sábado, 31 de agosto de 2019

RPGaDay 2019: Último

Hoje é o último dia do RPGaDay 2019, e último é também a palavra de hoje. Sobre o que falar? Acho que falarei da última sessão de RPG que joguei.

Trata-se de uma campanha de Forgotten Realms, usando o sistema Pathfinder. É uma campanha num estilo bem old school, utilizando o cenário como era na 2ª edição do AD&D, pouco após o Tempo das Perturbações (ou Time of Troubles). Desta vez eu sou jogador e não mestre, o que por si só já é bastante incomum!

Meu personagem é um espadachim calishita, que vende sua espada a quem pagar. No momento está a serviço de um conjurador waterdhavian, personagem de outro jogador, que é membro de uma família mercante e está em missão de negócios viajando para Cormyr. Completando o grupo temos um paladino de Mystra, um ladrão que serve à família do conjurador, um slayer (a tradução dessa classe seria matador, mas não me parece muito adequada ao personagem) dos Vales, e um anão das florestas de Chult druida acompanhado de seu triceratops.

Na viagem até Cormyr, acabamos parando em Teziir, onde o clima ruim nos deteve, e acontecimentos calamitosos (e uma polpuda recompensa em dinheiro) atraíram nossa atenção.

Tanto o slayer quanto o druida se juntaram ao grupo já em Teziir, em virtude da missão que nos foi oferecida. Como um anão das florestas de Chult foi parar ali acompanhado de um dinossauro ainda é um mistério que levaremos algum tempo para desvendar.

Enfim, estamos investigando um culto que invocou uma criatura assassina que está causando problemas na cidade. Na última sessão, confrontamos um dos cultistas, um ladrão, que deu uma surra no grupo antes de, finalmente, ser derrotado pelo bando de águias infernais invocadas pelo conjurador (e já é o segundo inimigo que são derrotados por águias conjuradas).

Meu personagem é muito bom em termos de estatísticas (quando você rola um 18 no atributo principal costuma ser assim!), mas mesmo assim, na última sessão ele não consegui ser muito efetivo no combate. E a razão é simples: não rolei uma vez acima de 7 nos ataques. Meu personagem quase morreu com o ataque furtivo do inimigo, foi envenenado, e foi obrigado a recuar.

Após capturar o inimigo, seguiu-se um interrogatório para tentar descobrir mais sobre o culto e uma forma de banir a criatura conjurada. No entanto o interrogatório não foi tão produtivo quanto poderia. Metade do grupo tentou tranquilizar o cultista, mostrando a ele que as coisas poderiam acabar bem para ele se colaborasse, outra metade tentou intimidá-lo, o slayer acabou usando de violência contra o prisioneiro, e tudo acabou com o conjurador invocando um polvo infernal sobre o cultista quando este revidou os ataques do slayer. O paladino assistiu a isso chocado, sem ação frente ao absurdo que se desenrolava frente a seus olhos.

Acredito seriamente que o grupo ainda precisa de mais entrosamento para funcionar melhor. E ainda mantenho a opinião de que tudo deu errado porque desamarraram o ladrão e ficaram próximos o suficiente para que ele pudesse atacá-los. Eu não teria deixado desamarrarem o inimigo que surrou o grupo se estivesse presente no momento. Nunca mais vou ao banheiro em momentos decisivos da sessão!

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

RPGaDay 2019: Conexão

Uma das coisas que eu acho mais difíceis em um jogo de RPG é interpretar um personagem com o qual você não possui alguma conexão.

Quando você mesmo cria o personagem, é fácil criar uma conexão. Você pensa em uma história para ele, consequentemente desenvolve uma personalidade, escolhe sua profissão, o papel que ele desempenhará no jogo, etc. E se for uma campanha, com o tempo essa conexão cresce, torna-se mais forte, e é cada vez mais fácil, mais natural, interpretar o personagem.

Em jogos baseados em nível, como o D&D, quando o personagem já é criado em níveis mais elevados, ao invés de no 1º nível, eu costumo ter um pouco mais de dificuldade de criar essa conexão. Afinal, eu não sei exatamente como ele chegou até aquele ponto. Como ele evoluiu? Porque ele evoluiu de tal maneira e não de forma diferente? O que ele enfrentou no inicio de sua carreira? Foi difícil sobreviver? Foi fácil?

Pela mesma razão acho que é por isso que eu não gosto tanto de aventuras one shot. Fico meio perdido em como interpretar o personagem. Não sinto uma conexão com ele de imediato. E pra piorar, frequentemente em one shots os personagens já são pré-criados pelo mestre, ou os papéis dos personagens já são pré-definidos pela aventura, dificultando ainda mais o desenvolver dessa conexão.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

RPGaDay 2019: Evoluir

Não são apenas os personagens que evoluem. Nós, jogadores, também evoluímos.

Quando começamos a jogar RPG, a maioria de nós age como se estivesse jogando um jogo de tabuleiro ou videogame comum: apenas reagimos aos acontecimentos dando algum "comando", isso é, tomando alguma ação puramente mecânica da qual nosso personagem é capaz. Geralmente é o famigerado "eu ataco" seguido de uma rolagem de dados, mas também inclui coisas como "meu personagem anda até ali", "meu personagem vai olhar o que tem lá", "eu digo a ele tal coisa" e afins.

Como o tempo, e a prática de jogo, vamos aprendendo que não é preciso dizer "eu digo a ele tal coisa", você só precisa falar como se fosse seu personagem. O próximo passo é compreender que você não precisa se limitar a apenas reagir aos acontecimentos, você pode ser ativamente o agente condutor da ação, fazer com que o cenário reaja a você e que as coisas aconteçam no jogo por sua causa.

Por fim, chega o ponto que compreendemos que o jogo de RPG é muito mais do que um simples boardgame onde suas ações são limitadas por um conjunto de ações possíveis, e que os personagens, sejam de jogadores ou do mestre, podem se relacionar das mais diversas formas, e que isso é tão, ou mais, importante para o andamento do jogo quanto qualquer ação prevista na mecânica das regras.

Mas tudo isso só é aprendido jogando. Quanto mais se joga, mais experiência se acumula sobre como jogar RPG, e assim evoluímos, nos tornando jogadores melhores.

Infelizmente, alguns jogadores veteranos às vezes parecem que esqueceram que um dia eles também provavelmente já foram jogadores tímidos, um pouco perdidos nas regras, e que hesitavam na hora de interagir com o restante do cenário, e criticam jogadores menos experientes, por vezes até mesmo se recusando a jogar com eles. E isso é uma grande falha.

Não existe jogador incapaz de aprender, de vencer a timidez, tudo é uma questão de prática e confiança. Acolha seus jogadores, tenha paciência com o tempo de aprendizagem de cada um, e estimule-os a se soltar, a agir naturalmente com os demais personagens. Quanto mais confiança o jogador desenvolver com seus companheiros do grupo de jogo, menos timidez ele terá, e mais ele é capaz de evoluir como jogador.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

RPGaDay 2019: Amor

Amor. Bem, eu conheci minha esposa jogando RPG. Acho que não preciso dizer mais nada.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

RPGaDay 2019: Ideia

Ideias para aventuras e personagens (e por quê não, jogos completos) podem vir de todo tipo de lugar, e surgir de todas as formas possíveis. Mas o que eu desejo discutir não é de onde você pode tirar suas ideias mas sim uma outra coisa: não tenha medo delas!

Às vezes temos algumas ideias que em um primeiro momento pensamos que não vale à pena levar à diante, seja porque você acredita que não é muito boa, porque vai parecer ridícula, ou porque você pensa que apesar da ideia ser boa, não conseguirá implementá-la de forma adequada.

O que eu digo é: se você não tentar, nunca vai conseguir fazer. Isso é um fato. Só existe alguma chance de sucesso se você tentar.

Dê uma oportunidade às suas ideias mais exuberantes. Por mais absurda que ela pareça, talvez haja algo que valha à pena ali.

Se você não está muito certo a respeito, não tente implementar logo de cara, mas também não descarte. Tome um tempo, pense a respeito, tente analisá-la por outros ângulos, em outras perspectivas, com pequenas mudanças. Você pode se surpreender com até onde pode chegar em uma ideia que acreditava ser descartável.

domingo, 25 de agosto de 2019

RPGaDay 2019: Calamidade

Uma vez, quando eu era adolescente, estava jogando uma aventura de GURPS Fantasy com meu grupo e o mestre tinha esse personagem que era praticamente um alter-ego seu. Ele utilizava o personagem na campanha de D&D que eu mestrava, mas também aparecia como um NPC nessa aventura de GURPS. Por aí você já percebe o quanto o mestre era apegado ao personagem.

Pois bem, acontece que no GURPS, o personagem que era meio babaca com todo mundo, nem me lembro por quê, acabou ofendendo nosso grupo inteiro. Isso nem tinha nada a ver com a história da aventura em si, foi apenas um desentendimento que ocorreu quando estávamos na cidade.

Só que um membro do grupo decidiu retrucar atacando o NPC. Daí, como o cara tinha fama de ser poderoso e invencível e tal, todo o resto do grupo decidiu apoiar, para não deixar o companheiro ser massacrado. E foi aí que a coisa ficou bizarra...

Quando atacamos o NPC queridinho do mestre, ele narrou que "... uma mão vermelha gigante surge nos céus, e dispara uma imensa bola de fogo sobre o mundo. Todo o mundo é destruído. Vocês morreram."

Sério, todo mundo ficou com aquela cara de "quê merda foi essa?". Nós sabíamos que esse personagem tinha um patrono demoníaco de algum tipo, ok. Até levamos na boa e rimos do ocorrido, de tão surreal que foi aquilo. Mas a verdade é que, apesar de não termos ficados bravos com nosso amigo, todo mundo achou aquilo muito absurdo e concordamos que esse tipo de coisa não devia acontecer no jogo.

Uma calamidade que leva ao fim da campanha ocorrer porque o grupo acabou atacando um NPC queridinho do mestre? Principalmente quando o NPC em questão deu razão para o ataque (afinal, eu sei que tem grupo sem noção que ataca tudo e qualquer um sem razão)? Por favor, não seja esse mestre.

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