado, tudo vai mudando e se adequando conforme o desenrolar do jogo.

Devido a isso, num jogo de RPG as possibilidades são infinitas, as interações são infinitas, e o andamento do jogo é impossível de ser previsto com exatidão, resultando sempre em uma experiência nova e surpreendente, mesmo quando a mesma aventura é jogada novamente.

Nem mesmo os mais avançados e bem feitos jogos de videogame de mundo aberto, por mais complexos e grandes que sejam, reproduzem esse tipo de experiência que o RPG é capaz de proporcionar.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

#RPGaDay 2019: Primeiro

E eis que eu bati um novo recorde: 9 meses e meio sem nenhuma postagem no blog! A causa disso? Eu diria que provavelmente é a idade chegando... Mas já dizia Lovecraft: "Não está morto aquilo que pode eternamente jazer, e com eras estranhas, até a morte pode morrer"!

Nesse 1º de Agosto está se iniciando mais um RPGaDay, e este evento sempre é um incentivo para eu postar mais no blog, e portanto trata-se de uma boa oportunidade para, como um bom necromante (ei, aproveitando, vocês viram que no Legião, cenário do Old Dragon, eu virei Sartu Corax, o Necrotirano?!), trazer o blog de volta à vida!

O RPGaDay deste ano é um pouco diferente, ao invés de trazer questões específicas sobre RPG, o evento traz uma lista de palavras, uma para cada dia, deixando livre para que cada participante use sua imaginação para falar algo a respeito do hobby que aquela palavra lhe traz à mente.

Diagrama com as palavras do RPGaDay 2019.

A palavra de hoje é "Primeiro", e assim eu escolho falar do meu primeiro personagem de D&D.

O primeiro personagem de D&D com o qual eu joguei na verdade não foi montado por mim. Um vizinho havia ganho o D&D da GROW e levou o jogo lá em casa para me mostrar. Para me ensinar como era jogado, ele pegou um personagem que um dos irmãos dele havia montado e me deu para controlar. Tratava-se de um guerreiro de nome Tibor (esse também era o nome do cachorro do meu amigo!), e a mini-sessão jogada foi uma das cenas descritas no verso dos cartões que ensinavam as regras do jogo.

A minha caixa do D&D da GROW. Meio machucada após tantas batalhas, mas ainda intacta!

Esse não foi o meu primeiro contato com o RPG, mas foi amor à primeira vista. Algo que definitivamente definiu minha preferência por Dungeons & Dragons, a qual continua até hoje.

O mais interessante é que eu tenho a planilha daquele personagem (que nem era meu de verdade) até hoje. É uma planilha feita no Windows 3.1 e impressa em uma impressora matricial - meu amigo era o único da rua que possuía um computador à época.

O caótico Tibor!

Por muitas vezes depois ainda utilizei Tibor como um NPC em minhas aventuras, geralmente como um mercenário que podia ser contratado para ajudar o grupo. E em algum momento decidi, por alguma razão, transforma-lo em um mago (como quase dá pra ver na foto da planilha acima) - provavelmente por já ter guerreiros o suficiente prontos e nenhuma planilha em branco disponível.
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